Especial: “Titanic” – 20 anos (1ª parte)

Especial: “Titanic” – 20 anos (1ª parte)

Há vinte anos estreava Titanic, um dos mais importantes filmes da década de 90

Há exatos 20 anos era lançado no Festival de Cinema de Tóquio um dos filmes mais amados na década de 90, Titanic de James Cameron. Esse filme ganhador 121 prêmios, entre eles 11 Oscars e indicado para outros 75 prêmios, foi um marco na década de 90. Filas que rodeavam quarteirões, sessões se esgotavam 3 dias antes, pessoas em prantos ao fim de cada projeção. Titanic foi um verdadeiro evento cinematográfico nunca antes visto, e talvez só repetido no lançamento dos filmes da franquia Star Wars.

O filme arrecadou US$ 1.843.201. 268,00 na bilheteria mundial. Por 12 anos foi a maior bilheteria da história, sendo ultrapassado apenas por Avatar 12 anos depois. Em 2012 o filme foi relançado mundialmente em 3D, e acumulando assim R$ 2.186.772.302,00. Levando em conta a inflação o filme arrecadou R$ 2.916.000.000,00, ficando atrás somente de Avatar e E O Vento Levou, segundo e primeiro lugar respectivamente.

Mas o que fez de Titanic esse fenômeno? Qual o legado deixado por esse filme? Quais as curiosidades e segredos dos bastidores? Nesse especial de 3 partes, tão longo quanto o filme, vamos conhecer um pouco sobre a história desse Grande Filme, em todos os sentidos (rsrsrs). Vamos lá então?

O início

Em entrevista em 2009, James Cameron revelou que sempre foi apaixonado por naufrágios e Titanic era o seu “Monte Everest dos Naufrágios”. Embalado ainda pelo sucesso alcançado por Exterminador do Futuro 2, Cameron poderia fazer qualquer coisa que quisesse. Ele chegou então na Fox com uma ideia no mínimo ousada um “Romeu e Julieta no Titanic”.

O diretor desde o início queria fazer um filme focado no naufrágio, e o romance seria algo secundário. Cameron sentou com os executivos da Fox e vendeu seu peixe. Ele explicou em detalhes da produção: seria um épico romântico, duraria mais 3 horas, o orçamento seria de US$ 150 milhões (o segundo maior da história na época), e que não haveria sequência. Qual foi a reação dos executivos da Fox? Depois de uma pausa eles falaram:

Certo – um épico romântico de três horas? Claro, é exatamente o que queremos. Há um pouco de Terminator nisso? Algum jato Harrier, tiroteios ou perseguições?

Cameron explicou que não era isso que queria fazer. E claro, os executivos duvidaram que o filme seria um sucesso. Afinal um épico romântico de 3 horas, custando US$ 150 milhões, dirigido por um diretor acostumado a dirigir ficção e ação? Era a receita para o desastre, ainda mais que o casal não ficaria junto no final. Mas Cameron usou ao seu favor a publicidade. Ele explicou aos executivos o que pretendia fazer:

Vejam, temos de fazer toda essa abertura onde eles exploram o Titanic e encontram o diamante, então teremos várias tomadas do navio. Podemos fazer isso com modelos elaborados, tomadas de motion control, CG e tudo mais, que custará X – ou gastar X mais 30% e ir realmente filmar no verdadeiro naufrágio

Ele meio que disse: ‘Imagina a publicidade que isso vai dar, todo mundo vai querer ver os destroços do Titanic.’ Eles falaram: OK. E assim começou a produção de Titanic.

A pré-Produção

Cameron fez as filmagens submarinas que são vistas no início do filme. E apenas após elas estarem prontas ele começou a escrever o roteiro. Após uma pesquisa de 6 meses, pesquisando a tripulação, criou uma linha do tempo da noite do naufrágio, recriou cada detalhe do transatlântico e daquela noite. Aos poucos o roteiro foi tomando forma e finalmente estava pronto o roteiro.

Após o roteiro pronto, o próximo passo foi o design de produção fazer seu trabalho. James Cameron conseguiu com a Harland and Wolff, a empresa responsável pela construção do Titanic, alguns arquivos privados que incluía as plantas do navio. Com isso o navio foi construído em escala real. E através de fotos da época cada detalhe do navio foi reproduzido com perfeição. Desde as cabines até as louças com o símbolo da White Star Line foram reproduzidos. Cameron teve o cuidado ainda de contratar historiadores para autenticar as peças. Um detalhe curioso sobre o design de produção é que a escadaria da primeira classe foi realmente construída em madeira em tamanho real. E depois foi destruída.

As Filmagens

As filmagens começaram em julho de 1996 e estava programada para durar 138 dias. Só que eles não foram mil maravilhas. Vários membros do elenco ficaram resfriados, inclusive Kate Winslet, por conta de ficarem muito tempo na água fria. Três dublês quebraram o braço. Kate também lascou um osso do cotovelo. Alguns atores deixaram o elenco. Cameron se tornou um verdadeiro ditador durante a produção. Sua fama de homem mais assustador de Hollywood se firmou aqui.

