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Crítica: A Empregada

Direção: Paul Feig
Roteiro: Rebecca Sonnenshine
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2026
Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone, Elizabeth Perkins.
Sinopse: Uma jovem com um passado conturbado se torna a empregada na casa de um rico casal, que escondem segredos sombrios.

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Guardadas as devidas proporções – que fique claro – A Empregada (The Housemaid) me lembra um (sub) encontro entre os thrillers sensuais artificiais e descarados de casais ricos do Adrian Lyne que costumeiramente passavam na superfície e os filmes femininos do George Cukor a estilo de Gaslight (1944). É um filme sobre fantasias paranoicas, fantasias de mundos burgueses falsos dos subúrbios americanos de ricaços, fantasias de desejo, fantasias de mentiras e fantasias de vingança femininas contra os abusos do machismo. Paul Feig retorna à boa forma do seu cinema depois de uma sequência de filmes ruins. Ele não é um Robert Aldrich de O Que Terá Acontecido a Baby Jane (What Ever Happened to Baby Jane?), longe disso, mas volta a dominar as diretrizes muito simples, mas eficientes desse tipo de cinema.

É um filme de trama absurda e desenvergonhada que se alimenta disso na sua articulação e então chega organicamente no seu comentário crítico de denúncia social do ato final. Feig constrói as coisas a partir de uma artificialidade quase suavizada, um exagero soft que vai se desfazendo até o grafismo sanguinário do ato final num thriller doméstico pesado, mesmo que ele seja meio mal encaixado nessa transformação súbita e brusca demais.

Closes, zooms, planos detalhes por baixo de carrinhos de supermercado ou dos pés da filha no balé, os planos detalhes de chaves abrindo portas, o triângulo de luz branca no quarto opressivo, Sidney Sweeney e o seu padrão se movendo por um corredor vazio do hotel com o fundo gigante em evidência, os toques sonoros repentinos, o sexo coreografado na tempestade, a cenografia como uma casa de bonecas, os planos inclinados das mulheres com Brandon Sklenar, a intensidade de certas decisões da direção e da montagem, tudo isso evidência tanto o encontro entre uma farsa novelesca meio artificial e um suspense carregado desenvergonhado. Tudo é desenvergonhado nessa sua simplicidade pop, porém novelesca.

A direção de atores funciona nesse sentido também com Sydney Sweeney marcando inicialmente uma sobriedade que vai se esvaindo conforme o filme vai carregando suas tintas, enquanto Brandon Sklenar está muito confortável com um tipo artificial e Amanda Seyfried espetacular rouba a cena de todos usando a sua expressividade dos seus olhos e gestos (somada com as suas aparições repentinas na montagem e filmagem) em prol da farsa de uma diva da Old Hollywood, da intensidade e da emoção. Ela está excelente e engolindo tudo e todos. Um filme que é “farofa”, sim, mas é daquelas caprichadas e bem articuladas.

Nota: 3 /5

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