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Crítica: 120 Batimentos Por Minuto (2017)

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Ficha técnica: 

 

Direção: Robin Campillo

Roteiro:  Robin Campillo e Philippe Mangeot

Elenco: Nahuel Pérez Biscayart, Adèle Haenel, Arnaud Valois, Antoine Reinartz.

Nacionalidade e lançamento: França 2017 (04 de janeiro de 2018 no Brasil)

Sinopse: O filme conta a história da divisão francesa do grupo Act Up, um dos líderes na luta contra a AIDS nos anos 1990.

 

120 Batimentos por Minuto traz à luz a luta da Act Up Paris, organização sem fins lucrativos (viva até hoje, por sinal) que luta contra o HIV. Esse resgate memória de pouco mais de duas décadas pode parecer um pouco precipitado para quem a viveu, mas ao notarmos o crescente número de jovens que tem se infectado com o vírus é fácil perceber a importância de fazermos isso hoje.

Com uma narrativa que traz drama e muita história o filme passa até com excessos as formas de organização desse grupo de pessoas que, para sobreviver, precisava lutar contra o governo e empresas farmacêuticas. Por seu caráter político o filme levanta muitas bandeiras: a da luta contra a AIDS, o papel do Estado na proteção dos cidadãos, a relação de vida e morte mediada pela indústria farmacêutica, relacionamentos entre sorodiscordantes, a identidade LGBT atrelada à doenças e até mesmo de feminismo versus misogenia em um movimento formado por minorias.  Expor tantos pontos faz com que o filme perca tempo de desenvolvimento e torne-se um grande poutpourri problematizador.

Contar a história de um movimento através de personagens não é uma tarefa fácil. Levar ao espectador os ideais de um grupo de pessoas e ao mesmo tempo fazer com que quem assiste ao filme se interesse pelas personagens era o grande desafio de Robin Campillo que  perde-se em histórias secundárias e aprofunda-se pouco na narrativa das personagens principais para dar voz à personagem não viva mas muito presente no filme: a Act Up. Apesar das brilhantes atuações do elenco central o roteiro peca em foco. Por mostrar muito da luta do movimento as personagens tornam-se pouco envolventes e a trama um pouco distante do espectador, que vê tudo com pouca emoção ou envolvimento.

Talvez esse seja de fato o objetivo do diretor que conta com cautela a história de pessoas que ainda viviam com o que um dia foi uma sentença de morte. Quanto você se deixaria envolver com alguém prestes a morrer? Se entregaria por completo ou deixaria passar? Ali não vemos a Paris turística ou nos deixamos viver um intenso amor francês. Vivemos junto à um pequeno grupo a luta de milhares e acompanhamos de perto seus relacionamentos com a vida e a morte. 120 Batimentos por Minuto é sobre isso: pessoas que tinham todos os motivos para desistir mas não pararam de lutar até o último minuto. A edição do filme e de seu roteiro poderia ser melhor? Com certeza. De qualquer forma, o filme entrega o que se propõe de início: trazer à tona uma história por poucos não esquecida.

 

  • Nota Geral

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