Crítica: Perfeita é a Mãe!

Crítica: Perfeita é a Mãe!

Perfeita é a Mãe!, Comédia dos escritores de Se Beber, Não Case! tenta revigorar o gênero mas não foge do lugar comum

Ficha técnica:

Direção: Jon Lucas, Scott Moore
Roteiro: Jon Lucas, Scott Moore
Elenco: Mila Kunis, Kathryn Hahn, Kristen Bell, Christina Applegate, Jada Pinkett Smith, Annie Mumolo, Jay Hernandez.
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (11 de agosto de 2016 no Brasil)

Sinopse: Bom casamento, filhos exemplares, ótimo emprego e uma vida (quase) perfeita. Em Perfeita É A Mãe!, três mães estafadas com a maternidade chegam no limite, e se unem para uma cômica e revolucionária reviravolta.

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A ideia por trás de Perfeita é a Mãe! é até interessante: pegar o gênero de filme de “amigos em altas confusões” e revirar o conceito em si, colocando 3 mulheres nos papeis principais. Não é uma ideia original propriamente dita, já que o diretor Paul Feig já havia, de certa forma, feito isso com o seu Missão Madrinha de Casamento, mas não com os arquétipos dos “três amigos em altas confusões (o quietinho/nerd, o protagonista, e o tarado, geralmente)”. Porém, enquanto Missão Madrinha de Casamento funcionava como uma paródia de gênero e ainda sim possuía uma originalidade própria que o separava como obra, Perfeita É A Mãe! se contenta com o lugar comum. E falta justamente isso: originalidade. 

No filme, Mila Kunis interpreta Amy, uma mãe “bem sucedida”, com dois filhos e que trabalha demais (como a mesma revela na expositiva introdução). Após descobrir que seu marido a trai, seguido de um dia estressante em que tudo parece dar errado, Amy decide unir-se a duas outras mães, Carla (Kathryn Hahn) e Kiki (Kristen Bell), e resolvem se livrar dos deveres preestabelecidos do que é ser uma “boa mãe” na sociedade, se divertindo numa jornada de libertação.

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Não se anime, pois a sinopse é mais interessante que a obra em si. Como já mencionado, logo no começo, Amy explica o tipo de vida que ela tem enquanto o filme mostra isso, falhando já no início por nos tratar como idiotas nas exposições de diálogos e pela idade de Kunis, que não convence como uma mãe bem estabelecida (mesmo que a atriz tente. O problema é do casting em si). Não basta para que os problemas do filme comecem a aparecer.

Tirando logo do caminho um dos aspectos mais negativos: a fotografia incongruente de Jim Denault, que, em suas luzes estouradas, parece recair inteiramente para o soft focus (que é usado para atribuir normalmente caráter etéreo a imagem, “desfocando-a” levemente). De início, acreditei que o uso da iluminação e desse “soft focus” era justamente para reforçar essa ideia de American Dream, do retrógrado sonho de “dona de casa ideal” para depois subvertê-lo, mas a fotografia permanece assim, deixando o filme desinteressante visualmente e simplesmente feio de se olhar, mostrando que os diretores não possuem nem mesmo uma visão concisa para o visual da obra.

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Os diretores, aliás, são Jon Lucas e Scott Moore, responsáveis pelos roteiras da trilogia Se Beber, Não Case (que, convenhamos, apenas o primeiro é realmente bom)! . Aqui, Lucas e Moore tentam fazer claramente uma espécie de versão feminina do trio Alan, Phil e Stu, o que, nas pretensões iniciais da obra de subverter isso, acaba deixando tudo mais genérico ainda. Tudo em Perfeita é a Mãe segue por este caminho. Ao mesmo tempo que parece parodiar os filmes da atual geração, incluindo a “obrigatória” montagem de uma festa com cenas em slow motion de todos ficando “muito loucos”, ele inclui uma música pop em cada cena, tentando atribuir um caráter e atitude descolada ao projeto. Percebe-se que os diretores realmente acreditam nisso.

A real atração de fato é o entrosamento entre Kunis, Bell e Hahn, que conseguem arrancar bons risos quando estão apenas se divertindo em tela. O filme também conta com Christina Applegate e Jada Pinkett Smith, antagonistas do filme. Pinkett Smith é desperdiçada, e Applegate consegue incluir um pouco de carisma em sua “vilã”.

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o Soft Focus é um problema

O filme peca também pelos palavrões excessivos. Os roteiristas parecem acreditar que, quanto mais palavrões saem das bocas de suas personagens, mais extremo e engraçado o filme será, quando na verdade tudo acaba soando forçado. A trama é genericamente previsível (tudo é tão “by the book“, que acredito que os próprios realizadores desistiram de tentar e entregaram uma obra burocrática). Até o interesse amoroso de Amy, interpretado por Jay Hernandez (de Esquadrão Suicida) é incluído apenas porque o gênero “pede”.

Apesar dos vários pontos negativos, fica claro que o foco (e destaque) da obra vai para o entrosamento do trio Kunis/Bell/Hahn, que consegue ser carismático (Hahn e Bell estão ótimas) apesar do roteiro pedestre. É um filme que poderia se diferenciar com alguma espécie de “autenticidade” mas se contenta em ser apenas mais uma comédia esquecível e derivativa, que se salva apenas pelo animado trio de protagonistas.

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