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Donovan Scott – Veterano ator de Hollywood fala sobre carreira, sucessos e vida pessoal

Na década de oitenta, o ator norte-americano Donovan Scott participou de vários filmes de sucesso. A comédia sempre esteve presente na carreira do artista, que emprestou seu talento para diversas produções conhecidas como Loucademia de Polícia, Sheena, Popeye, De Volta para o Futuro III e outros longas. A estreia nos cinemas aconteceu em 1979, em 1941 – Uma Guerra Muito Louca, sob a direção do aclamado diretor Steven Spielberg, que contava no elenco com nomes como John Belushi and Dan Aykroyd.

Ao longo de sua extensa carreira, Donovan Scott já atuou com várias personalidades conhecidas como: Kurt Russel, Pierce Brosnan, Anthony Perkins, Robin Willians, Shelley Duvall, Juliette Lewis, Michael J. Fox, Lucille Ball e vários outros famosos. Mas ele não ficou apenas nas telonas, sua comicidade foi até para os videoclipes, quando protagonizou ao lado da cantora e atriz Olivia Newton John, o clipe da música Physical. Em entrevista, o ator falou sobre sua carreira, vida pessoal e outros assuntos interessantes.

Você tem uma longa carreira no cinema, inclusive trabalhando com grandes diretores como Steven Spielberg e Robert Altman, como foi a experiência de trabalhar com ambos quando ainda estava começando?

Spielberg foi meu primeiro grande diretor, e eu já era um grande fã dele, então foi um sonho realizado. Ficava no set o máximo possível, para aprender o máximo que pudesse. Sempre fiz isso em todos os filmes que atuei, para poder aprender sobre esse mercado da indústria cinematográfica. Meu terceiro filme, depois de Incredible Shrinking Woman (A Incrível Mulher que Encolheu), foi Popeye (1980) com outro diretor dos sonhos: Robert Altman. 

Steven era um diretor técnico, Altman era completamente o oposto. Ele era o que eu chamo de diretor de atores. Ele não estava interessado na parte técnica, mas passava todo o seu tempo trabalhando e brincando com os atores. Ele era um colaborador, e eu estava pronto para isso, coreografando minhas cenas de luta com Altman dizendo “sim” ou “não” para as diferentes ideias que eu tinha. Foi divertido aprender com dois dos melhores diretores. Eu me tornei um ator melhor, muito mais confiante no meu trabalho e sobre quem eu era nesse meio artístico maluco (risos).

Você fez três filmes que são muito populares no Brasil: Sheena (1984), Loucademia de Polícia (1984) e De Volta para o Futuro III (1990), poderia nos contar sobre elas?

 Todos os três eram totalmente diferentes, Sheena foi um sonho de infância realizado, poder estar em uma verdadeira aventura na África, atuando com animais, e viajando para o Quênia. Eu sempre estava fazendo safáris fotográficos nos dias em que não estava filmando. Por causa dos atrasos provocados pela chuva e muitos outros motivos, eu fiquei na África (Quênia) por quase 6 meses, e todos os dias eram uma aventura.

Loucademia de Polícia (Police Academy) foi filmado em Toronto, no Canadá, com um elenco muito menor, a maioria atores engraçados e isso era dentro e fora do set, uma risada por minuto. Eram pessoas muito engraçadas com quem eu não tinha trabalhado antes, então eu me diverti muito nas filmagens. Eu levei a minha câmera de vídeo e o elenco espontaneamente se apresentava, e fiz um lindo “making of” de 2 horas do filme, que apenas o elenco e a equipe viram. Espero um dia fazer cópias disso, é realmente algo incrível de se ver. Foi muito divertido fazer o filme, as piadas e trabalhar com o diretor Hugh Wilson, que era um sujeito muito engraçado.

A propósito, li que você adorou fazer o filme Sheena, porque sempre quis visitar a África. Mas é verdade que o diretor estava sempre de mau-humor e muitas vezes o clima era tenso por causa disso?

