Crítica (2): Fjord – 50ª Mostra de São Paulo
Fjord
Direção: Cristian Mungiu
Roteiro: Cristian Mungiu
Nacionalidade e Lançamento: Romênia, França, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, 2026
Elenco: Sebastian Stan, Renate Reinsve, Lisa Carlehed, Ellen Dorrit Petersen, Lisa Loven Kongsli, Henrikke Lund-Olsen.
Sinopse: Uma família romena recém-instalada na Noruega é alvo de uma investigação dos serviços sociais e acaba enfrentando o sistema judicial local.
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Fjord é um filme sobre o dúbio que é exatamente o contrário do que isso é. Do que adianta investir num debate ambíguo se ele é colocado de maneira tão idiota, telegrafada, caricata e fácil?
Ele cai num lugar muito mais comum do que quer parecer ser nas suas provocações e reflexões sobre questões da atualidade, acabando não intencionalmente em um doisladismo ideológico muito bobo e nojento numa abordagem cima do muro covarde justamente por apresentar uma mentalidade tão infantil sobre o conflito entre a família conservadora religiosa e a posse de um Estado progressista sob as suas crianças.
E tudo isso numa realização narrativa/cinematográfica primária que trata todos os personagens apenas como fantoches de uma tese ordinária e não como pessoas com personalidade definidas e desperdiça ideias maiores de encenação optando por essa câmera distanciada do quadro que traz pouquíssimas variações de encenação pra uma direção morna.
Em 2 horas e 26 minutos que o filme tenta nos fazer ficar com pena da família do Juliano Cazarré europeu e se contenta em propor supostas ponderações do seu dilema que são o lugar raso mais manjado de uma ideia de ambiguidade onde nada acaba sendo desenvolvido, onde não existe espaço pra dúvidas, nenhuma contradição é de fato abraçada (percebam com o filme NUNCA tem coragem de colocar a família central num lugar que não seja de absoluta proteção até quando os critica muito levemente) e nada é desafiado para além de uma formatação esquemática de personagens e temas.
Não quero soar como uma caricatura de mim mesmo, mas peguem qualquer filme do Clint Eastwood, assumidamente alguém de fato de direita, que também tem essa coisa de “complexificar figuras conservadoras” ao dissecar elas, refletir sobre elas, seus contextos, fazer provocações e de tratar da ambiguidade do mundo, um “Richard Jewell” da vida ou vários outros dele (“Sniper Americano”, “Gran Torino”, “Josey Wales”, “A Mula”, a lista é grande), e você vai ver um retrato muito mais complexo, aberto, contundente, sombrio, com muito mais personalidade própria, honestidade, firmeza, profundidade, nuance, inteligência, imaginação e sem ser essa parada simplória, hipócrita, oportunista e preguiçosa que isso aqui é como cinema, temática e narrativa. No final das contas Fjord não passa apenas de um filme babaca.
Nota: 1 /5