Filmes Sobre Escritores Reais – Segunda Parte

Filmes Sobre Escritores Reais – Segunda Parte

Voltamos com mais indicações de filmes sobre escritores reais. Na primeira parte falamos de filmes sobre William Shakespeare , Emily Brontë, Charlotte Brontë, Anne Brontë, Leon Tolstói, Anne Frank, Graciliano Ramos, Sylvia Plath e Truman Capote. Agora, na segunda parte, abordamos outros sete filmes que mostram um pouco a história de sete escritores, sejam essas histórias fiéis, pouco fiéis ou nada fiéis aos autores retratados em cena. Um agradecimento especial ao Lucas Albuquerque pela dica do filme “Neruda”.

 

Emily Dickinson (1830 – 1886) – Principais obras: “Poems by Emily Dickinson”, “The complete poems of Emily Dickinson”, “The manuscript books of Emily Dickinson”.

Além das Palavras (2016), direção: Terence Davies

A norte-americana Emily Dickinson foi, além de uma poetisa notável, uma mulher de aspectos interessantes e curiosos. Nascida e criada em uma família tradicional no século 19, Dickinson se limitava a viver reclusa, longe do convívio social, e de certa forma longe até mesmo de sua própria família, onde se mostrava sempre distante a algumas questões, principalmente quando se referiam a sentimentos amorosos. Problemas com um irmão e um provável amor não correspondido por um clérigo fizeram dela uma pessoa dominada por conflitos interiores. “Além das Palavras” é um trabalho excepcional, uma obra magnífica onde cada cena parece uma pintura, tamanho a perfeição de seus enquadramentos e a fotografia deslumbrante de Florian Hoffmeister. Cynthia Nixon está ótima no papel de Dickinson; seu olhar melancólico e penetrante expressa a dor e a magnitude de uma das maiores poetisas de todos os tempos.

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Fiódor Dostoiévski (1821 – 1881) – Principais obras: “Os Imãos Karamazov”, “Crime e Castigo”, “Os Demônios”, “O Idiota”.

“Demônios de São Petersburgo” (2008), direção: Giuliano Montaldo

Produção italiana que retrata um período na vida do célebre escritor russo Fiodor Dostoievski (Miki Manojlović) enquanto ele escrevia seu romance “O Jogador” para, ironicamente, pagar dívidas contraídas em jogos. Ele vai ditando sua obra para a estenógrafa Anna Grigorievna Snítikin, sua futura esposa. Enquanto isso, o escritor se envolve em uma trama que envolve o assassinato de um membro da família imperial. A história tem momentos confusos, não abordando tão bem algumas situações, mas por outro lado mostra bem o lado revolucionário do autor russo. A produção aborda também a época em que Dostoievski estava preso na Sibéria. O diretor Giuliano Montaldo fez filmes como “Sacco e Vanzetti” (1971) e “Giordano Bruno” (1973). O início do filme ‘brinca’ com a ‘rivalidade’ entre Dostoievski e o escritor Ivan Turgueniev.

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Jane Austen (1775 – 1817) – Principais obras: “Orgulho e Preconceito”, “Razão e Sentimento”, “Emma”, “Persuasão”.

“Amor e Inocência” (2007), direção: Julian Jarrold

Apesar da inglesa Jane Austen ter sido a mais popular escritora romântica de seu tempo, sua vida amorosa não deu tão certo quanto a de seus personagens. “Amor e Inocência” cobre um período breve da vida de Jane (aqui interpretada por uma atriz norte-americana, a adorável Anne Hathaway), quando, em sua juventude, ela se interessa (e vira interesse) pelo irlandês Thomas Lefroy (James McAvoy). Mas ela é pressionada por sua mãe a aceitar a proposta de casamento de um jovem da alta sociedade, parente de Lady Gresham (Maggie Smith). Assim, vamos acompanhando as aventuras e desventuras amorosas de uma das maiores escritoras de todos os tempos que soube como ninguém falar do amor e dos conflitos sociais de sua época. Dividida entre o amor e a razão, Jane acaba optando por algo inesperado. Uma agradável produção com um casal que funciona bem e ótimos coadjuvantes, além de uma história fluida, bem ao modo Jane Austen.

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Oscar Wilde (1854 – 1900) – Principais obras: “O Retrato de Dorian Gray”, “A Importância de Ser Prudente”, “Balada do Cárcere de Reading”, “O Fantasma de Canterville”. 

