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Crítica: Me Ame com Ternura

Me Ame com Ternura
Direção:
Anna Cazenave Cambet
Roteiro: Constance Debré, Anna Cazenave Cambet
Nacionalidade e Lançamento: França, Luxemburgo, 2025
Elenco: Vicky Krieps, Antoine Reinartz, Monia Chokri, Viggo Ferreira-Redier, Féodor Atkine, Park Ji-min.
Sinopse: Ao final de um verão, Clémence decide ser sincera com seu ex-marido. Ela conta que está vivendo novas paixões, desta vez com outras mulheres. Em retaliação, o ex-marido decide castigá-la tomando a custódia do filho. Com isso, Clémence se vê forçada a repensar a maternidade e os diferentes tipos de amor que a moldam.

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Filmes sobre diversos aspectos da maternidade foram lançados nos últimos tempos. E em uma sociedade que romantiza o tema enquanto não dá apoio real para as mães, acaba sendo um assunto de grande interesse para mim. 

Em Morra, Amor! vemos a depressão pós parto; em Hamnet enxergamos o amor desmedido massacrado pelo luto; Se eu tivesse pernas eu te chutaria retrata a mãe sobrecarregada e culpada por não ser suficiente para curar sua filha. E Me ame com ternura traz uma mãe presente sendo afastada de seu filho por conta da sua sexualidade. 

Todos os dias homens abandonam suas famílias. Deixam mulheres grávidas que serão obrigadas a serem mães solo. Largam seus casamentos de anos e no processo renegam também seus filhos. O abandono cometido pelo pai se torna socialmente “aceitável”, porque aos homens é permitido tudo, inclusive o perdão pelas suas faltas. Já quando uma mulher resolve finalizar seu casamento, mas ainda estar presente na vida de seu filho; o homem abandonado sem saber lidar com a rejeição, muitas vezes usa a criança como forma de se vingar da mulher com quem se relacionou. Negando a ela a possibilidade de viver plenamente a maternidade. É o que Me Ame Com Ternura retrata.

Quando Clémence (Vicky Krieps) diz ao ex-marido que não existe possibilidade de reconciliação e que está se relacionando com mulheres, seu ex-parceiro de anos resolve puni-la pedindo a guarda total do filho e começando uma luta para fazer com que a criança não a queira mais em sua vida.

Nos primeiros minutos do longa a revolta já toma conta do espectador ao perceber que o filme vai retratar como não apenas um indivíduo pode ser cruel com uma mulher, mas como todo o sistema judiciário pode ser assim. Mesmo em pleno século XXI o mundo funciona em benefício dos homens e criando diversas dificuldades para que uma mulher seja livre. 

Não é um filme fácil. É longo, com mudanças de tempo abruptas, incômodas e nada sutis. E ao mesmo tempo faz sentido que tudo seja tão desconfortável, já que a vida da protagonista também está sendo assim. 

Com uma interpretação bastante visceral, Vicky Krieps consegue retratar, no corpo e no rosto, cada nuance de sentimento da personagem. E com ela nós sofremos durante os anos de batalha para poder ter o direito de ser mãe do seu filho, mas sem jamais abrir mão da mulher que ela verdadeiramente é. 

Me Ame Com Ternura é um filme sobre maternidade, mas além disso, é sobre uma mulher em busca de si mesma. E que, independente das dores, não permite que ninguém defina como ela tem que viver sua própria vida.

Nota: 3 /5

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