Crítica: Mistérios de Lisboa – 50ª Mostra de São Paulo
Mistérios de Lisboa – 50ª Mostra de São Paulo
Direção: Raúl Ruiz
Roteiro: Raúl Ruiz, Carlos Saboga
Nacionalidade e Lançamento: Portugal, França, 2010
Elenco: Adriano Luz, Maria João Bastos, Ricardo Pereira, Clotilde Hesme, Afonso Hesme, Léa Seydoux
Sinopse: Uma teia de mistérios e desventuras cercam e unem a figura Padre Diniz e todos aqueles que ele encontra por onde passa.
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Mistérios de Lisboa é um novelão. No sentido mais puro da coisa. Um filme absolutamente moderno feito a partir da tradição. O mais fascinante do filme é ver um artista modernista (Raúl Ruiz) navegando por um universo classicista.
O filme funciona como um verdadeiro novelo construindo e puxando as tramas épicas ao redor do Padre Diniz apresentando diferentes capítulos, contações e amarrações de diversos núcleos e dramas dos seus personagens para uma dramaturgia clássica e de folhetim do Camilo Castelo Branco.
A direção do Raúl Ruiz tanto reforça essa grandiosidade e a desorienta com um rebuscamento formal modernista que leva o folhetim pra um caminho de maneirismo (ainda mais evidente pelo digital) segurado por essa elegância grandiosa.
Os movimentos de câmera circulares constantes, a leveza disso, o uso de carrinho, os split diopter, os primeiríssimos planos, os ângulos inusitados por baixo e por cima, os travellings, as sobreposições, as panorâmicas, a câmera acompanhando o fluxo do movimento dos personagens, o visual barroco e aquele final em que o filme flerta com o surreal.
Enquanto recupera o interesse pela tradição em conteúdo, a forma o vira de ponta cabeça e o leva ao moderno. Uma aula de encenação. De adaptação. O filme já estava excelente, mas o final o leva para outro patamar.
Nota: 5 /5