Crítica: Alerta Apocalipse - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
3 Claquetes

Crítica: Alerta Apocalipse

Alerta Apocalipse
Direção:
Jonny Campbell
Roteiro: David Koepp
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2026
Elenco: Joe Keery, Georgina Campbell, Liam Neeson, Lesley Manville, Sosie Bacon, Elloria Torchia, Vanessa Redgrave.
Sinopse: Quando um fungo altamente perigoso escapa de um laboratório secreto, um ex-agente de bioterrorismo é chamado de volta à ação. Junto com dois jovens funcionários, ele deve enfrentar uma ameaça invisível e fora de controle.

.

Meu primeiro texto para o Cinem(ação) foi publicado em abril de 2025. Nele falei sobre Presença, filme cujo roteiro foi escrito por David Koepp. Eis que, nem um ano depois, volto com mais um filme de Koepp, dessa vez baseado em um livro que ele mesmo escreveu. E mais: nesse meio tempo foram lançados ainda Código Preto e Jurassic World: Recomeço, ambos com roteiro do homem. Começo com essa informação só como curiosidade, e pra destacar quão versáteis são os textos de Koepp – independente de eles virarem ou não bons filmes.

Mas tô aqui pra falar de Cold Storage (Alerta Apocalipse no Brasil), filme que é uma adaptação do tal livro homônimo, que, pelos comentários que vi, é comparável às obras de Andy Weir (de Perdido em Marte). Livro e filme são uma versão do quase-apocalipse que envolve fungos, personagens engraçadinhos e bastante nojeira.

Três décadas atrás, a doutora Hero Martins (Sosie Bacon) foi chamada para analisar uma cápsula terrestre que retornou do espaço e que contém um fungo que aniquilou uma cidadezinha. Lá ela é recebida pelo agente de bioterrorismo Robert Quinn (Liam Neeson) e sua parceira, Trini Romano (Lesley Manville), que não podem fazer nada além de testemunhar a destruição rápida e implacável de Hero quando ela é contaminada pelo fungo. O bichinho é contido antes que se espalhe, e guardado na segurança do subsolo de uma base militar.

Anos se passam e, em um timelapse, vemos como, com os anos, a base é utilizada, abandonada, vendida e se torna um centro de armazenamento, daqueles em que você pode alugar um espaço para guardar coisas que não cabem em casa. Lá trabalham Travis “Teacake” Meacham (Joe Keery) e a novata Naomi Williams (Georgina Campbell), uma dupla que, no turno da noite, ouve um bipe e o segue até descobrir que o barulho indica uma falha na contenção do fungo. Não demora até eles verem os efeitos do organismo, e os dois precisam trabalhar com um Quinn arrancado da aposentadoria para salvar o mundo.

Com um enredo previsível, Alerta Apocalipse se destaca em dois pontos. Em questão de efeitos especiais, o filme traz uma maquiagem prática bastante impactante, com o fungo verde se espalhando pelos corpos dos infectados e os tornando cada vez mais grotescos, mas não deixa de lado os efeitos digitais, razoavelmente bem feitos. Animais infectados em locais improváveis e explosões de gosma verde são presença frequente ao longo da projeção, proporcionando uma mistura do absurdo com o gore que deve agradar quem for assistir pelo terror da coisa.

O segundo destaque fica para o elenco, mas com ressalvas. Joe Keery e Georgina Campbell têm uma boa química e são apresentados através de diálogos que nos dão uma geral sobre quem são e por que estão ali sem ser forçados. A questão é que, para quem assistiu Stranger Things, Keery está interpretando o mesmo Steve Harrington que viveu na série. Mesma coisa com Liam Neeson: mesmo se mantendo mais próximo da comédia desde seu trabalho anterior, o remake de Corra que a Polícia Vem Aí, ele ainda se parece muito com os personagens de filmes de ação pelos quais ficou conhecido depois de Busca Implacável. Eu quase esperei que ele ligasse pro fungo e dissesse “I will find you and I will kill you”… Mesmo assim, e ainda que Neeson e os demais atores passem pouco tempo juntos em tela, é um grupo carismático que nos faz torcer para que dê tudo certo no final.

Alerta Apocalipse ainda encontra tempo para fazer críticas sutis a situações reais: tanto a burocracia como o descaso com que se tratam elementos perigosos, o que nos remete, por exemplo, ao tratamento de resíduos nucleares; ou as mudanças climáticas que tornam o solo mais quente, o que permite que algo que deveria estar refrigerado volte a ser uma ameaça. Não são comentários aprofundados, mas são assuntos que fazem sentido dentro do roteiro.

Jonny Campbell é o responsável pela direção de Alerta Apocalipse, já tendo no currículo a direção de episódios de séries como Doctor Who e Westworld, mostrando um pezinho bem fincado na ficção científica, muitas vezes com toques de humor. Aqui ele entrega uma diversão descompromissada, mas ótima para uma sessão entre amigos.

Nota: 3 /5

Deixe seu comentário

×
Cinemação

Já vai cinéfilo? Não perca nada, inscreva-se!

Receba as novidades e tudo sobre a sétima arte direto no seu e-mail.

    Não se preocupe, não gostamos de spam.