Foi um sonho de infância conforme mencionei antes, e todas as minhas expectativas triplicaram quando cheguei lá. Trabalhar com John Guillermin foi um verdadeiro prazer. Ele tinha que ser um general para fazer tudo, era uma filmagem muito difícil. Eu gostava dele e o achava um ótimo diretor, ele tinha que ser duro com algumas pessoas para fazer o seu trabalho. Eu o achei justo, um homem que sabia como fazer aquilo, movendo centenas de pessoas de uma locação para outra. Tornei-me amigo dos treinadores de animais e me diverti muito brincando com elefantes, leões e chimpanzés, e olhar para Tanya Roberts (1955-2021) não era nada ruim quando as coisas ficavam difíceis. Como o meu personagem não estava em todas as cenas do filme, eu tive muito tempo livre, isso me permitiu fazer muitos safáris, incluindo um de balão. Fotografei centenas de animais e fiz horas de vídeo, tanto dos safaris quanto dos bastidores do filme. Espero ainda disponibilizar um vídeo sobre essa experiência.

Seu personagem em Loucademia de Polícia era muito engraçado, por que você não fez as sequências do filme?

Eu estava na África rodando Sheena quando eles estavam escalando o elenco de Loucademia de Polícia II, e eu não gostei do que havia sido proposto para o meu personagem, o roteiro não era tão engraçado e Hugh Wilson não iria dirigir o projeto, então eu preferi fazer Zorro the Gay Blade com George Hamilton, que foi demais.

E quanto a Popeye? É mais difícil criar um personagem quando ele já existe?

Ninguém realmente sabia quem era Castor Oyle, ele não era o mais familiar dos personagens do Popeye. Então, Altman me permitiu adaptar o personagem de acordo com os meus talentos, o que foi ótimo para mim, e eu inventei muitas piadas, assim como a maioria do elenco.

Você já contabiliza 39 filmes e séries, quais são seus trabalhos favoritos?

Savannah Smiles foi meu primeiro papel principal, e o personagem que interpretei foi uma adaptação muito pessoal minha, então foi muito divertido e trabalhoso também. Popeye por trabalhar com Altman, além de ter feito novos amigos, incluindo Robin Williams, com quem trabalhei em outros três projetos, Shelly Duvall e o Pickle Family Circus.

Nos últimos anos, você tem feito muitos personagens como Papai Noel em séries de TV, por quê?

Bem, eu estou mais velho, com uma barba branca, uma barriga grande, um sonoro “Ho Ho”, uma disposição maravilhosa, e as pessoas não podiam esperar para que eu fizesse o papel. Foi uma transição natural para mim. E o dinheiro era bom.

Você já esteve em vários países a trabalho (Quênia, Malta, Rússia, etc) já esteve no Brasil antes? O que você sabe sobre o país, com seus filmes sendo tão populares aqui?

Não, eu sempre quis visitar, pelo que vi vocês são um povo lindo tanto na aparência e no coração. Eu não sei muito sobre o Brasil, mas por meus filmes serem populares aí eu sei que vocês são um povo sábio, com muito bom gosto para filmes e atores (risos).

Como você analisa os filmes de Hollywood hoje? Você acredita que houve muitas mudanças em relação aos filmes da década de 1980?

Nós trabalhávamos muito nos anos oitenta para fazer a fantasia parecer boa, mas não tínhamos CGI, os personagens eram escritos para serem mais profundos e mais fluidos. Agora você pode criar além da minha imaginação. Há menos filmes baseados em personagens, tornou-se uma forma de arte mais visual, mas as histórias ainda são a parte mais importante de um filme, na minha opinião, agora qualquer coisa é possível.

Você é bastante ativo nas redes sociais, acho que muita gente ficou surpresa quando descobriu que você é gay e que possui um relacionamento longo com o seu companheiro. Você acha que é mais difícil trabalhar na indústria cinematográfica quando você é abertamente gay?

Sim, infelizmente, isso não mudou muito, mesmo nos Estados Unidos, mas sempre há exceções.

Você está casado há mais de 40 anos. Qual a fórmula para uma relação longeva?

Compromisso, respeito pelos objetivos que as outras pessoas têm na vida, apoio incondicional, crescer juntos e compartilhar tudo.

Quais são seus projetos para este ano?

Meu principal projeto é estar saudável e feliz. Adoro trabalhar, mas quanto mais velho fico, menos trabalho surge. Estou disposto a ir a qualquer lugar e tentar qualquer coisa. Ser jovem de coração é a chave para a minha felicidade.

Texto escrito por: André Aram (andre.riocarioca@gmail.com)

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