O perfeccionismo do diretor assustou a todos. Kate Winslet, inclusive disse que houve momentos que ela teve medo do diretor. A atriz conta:

Houve momentos em que eu genuinamente fiquei com medo de Jim [Cameron]. Jim tem um temperamento em que você não iria acreditar. ‘Que droga!’ ele gritaria para um pobre membro da equipe, ‘é exatamente isso que eu não queria!’

Bill Paxton que já havia trabalhado com o diretor, em Aliens – O Resgate, chegou a dizer:

Havia muitas pessoas no cenário. Jim não é um desses caras que tem o tempo para ganhar mentes e corações

A situação chegou a um ponto tão caótico que, um dos membros da equipe, insatisfeito com o andar da produção, colocou alucinógeno na sopa de Cameron e outros membros da equipe. Essa “pegadinha” levou 50 pessoas para Hospital. O ator Lewis Abernathy disse sobre o ocorrido:

Havia pessoas rolando no chão, completamente fora de si mesmas. Algumas disseram estarem vendo riscos e psicodélicos.

Sobre Cameron ele disse:

Um olho estava completamente vermelho, como o olho do Exterminador do Futuro. Uma púpila, nenhuma íris, vermelho beterraba. O outro olho fazia parecer que ele cheirava cola desde os quatro anos.

Tantos problemas tiveram resultados graves. As filmagens atrasaram e passaram 22 dias do previsto, terminando em 160 dias. E como era de se esperar o orçamento inicial de US$ 150 milhões estourou e chegou a US$ 200 milhões. Assustados com o rombo no orçamento que quiseram cortar cerca de 1 hora do filme. Eles imaginavam que um filme curto teria mais chances de sucesso.

O que Cameron achou disso?

Vocês querem cortar o meu filme? Vocês vão ter que me despedir! Vocês querem me despedir? Vocês terão que me matar!

Como os executivos não queriam perder o dinheiro que já haviam investido, e fizeram essa concessão para Cameron. Inclusive recusaram a proposta de Cameron de não receber nada do lucro do filme. Eles tinham certeza que o filme seria um fracasso.

Uma curiosidade interessante sobre as filmagens, é que a cena em que Jack desenha Rose com o Coração do Oceano foi a primeira cena entre os dois a ser filmada. Isso ajudou  a quebrar o gelo entre os dois e ajudou o casal a ter um melhor entrosamento.

A Pós-Produção

Finalizado as filmagens começou a pós-produção. Os efeitos especiais foram feitos pela Digital Domain, que já havia trabalhado com o diretor em O Segredo do Abismo e Exterminador do Futuro 2.Cameron queria fazer algo diferente dos outros filmes sobre o Titanic, que filmava a água em câmera lenta e não funcionava. Ele encorajou a Digital Domain a filmar a maquete do navio e depois acrescentar de forma digital a água, a fumaça e os figurantes em motion capture. A cena na sala de máquinas foram feitas com cromaqui.

O trabalho da Digital Domain foi louvável, principalmente na cena do naufrágio. Cameron queria algo real. Foi usado um cenário que ia se inclinando até chegar a 90º. Cameron queria algo caótico e conseguiu. A cena é uma das mais impressionantes do filme é de uma realidade incrível. Cameron e a Digital Domain acertaram em cheio. Pela primeira vez vimos o navio se partindo antes de afundar. E é como se realmente estivéssemos ali dentro. Experiência que foi amplificada quando o filme foi relançado em 3D.

O corte original do filme tinha um final diferente do que foi aos cinemas. Esse final pode ser visto no DVD comemorativo de 10 anos na parte dos extras, como final alternativo. Mas na ilha de edição Cameron viu que o final não condizia com o filme. Ali ao final do filme ninguém mais liga para busca do personagem de Bill Paxton, e o final não condizia com a melancolia do naufrágio. Por isso o diretor escolheu recriar aquele final da forma como vimos nos cinemas.

E embora Cameron tenha brigado para não cortar o filme em uma hora, isso não significa que o filme que vemos é integral sem cortes. Após os primeiros testes com o público o diretor notou que algumas cenas não funcionaram para o público. Como por exemplo, uma cena em que Jack e Lovejoy, o capanga de Cal (Billy Zane), brigam. A cena não funcionou e nem agradou o público por dois motivos. O primeiro é um jovem brigar com um homem bem mais velho. E o segundo motivo foi que o público achou que não fazia sentido alguém brigar por riquezas quando estão lutando para sobreviver. E algumas outras cenas foram cortadas pelos mesmos motivos.

Mas e a música? E a trilha sonora? Como foi a estreia? E a repercussão? E o legado que o filme deixou? Na próxima parte desse especial vamos falar sobre isso. Então Até lá!

Leia a 2ª Parte do “Especial: ‘Titanic’ – 20 anos”

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