3 Formas de Adaptar um Livro para o Cinema

3 Formas de Adaptar um Livro para o Cinema

O Cinema dialoga bastante com a Literatura, principalmente com o romance e o teatro. Hoje é cada vez mais comum adaptar enredos de livros ou de peças para conduzir as produções cinematográficas. Mas essa simbiose já vem de muito tempo. O primeiro livro adaptado para as telonas foi Trilby do autor Gerald du Maurier em 1896. Aliás, se você já quer se antecipar e ver os próximos 3 livros que irão para os cinemas, pode ver este texto no site omiguilim. 

Com tantos filmes surgindo de livros, há mesmo quem defina o Cinema como “Teatro romanceado” ou “Romance teatralizado”.  Teatro romanceado porque as personagens das peças são interpretadas por atores que, graças aos recursos do Cinema, podem se movimentar mais no tempo e no espaço pelas telas, algo mais limitado nos palcos. Romance teatralizado porque temos a encarnação de personagens feitas de palavras agora em pessoas de carne e osso, também interpretando tais personagens. Quem leu “Dom Casmurro” conheceu a Capitu pelas descrições dos olhos, dos ombros e dos cabelos. Pouco se sabe sobre outros aspectos. Adaptar essa personagem para o cinema envolve a interpretação da atriz, o jogo de luzes e câmeras e a trilha sonora nas cenas em que ela estiver presente. Tudo influencia na interpretação feita pelas lentes e quem as controla no cinema.

Sobre as relações entre Cinema e Literatura, há o livro “The Novel and Cinema”, em que  o professor Geoffrey Wagner analisa 3 formas a partir das quais é possível adaptar obras literárias para o cinema. São elas:

  1. Transposição – na qual a versão da tela se aproxima das fontes literárias, com
    pouca de interferência dos produtores e diretores;
  2. Comentário – onde o original é propositalmente ou inconscientemente alterado devido às
    intenções do cineasta.
  3. Analogia – uma obra de arte completamente diferente porque é a livre interpretação por parte dos produtores, apenas usando o livro como ponto de partida para uma releitura de um tema.

 

É aqui que muitos debates efusivos começam! Existem os fãs que preferem ver os livros favoritos igualmente reproduzidos no cinema, mantendo a fidelidade narrativa. E há aqueles que até acham interessante as releituras propostas pelos diretores. Muitos defendem que a adaptação só é boa quando existe tal da fidelidade com o livro. Há os que valorizam o trabalho de interpretação feito pelo filme, afinal, uma das bases da literatura é a natureza polissêmica, ou seja, a capacidade de provocar impressões diferentes em espectadores distintos diante de um mesmo assunto. Adaptar ainda gera muitos calorosos debates!

Vamos aos exemplos!

Como filmes de Transposição, temos o “Ensaio sobre a cegueira” dirigido por Fernando Meireles que manteve a estrutura narrativa e a essência das personagens do livro homônimo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na forma de Comentário, em que há leitura do original pelo cineasta, que pode inserir ou retirar do enredo elementos, temos como exemplo “Lisbela e o prisioneiro“, peça escrita em 3 atos por Osman Lins. Na peça, há apenas uma mulher em cena, Lisbela. Ao adaptar o texto, filme apresenta outra mulher antagonizando com a protagonista. Outro filme que cabe ser lembrado aqui é “Laranja Mecânica“, cujo enredo mantém a narrativa do livro, mas há forte mudança no desfecho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por fim,  a Analogia representa a total autonomia durante a releitura e, com isso, mudanças profundas na estrutura do enredo original. Para variar um pouco nas citações, fico com “Batman vs Superman” e “Capitão AméricaGuerra Civil“, filmes que deixaram os fãs mais exigentes de quadrinhos perplexos com as mudanças apresentadas tanto nas motivações para os conflitos como para os desfechos mostrados nas telonas. Caso você não seja um leitor de Hqs, pense nas inúmeras alterações de roteiro e personalidade que Stanley Kubrick fez em “O Iluminado” a partir do livro de Stephen King. Se você ainda não assistiu, está perdendo um clássico!

 

 

 

 

 

 

 

 

Você pode ler sobre Batman vs Superman aqui: Crítica: Batman vs Superman: A Origem da Justiça

E também sobre Guerra Civil: Crítica: Capitão América: Guerra Civil

Mas e você? O que prefere? É melhor ver seu livro predileto ser recontado igualmente nos cinemas ou uma dose de liberdade também é válida? Qual melhor filme adaptado você já viu? Conte para gente nos comentários!

 

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  • Lucas Albuquerque

    Bruno, seja bem-vindo ao Cinem(ação)! A tua contribuição será ótima para os nossos debates.

    Fica a pergunta: o caso do Poderoso Chefão se encaixa em qual categoria? Já que lá temos um livro que “se espalhou” em três filmes, com algumas coisas em comum e outras nem tanto…

  • Pingback: 4 dicas de filmes a que todo estudante deve assistir! – O Miguilim()

  • Bruno Luiz

    Acredito que entraria no segundo tópico, Comentário. Os 3 filmes utilizam a mesma base narrativa do livro, fazendo mudanças pontuais que não alteram tanto o espírito da obra. Aliás, acho inclusive que, devido à atuação do elenco, os filmes tornaram mais espirituosos as personagens. Digamos que as descrições feitas no livro não oferecem tanto do “eu” de cada personagem e os filmes dão conta disso.