“Wilde” (1997), direção: Brian Gilbert

O escritor irlandês Oscar Wilde sempre teve uma vida ligada a escândalos. Homossexual, Wilde nunca se deixou levar pelas derrotas, sendo sempre muito aplaudido por seus textos e peças teatrais. Aqui, o escritor é bem interpretado por Stephen Fry, e a história aborda principalmente seus casos amorosos com homens jovens; um deles, Lorde Alfred Bruce Douglas (Jude Law), levará o relacionamento ao extremo, complicando a vida de Wilde – que era casado e tinha filhos. A obra não suaviza os acontecimentos e não evita mostrar cenas fortes. Mais fiel possível aos fatos, o filme aborda também os últimos dias de vida do escritor, que não terminou bem (ele era frequentemente levado a tribunais para explicar sua conduta tida como inadequada). No elenco temos ainda nomes como Vanessa Redgrave, Tom Wilkinson, Michael Sheen e Orlando Bloom (em pequena participação).

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Lillian Hellman (1905 – 1984) – Principais obras: “As Pequenas Raposas”, “Pentimento”, “A Caça às Bruxas”, “The Children´s Hour”.

“Julia” (1977), direção: Fred Zinnemann

Julia” é baseado no livro “Pentimento” da escritora norte-americana Lillian Hellman, e relata suas memórias de infância, onde conheceu sua amiga Julia; e muitos anos depois quando elas voltam a se encontrar durante uma missão perigosa que envolve nazistas. Hellman – que viveu 30 anos com o também escritor Dashiell Hammett (autor de “O Falcão Maltês) – foi uma das vítimas da Caça às Bruxas liderada pelo senador joseph mccarthy. Tal perseguição se deu principalmente porque a escritora também foi roteirista em Hollywood. Vencedor dos Oscars de melhor roteiro adaptado, ator coadjuvante (Jason Robards) e Atriz coadjuvante (Vanessa Redgrave), “Julia” tem uma história exemplar, com um ótimo elenco liderado por Jane Fonda (que está muito bem no papel principal). Foi o último filme de destaque do prestigiado diretor Fred Zinnemann (“À um Passo da Eternidade”, Matar ou Morrer”, “O Homem que Não Vendeu Sua Alma”).

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Pablo Neruda (1904 – 1973) – Principais obras: “Cem Sonetos de Amor”, “Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada”, “Canto Geral”.

“Neruda” (2016), direção: Pablo Larraín

O Carteiro e o Poeta” (1995) era um filme romântico e lírico sobre o premiado poeta chileno Pablo Neruda. Em “Neruda”, o escritor premiado com o Nobel de Literatura em 1971 é apresentado de forma menos romântica e mais perspicaz. A obra enfoca sua fase como senador e membro do Partido Comunista. Feito pelo ator Luis Gnecco, Neruda é perseguido incessantemente por um policial (Gael Garcia Bernal), numa verdadeira caçada de gato e rato, onde o poeta vai deixando livros para o seu perseguidor. Mas é preciso dizer que há mais invenção do que história real contida nessa obra do diretor chileno Pablo Larraín (que no mesmo ano retratou também a viúva de JFK em “Jackie”, interpretada por Natalie Portman). “Neruda” foi indicado ao Globo de Ouro de filme estrangeiro, mas ficou de fora do Oscar na mesma categoria. Um filme que merece ser visto.

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Anaïs Nin (1903 – 1977) – Principais obras: “Delta de Vênus”, “The Diary os Anaïs Nin”, “Pequenos Pássaros”, “Henry & June”.

“Henry & June – Delírios Eróticos” (1990), direção: Philip Kaufman

O prestigiado diretor Philip Kaufman (“Os Eleitos – Onde o Futuro Começa”; “A Insustentável Leveza do Ser”) transpôs para as telas o romance autobiográfico “Henry & June”, da escritora francesa Anaïs Nin. Anaïs criou obras que se destacam pelo erotismo e toques de psicanálise. Aqui ela narra seu intenso e conturbado relacionamento com o escritor Henry Miller (Fred Ward) e sua esposa June (Uma Thurman). Mesmo casada, Anaïs não deixa de lado sua atração pelo autor de “Trópico de Câncer”. O filme tem uma boa reconstituição histórica, onde se sobressai o clima de festas e inconformismo que predominava nos círculos intelectuais dos anos 30 e 40 na França. A portuguesa Maria de Medeiros (“Pulp Fiction”) interpreta Anaïs Ninn. Alec Baldwin não pôde participar do filme e foi substituído por Ward (um ator mediano).

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A seguir:

Um escritor francês em uma defesa que entrou para a história; o desaparecimento de uma genial escritora inglesa de histórias de mistério; a história fantasiosa do criador de um inesquecível personagem da literatura infantil; as desilusões e os amores de uma grande poetisa portuguesa; e mais…

 

 

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  • Thiago de Mello

    Ótimo artigo! Muitas indicações que eu não conhecia! Vou procurar!

  • Kley Coelho

    Brigadão, Thiago. Em breve teremos a terceira parte com novas indicações.