Diretor de “Invasão” fala sobre as dificuldades de se fazer filme independente

Diretor de “Invasão” fala sobre as dificuldades de se fazer filme independente

Helio Martins Jr

Helio Martins Jr

O filme “Invasão” busca inovar bastante com a ideia de um filme de OVNIs. Afinal, são poucos os filmes brasileiros que ousam falar sobre este assunto, e menos ainda os que ousam investir grandes quantias de dinheiro em projetos sem auxílio de leis de financiamento. Sempre que podemos, falamos aqui no Cinem(ação) sobre projetos semelhantes, como o longa de Indaiatuba “Catarina – A Lenda da Loira do Banheiro“, o curta “O Fugitivo” e o longa gaúcho “Contos do Amanhã“.

Aproveitamos e fizemos algumas perguntas ao diretor e roteirista de “Invasão”, Helio Martins Jr. O diretor falou sobre suas influências, contou quais forram os principais perrengues durante as filmagens, e explicou por que preferiu produzir o longa por conta própria. Confira o bate papo:

 

Invasao_poster_nacionalDe onde surgiu a ideia de fazer este filme? A ideia de produzi-lo surgiu antes, ou foi o roteiro que impulsionou o projeto a sair do papel?
Eu possuía alguns roteiros de filmes, mas não tenho produtora e as poucas que me atenderam já estavam envolvidas com seus próprios projetos. Resolvi então escrever um roteiro de orçamento barato na qual eu pudesse bancar sozinho. Daí veio a ideia para o filme Invasão.

Foram quantos dias de gravação?
Como todos na equipe trabalharam em regime colaborativo, filmávamos somente aos fins de semana. Gravamos de agosto a outubro de 2012, no total foram 22 dias.

Filmar de forma independente e sem qualquer incentivo deve ser difícil, mas pode ser libertador. Por que vocês não buscaram algum tipo de incentivo?
Para participar da maioria dos editais de produção audiovisual é necessário ter empresa e CNPJ, e mesmo assim, quem participa sabe que o dinheiro demora bastante, pois há uma série de regras que são criadas para dar segurança ao dinheiro público que está sendo investido. No meu caso eu já iniciei o projeto com uma meta de gastos. Se por um lado eu não tinha muito dinheiro, por outro eu tinha controle de tudo, do tempo, dos gastos e das decisões. Mas havia um desafio: apesar de ser um filme de baixo orçamento, ele teria que agradar ao público, por isso fiquei meses tratando o roteiro e depois com o elenco fizemos algumas adaptações durante os ensaios no intuito de lapidar a história. Outro ponto importante foi respeitar a linguagem do cinema durante a produção e pós-produção, para deixar o material com “cara” de filme. Pela reação das pessoas que já o assistiram, “Invasão” agrada a todos, mesmo sendo um filme de baixo orçamento, e isso é muito gratificante para todos os membros da equipe.

Quais foram as principais dificuldades durante as gravações?
Como é uma produção de baixo orçamento, as dificuldades foram muitas, daria para fazer um filme só dos bastidores (risos). A locação do filme também era o local onde elenco e a técnica dormiam de um dia para outro, isso tomava um bom tempo da direção de arte para deixar os cenários sem interferências. A história se passa num lugar isolado, porém a chácara real possuía alguns vizinhos que adoravam ouvir som alto, ou que tinham um cachorro que latia no exato momento da batida da claquete, tudo isso era um desafio para o pessoal do som. Essas foram algumas das dificuldades, mas todas foram superadas com criatividade e bom humor.

Alguns gêneros são pouco explorados no Brasil. O que você acha que falta para o cinema brasileiro apostar mais em filmes de ficção científica e suspense que envolvam alienígenas, por exemplo?
O Brasil tem muitas histórias e personagens. Temos muito material para se inspirar, não precisamos fazer somente filmes de dramas sociais ou comédias. Sempre gostei de todos os gêneros, muitos dos meus filmes preferidos são ficções cientificas e aí me pergunto: por que não falar de uma invasão alien no Brasil? Por que não contar essa história pelo ponto de vista da nossa cultura? Há tantos casos de avistamentos no Brasil que eu mesmo gostaria de fazer mais um filme sobre o tema da Ufologia. Mas acho que temos que investir na pluralidade. Há público para todos os gêneros de filme, e se o projeto for bem conduzido, ele será bem aceito e terá sucesso.

Quais os diretores e filmes que mais inspiraram o desenvolvimento de “Invasão”?
Sou fã de muitos diretores de cinema, mas Spielberg, Ridley Scott e Hitchcock foram ótimas fontes de inspiração para o projeto. Gosto muito do tema e já perdi a conta de vezes que assisti “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” e “Sinais”. Mas para produzir o “Invasão” eu também busquei referencias nos filmes: “Pássaros”, “Alien”, “Bruxa de Blair” e “Atividade Paranormal”. Vale lembrar que este último também foi um filme de baixo orçamento, realizado com apenas 11 mil dólares, mas arrecadou mais de 100 milhões de dólares só nos EUA. Um diretor brasileiro também inspirou a fazer meu projeto: Marcelo Galvão realizou o longa “Quarta B” de forma totalmente independente, até pedi conselhos para ele.

De quais mostras e festivais o filme já participou? De quais o filme ainda deve participar? Como está sendo a reação das pessoas?
O filme já foi exibido em maio de 2014, como convidado no Museu da Imagem e do Som de Campinas. Foi exibido e indicado a sete prêmios no Festival de Cinema Civitatis em São Paulo e ganhou quatro troféus Graça Aranha de melhor filme, de melhor filme pelo público, edição e atriz principal. Em 28 de novembro de 2014 ele irá abrir o primeiro festival de Cinema de Peruíbe. Estou aguardando respostas de outros festivais. No ano que vem começo a enviar o Invasão para festivais internacionais. Por enquanto, só tivemos reações positivas do filme: todos gostam muito dos pontos de virada e, principalmente, do final da trama. Mesmo quem não é fã de filmes de suspense ou ficção cientifica, acaba gostando do “Invasão”, pois há um drama envolvente e nas situações mais tensas, as relações entre os personagens são colocados à prova.

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