ROCHA )S( #05 - "Processos Construtivos"

ROCHA )S( #05 – “Processos Construtivos”

… SER o mestre da criação nem que seja pelo tempo de um filme. Ação fugas, que passa, mas é intensa e faz chegarmos ao ponto de acreditar que aquele ser inanimado é real, tem carne e osso como nós, respira como nós, escreve seu próprio destino (como nós?)

 

(provocações) e catarses!

 

… TER o poder nas mãos, fintar laços, roteirizar destinos e contar estórias que a partir daquele momento deixam as folhas de papel e nos engolem.

Na página 07 – sete cenas que compõem o roteiro – da edição número 76, ano 07, da Revista Língua Portuguesa, uma frase me fez “queimar”:

 

“O escritor é alguém para quem o ato de escrever é mais difícil do que para outras pessoas.”

Thomas Mann (1875-1955)

Com sua fala, além da estranheza, ele revela o abismo incógnito que permeia o ato da escrita.

A imaginação passeia por tantas possibilidades, as possibilidades apresentam tantos caminhos e os caminhos nos levam as mais intrigantes estórias. Seguramos o afã do clímax, e nos vemos obrigados a manter o sangue frio e afiar a autocrítica.

 

Certo dia, me perguntaram o que é preciso (mania tenebrosa de achar que existe fórmula exata em todas as ciências) para escrever um bom roteiro.

– Pausa dramática (além do normal…). Gaguejei, pensei, continuei a titubear e ao final das contas não dei a resposta que ele esperava.

Escrever é forma introspectiva de expressão. O intrigante é que o processo criativo recebe grande influência do meio externo, porém é lá dentro, no íntimo de cada autor que o pedaço se fermenta, passa por uma série de experimentações e chega ao todo.

Alguns se inspiram com uma caneca de café, outros com um copo de cachaça. Uma parte prefere a reclusão, o silêncio. Outra é adepta das notas musicais, dos sons e seus meios.

É faro, é instinto, intuição, prazer puro. Cada diálogo é um gozo, cada personagem criado é um filho que sai do ventre e entregamos ao mundo.

 

Roteiro.

O primeiro traço. O primeiro passo. O primeiro maço.

A ordem é variante.

 

É através dele que os rompantes começam a ganhar norte.

Pra mim: um objeto invasor, ainda difícil de decifrar.

 

Parece que quanto mais fomentamos a ideia na cabeça, mais descobrimos o real caminho da própria história que queremos contar.

Encarava essas constantes edições no roteiro do filme uma indecisão característica de um roteirista iniciante. Isso bastava para bater naquela “nóia”, colocando em cheque a minha real capacidade de criação.

 

A ideia é fecundada, nasce, fica em coma, renasce, cresce, hiberna, fica de maior até voar e se tornar imagem.

 

… Não sai mais nada. A construção precisa ser estrategicamente embargada.

Em um processo tão profundo com este, não podemos mergulhar na parte rasa.

 

– Chega de superfície, que venha “O ROTEIRO”!

 

Destrinchemo-nos até o ultimo órgão da autópsia cultural do seu assassino-vilão.

 

A lucidez e consciência artística construímos gradativamente. E através dela percebi que a vontade de concretizar o projeto nunca pode estar à frente da qualidade do mesmo.

O que vale é a qualidade do que se produz e não o tempo recorde que aquilo foi produzido.

 

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