Crítica: Para Sempre Medo
Para Sempre Medo
Direção: Osgood Perkins
Roteiro: Nick Lepard
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2025
Elenco: Tatiana Maslany, Rossif Sutherland, Birkett Turton, Eden Weiss, Tess Degenstein
Sinopse: Uma romântica viagem de aniversário para uma cabana isolada na floresta toma um rumo sinistro quando uma presença sombria se revela, forçando um casal a confrontar o passado assombrado da propriedade.
.

A carreira de diretor de Osgood Perkins não é tão extensa, mas, desde A Enviada do Mal, de 2015, conseguimos identificar um estilo bem característico em sua filmografia, que traz o estranho e o assustador para ambientes aconchegantes, misturando luzes quentes, que promovem um clima de familiaridade, a locais isolados e claustrofóbicos. Seus últimos três filmes, porém, foram lançados em um intervalo muito curto, e um quarto projeto já está previsto para esse ano. Para Sempre Medo acaba sendo aquele filho do meio, um filme que parece ter sido feito meio de qualquer jeito, sem um desenvolvimento adequado.

No longa, Liz está indo com Malcolm para a cabana na floresta da família dele, onde vão comemorar um ano de namoro. Antes de ir, Liz conversa por telefone com uma amiga, Maggie, que insiste que esse cara deve ser casado e está traindo a esposa com ela, afinal, esse sempre foi o papel de Liz em relacionamentos passados. Já na cabana, o casal passa por uma situação desagradável com a visita do primo de Malcolm, Darren, e sua namorada, Minka, que não fala uma palavra de inglês. Quando deveriam poder aproveitar, Malcolm acaba tendo que voltar para a cidade por conta de uma emergência no hospital onde trabalha, e Liz fica sozinha para lidar com as inevitáveis presenças sobrenaturais que surgirão em uma cabana como essa.
Fora as opiniões de Maggie, o relacionamento entre Liz e Malcolm parece muito distante para quem está junto há apenas um ano. É palpável o desconforto de Liz na cabana, estando em um ambiente que é de propriedade do namorado, sem poder sair dali sem um carro. Ser deixada sozinha é a cereja do bolo, especialmente quando Darren impõe sua presença na “casa da família”, um argumento que faz com que Liz o deixe entrar.
Malcolm, que deveria ser uma fonte de segurança e conforto, também se mostra algo muito diferente disso. Liz menciona que ele lhe deu de presente um cardigã bege, ao que Maggie responde que “achava que você nem conhecia essa cor”. O namorado também insiste que ela coma um bolo de chocolate deixado misteriosamente na cabana pela caseira (segundo ele), mesmo quando Liz diz que odeia chocolate. “Achei que todas as mulheres gostavam”, ele responde. São pequenos sintomas de um comportamento manipulador, que acaba passando batido em sua sutileza.

Usar o terror para falar de dinâmicas de relacionamento dentro do patriarcado não é nada novo no gênero, e os resultados variam. Criar metáforas para abrir um diálogo sobre essas questões é bacana, mas, no caso de Para Sempre Medo, o que vemos é mais uma apresentação do problema do que um aprofundamento, principalmente por conta de personagens mal desenvolvidos. Tatiana Maslany faz o que pode no papel de Liz, mas sua personagem tem pouca agência, podendo apenas reagir em meio a sustos baratos.
Mas o pior de tudo é o excesso de exposição. Perkins passa o filme todo construindo esse clima de mistério para, no final, ter um personagem despejando toda a explicação do que está acontecendo ali em um monólogo expositivo. O mesmo já aconteceu em Longlegs, também de Perkins, o que me faz ficar um tanto preocupada com a possibilidade de essa se tornar mais uma característica dos filmes do diretor.
Vale notar que Para Sempre Medo foi desenvolvido em meio às greves de Hollywood em 2023, usando um roteirista (Nick Lepard, cujo único outro trabalho por enquanto foi o recente Animais Perigosos) e atores canadenses, que poderiam trabalhar nesse período de paralisação. O que não poderia ocorrer, no entanto, seriam revisões de roteiro, então qualquer alteração no meio do caminho estava vetada. Pode estar aí parte da culpa do desenvolvimento pobre do enredo, restando o visual para causar algum impacto no público.
No fim das contas, o filme é mais um exemplo no horror sobre como interações com homens são, para as mulheres, muitas vezes mais aterrorizantes do que qualquer presença sobrenatural, e de que somente abraçar nosso lado monstruoso pode trazer alguma esperança de salvação.
Nota: 2,5 /5