“Inherent Vice” – (2014)

“Inherent Vice” – (2014)

A paisagem do mar junto ao barulho das aves cantando faz parte do início da narrativa prestes a começar. A luz do sol bate levemente nos cabelos louros da voz malemolente que nos fala. A bela mulher que aparece de marrom claro com um sorriso estonteante, faz o homem de jeans levantar-se do sofá pra pegar uma cerveja para beberem. A voz que narra volta a caracterizar as emoções e os sentimentos que ambos daquela cena viveram durante aquele tempo reluzente de solaridade e afeto naquela casa de praia nos arredores de Los angeles.

Um pedido de ajuda. Um pensamento. A bateria que soa ao fundo e a voz de longe a complementando, ambas, nos trazem os pensamentos de Doc (Joaquin Phoenix). Ele é um detetive particular desajeitado, fumante e mora sozinho. Visitado pela sua ex-namorada chamada Shasta Fay (Katherine Waterston) a qual está de rolo com um grande empresário de nome Mickey Wolfmann (Eric Roberts). Mickey é casado, e sua esposa, como ele, tem um amante, que juntos, estão bolando um plano para Mickey. E a partir daí, tudo começa a se confundir e ser confundido. Mesmo Doc tendo agora um novo caso para solucionar, temos a sensação de que ao mesmo tempo, parece ter que cuidar de vários outros, porém, sem algum tipo de solução. Os casos que Doc recebe, apesar de serem distintos uns dos outros, apresentam muitas coincidencias entre si, e no decorrer da história, mesmo prestando atenção aos detalhes, somos facilmente levados a nos confundir quanto aos casos e seus próprios detalhes. Com o gradual tempo do filme, vamos perdendo um pouco os parâmetros do que se está falando, de qual caso os personagens estão conversando ou mesmo, se estão falando de algum caso em particular.

Inherent Vice

O filme se passa nos anos 1970. O filme Noir, o qual Paul Anderson intercala suas ideias junto a arte de fazer seu cinema, tem como principal ideia e talvez objetivo, a própria confusão. Porém, tal fato não traz para o espectador a sensação de nao possibilidade de entendimento mas quanto à realidade que o rodeia,  isto é, faz espelhar na tela, a própria realidade vivida nas ruas dos anos 70 nos EUA. Inherent Vice é baseado na obra de Thomas Pynchon de 2009. Através de uma abordagem de indignação social por parte do autor do livro, como: “[…] that endlles middle-class cycle of choices that are no choices at all”, temos um pouco de noção do ponto-chave de discussão que o diretor quer tratar no filme, dando desta forma, veracidade e proximidade à obra de Pynchon.

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