Crítica: Projeto Flórida (The Florida Project, 2017)
Projeto Flórida

Crítica: Projeto Flórida (The Florida Project, 2017)

Projeto Flórida é enfadonho.

Ficha técnica:
Direção: Sean Baker
Roteiro: Sean Baker, Chris Bergoch
Atuação: Brooklynn Prince, Bria Vinaite, Willem Dafoe
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (03 de março de 2018 no Brasil)

Projeto Flórida está aclamado por parte considerável da crítica (vide a nota em sites agregadores), contudo vou na linha completamente oposta. Este possivelmente será o texto mais averso ao filme que vocês lerão – eu o faço de consciência tranquila, meu objetivo não é causar polêmica, mas apenas ser justo com a minha percepção do filme.

Aqui acompanhamos um grupo de crianças, em especial Moonee (Brooklynn Prince), vivendo na periferia da Disney em um espaço que, ao contrário da opulência do famoso parque, é destinado a famílias de baixa renda. Além do foco nos pequenos, vemos também o núcleo adulto, com um olhar mais atento para a mãe de Moonee, a Halley (Bria Vinaite) e o gerente do hotel, o Bobby (Willem Dafoe – indicado ao Oscar como Ator Coadjuvante).

Basicamente o filme retrata a rotina daquela população. Não há uma trama bem delineada. Vemos, seguidas vezes, as crianças aprontando, os adultos sendo irresponsáveis ou simplesmente todos eles vivendo. A sensação de que o filme não começa perpassa não só o primeiro ato como todo o longa.

Há uma tentativa de naturalizar e humanizar os personagens usando gírias. Vemos, por exemplo, as crianças falando palavrões e dando dedo, como se fosse algo normal para elas. Sim, a ideia é reproduzir a realidade e não é isso que questiono, obviamente. Mas na exata tentativa de naturalizar deixou o texto artificial (vale a nota de algo que não é culpa do filme, mas as legendas brasileiras estavam sofríveis).

A coisa faz rir quem não está acostumado ou quem se rende a “crianças fofinhas” falando besteira, muitas cenas estão ali só para ganhar este público. Há momentos também que vão na linha oposta, a do drama. Mas a situação cai no mesmo espectro, um famoso pega trouxa. A hora “pra chorar” é extremamente marcada e previsível. Algumas cenas são fortes e podem abalar os mais sensíveis, mas quem o mínimo de calejamento não cai nos truques.

Um dos pontos mais maçantes de Projeto Flórida são as repetições e o pior: sem avançar na trama. São incontáveis vezes que vemos uma personagem vendendo perfume, por exemplo. A insistência tira força ao invés de construir um cenário produtivo. O longa poderia optar por dar mais camadas para os personagens, em especial os secundários (mas nem os protagonistas se salvam).

A atuação indicada de Willem Dafoe é totalmente comum, injustificada a lembrança pela academia. Diversos outros atores, como Patrick Stewart em Logan fizeram um trabalho muito mais intenso e completo. Aliás, comum e a tônica do Projeto Flórida como um todo. Projeto Flórida é o pior longa dentre os indicados em todas as categorias.

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