Crítica: Marty Supreme
Marty Supreme
Direção: Josh Safdie
Roteiro: Josh Safdie, Ronald Bronstein
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2025
Elenco: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Kevin O’Leary, Tyler The Creator, Fran Drescher, Abel Ferrara, Emory Cohen.
Sinopse: Um jogador de pingue–pongue mau caráter ambiciona se tornar o melhor do mundo e acompanhamos a sua jornada para chegar nesse patamar.
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Em Marty Supreme o “sonho americano” pertence aos homens ruins. “Perdedores” nasceram para serem “ganhadores” nele. E o benéfico é entregue aos piores tipos possíveis que persistem por isso depois de navegar um mar de lama.
Esse é um filme que propõe um jogo muito complexo e ao mesmo tempo direito de envolver o espectador por uma pessoa péssima. Nefasta. Te ligar nela de modo sensorial e como observador da entrada na sua vivência. Sua obstinação, falsidade, charme, seu talento, carisma e seu magnetismo são tão fascinantes quanto ele é desprezível, egoísta, sem escrúpulos, comum, patético, arrogante, juvenil, mentiroso, estupido, impulsivo, insensível, irracional e o filme nunca esconde o quão é isso é também perverso ou sórdido dentro do funcionamento de uma figura com tendências de um psicopata. Mas sempre próximo de nós. Qualquer tomada de consciência na sua maturidade forçada vem de impulsos de ego e de raiva ou então de reconhecer na sua namoradinha de infância e no seu filho com ela extensões de si mesmo. Egoísmo puro.
Esse painel sórdido, selvagem e caótico alimentado pelo absurdo que ele cruza é tão bem detalhado de modo narrativo, formal e cinemático (seja direção, coreografia, montagem, trilha, movimento e essa união de ritmos) por Josh Safdie e sua equipe que dá vontade que o filme nunca acabe ao acompanhar um universo tão bem detalhado e ambientado onde as jornadas de golpes e lutas da epopeia de Marty pra chegar aonde ele quer ganham materialidade sempre. Ao mesmo tempo que vemos a autenticidade de um cenário sujo da Nova York da década de 50 vemos também ele sendo contaminado por uma vibração pop que se configura na pegada aventuresca da dramaturgia e ne uma trilha sonora dos anos 80 onde o anacronismo acompanha essa vibração.

Ele é dotado de muita intensidade e energia, desses rompantes de excentricidade típicos dos Safdie com banheiros estourando e caindo em cima de apartamentos ou os mais diversos tipos de insanidades acontecendo, mas existe nesse mundo podre de gente podre um senso de entusiasmo divertido que coloca uma leveza no filme sem nunca perder de vista esse universo sórdido e de muitos tipos de violência do seu estudo de personagem. Dentro disso acontece também um uso brilhante das personas e imaginários dos atores pra aquelas figuras.
O filme então consegue investir no exagero, no excesso e deixar as coisas ao mesmo tempo tão confortáveis. Tudo é físico sem ser sufocante. Closes, câmeras fechadas em rostos, objetos, ela colada com os personagens, se movendo pela intensidade mas não se apressando com ela. Marty é um dos grandes personagens do cinema dos últimos anos (todo negativo, mas com camadas próprias, sem nunca deixar de ser palpável e humano na sua maldade e eterna infantilidade) e Chalamet o interpreta com genialidade acompanhando toda a expansividade e intensidade do filme na composição de um tipo jamais banal e que jamais passa do ponto. Exatidão.
Nota: 5 /5
