ROCHAS #08 - "AS PERSONAGENS"

ROCHAS #08 – “AS PERSONAGENS”

“A literatura nos permite revelar nossos personagens de duas maneiras: dizendo e mostrando”. (Bráulio Tavares)

 

É com essa afirmação que o autor e compositor, inicia seu texto “O Raio X do personagem” que integra a coluna técnica da edição número setenta e seis da revista Língua Portuguesa.

As duas linhas abrem um questionamento sobre a arte de escrever e as encruzilhadas que os escritores – principalmente os menos experientes, assim como eu – estão expostos.

O primeiro revela-se o caminho mais fácil e na maioria das vezes percorrido. É como se o autor, criasse um atalho na ligação do filme com o público, “ditadorizando” informações que o próprio iria perceber no decorrer da história.

O outro (mais artesanal), enriquece a obra e dá uma maior verossimilhança ao personagem que está sendo mostrado, substituindo afirmações por ações.

 

O bom personagem é aquele que nos surpreende a cada ação, e nos passa coerência em suas reações. E tecer essa teia de surpresas, verdades e sutilezas é uma missão árdua e minuciosa que todo roteirista se defronta quando resolve contar algo sobre alguém.

 

A construção do personagem se faz aos poucos, com atitudes sutis e subsequentes. Não devemos cuspir sua ficha corrida por aí, no primeiro diálogo. Quem assiste jamais deve ter sua inteligência subestimada (desabado como público. E tem cineastas/autores que adoram fazer isso!). Quem assiste tem o direito de perceber e construir o perfil daquilo que vê.

Grosseiramente falando, um personagem é igual a um peru de natal. Estático em posição estratégica, oco e pronto para ser recheado.

Recheio que cabe a nós escritores “meter” com vontade, sem esquecer a consciência e verossimilhança dramatúrgica. Ingredientes que nunca devem faltar. Emoções, sentimentos, contradições… Alma.

A missão é fazer o bicho sair e andar com as próprias pernas. Deixá-lo falar, gritar, ter vontade própria.

O segredo dos mais experientes é rechear na medida certa. Nem raso demais, nem transbordar de menos. Equilíbrio, segredo do chef!

 

Contradizemo-nos o tempo todo nas nossas mentiras e nas nossas meias verdades. Ninguém é, somente, um mar de virtudes ou uma compota de fel. Somos uma mistura de tudo de bom e de ruim. Não necessariamente o bom sendo o bom ou o ruim sendo o ruim. Nosso flerte com o hibridismo é eterno.

 

Limitar-se a um lado da faca assassinaria a graça da existência. Se o maniqueísmo não existe em nós porque insistir em impregná-lo neles, seres construídos? Foi-se o tempo do apartheid entre cânones e diabos. Os dois habitam os mesmos corpos. Só muda a dose e a intensidade.

Um bom personagem passeia na corda bamba. La curvilínea e quase imperceptível.

A minha fábrica de perus tem início no registro do nome. Eles dizem muito e fardam todas as personagens que crio com nomes que gosto, em mim despertam certo impacto e refletem a personalidade de seus detentores. Com os nomes, traço os perfis. Embora, algumas personagens sejam escritas especialmente para suas intérpretes…

 

Tenho um carinho especial por minhas personagens femininas. O que pode se explicar pelo fato de desde pequeno ser rodeado por ELAS. Quando criança, na adolescência, na época da escola… Era com elas que eu andava e praticava a maioria das AÇÕES (Os takes eram tão constantes que vez ou outra eu era tachado como tal)”.

 

As mulheres sempre representaram, e até hoje representam, uma força, uma luz, um mistério que falta a nós, homens do sexo frágil. A figura feminina é muito marcante em mim. Minhas mães, minha irmã, minha melhor amiga, minhas primas… E mesmo quando elas se fazem ausentes, sejam por covardia ou vontade própria, tem outra figura ainda que masculina que supre esse buraco e nos faz varolizá-las ainda mais.

Quando comecei a criar a personagem feminina de “Uma Câmera na Mão…” pensei na evolução que as mulheres passaram até os dias atuais.

Essas mulheres livres, decididas, imponentes, que deixam muitos homens nos cômodos do machismo obsoleto. Tudo isso em contraponto com a fragilidade, a leveza, a sensualidade e o charme que elas possuem no andar, no respirar.

 

Dessa vez o nome já estava definido…

 

. . . c o n t i n u a . n o . p r ó x i m o . R O C H A )S( . 

 

Para ver essa, outras ilustrações, foto-montagens, colagens, e conhecer o trabalho da Adriana Lisboa: Tumblr: http://adrianalisboapictures.tumblr.com/ || Instagram: https://instagram.com/adrianasalisboa || Pinterest: https://www.pinterest.com/adrianalisboa71/

 

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