Resident Evil e o filme que só existe na cabeça do fã do game
Chegou aos cinemas recentemente mais uma tentativa da Sony de emplacar a franquia Resident Evil, e para essa missão foi chamado o diretor Zach Cregger, responsável pelos recentes sucessos “A Hora do mal” e “Barbarian”. Na nova história, o diretor optou por colocar referências do jogo, mas numa trama com um protagonista que não tem nos jogos, nela o entregador de delivery é levado a Raccoon City e se depara com toda a situação de zumbis típicas da franquia de jogos e, mais uma vez, uma boa parte dos fãs reclamaram da falta de fidelidade, da ausência de personagens dos jogos, bem como de verossimilhança, mas afinal de contas será que esse filme existe mesmo?
Ao longo dos últimos 25 anos Resident Evil teve sete filmes, 6 deles produzidos ou dirigidos por Paul W. S. Anderson que chegou a fazer uma boa grana, mas nunca agradou a maioria dos fãs dos jogos, as queixas são as de sempre, falta de personagens dos jogos ou ausência de semelhança da trama, mas o que as pessoas esquecem é que uma adaptação nunca será igual a obra de origem, pois tratam-se de linguagens diferentes e mídias bem distintas, logo as diferenças existirão e coisas dos jogos sempre ficarão de fora ou serão modificadas.

Na minha opinião os filmes do Paul W. S. Anderson não são o “fim do mundo”, muito pelo contrário: a franquia é bem honesta, faz umas referências bem legais aos jogos, recriou vilões icônicos e cenas similares às dos jogos, abrindo mão até de ir mais fundo na lógica que seria mais cinematográfica para tentar atender aos anseios dos fãs em certos momentos, mas sem sucesso com eles. Preciso frisar que alguns personagens dos jogos entraram e saíram de forma meio confusa durante os filmes dos anos 2000 e sim, isso é bem passível de crítica, mas não a ponto de se odiar tudo nos filmes já feitos.
Talvez esteja na hora dos fãs dos jogos internalizarem que os filmes nunca serão iguais aos jogos, porque se forem iguais eles serão os próprios jogos. Tem muita coisa legal nos filmes antigos – tem pelo menos uns 4 filmes que achei bem divertido de ver – e também vale dar uma chance a nova versão, tem zumbis e uma Raccoon City, dinâmicas que lembram e homenageiam um dos maiores jogos da história dos games, se abrir o coração para licenças poéticas e os pontos legais essa frustração tende a diminuir, vai por mim.