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Primeira noite de exibição do Cine PE foi marcada pelo debate sobre resistência cultural e política

Em 1997, uma desistência de última hora por parte de uma sala de exibição pôs em risco a execução de um evento que, anos mais tarde, se tornaria um dos maiores festivais de cinema do Brasil. Na época, o casal de economistas e cinéfilos Alfredo e Sandra Bertini, idealizadores do Cine PE, não entregou os pontos: decididos a levar seu festival ao público a todo custo, transformaram o Teatro Guararapes, em Olinda, em uma das maiores salas de projeção do país.

Recontada pela apresentadora Nínive Caldas na abertura da 25ª edição do Cine PE, na noite desta terça-feira (23), essa é apenas uma das histórias de persistência dos realizadores do festival. O resultado são mais de mil filmes exibidos ao longo de duas décadas e meia, tornando o Cine PE uma importante vitrine da produção audiovisual brasileira.

Neste ano, o discurso de abertura e a programação do Festival dialogaram sobre a importância de ocupar espaços. Com o documentário “Muribeca”, de Alcione Ferreira e Camilo Soares, sendo exibido no telão de um dos mais importantes cinemas de rua do Recife, o Teatro do Parque, o Cine PE trouxe ao público o debate sobre a importância do afeto e de manter-se presente e resistente.

“Precisamos falar sobre os processos políticos dentro das periferias, o quanto elas são negligenciadas, e o quanto esses processos acontecem de forma brutal e rápida, sem que as pessoas sequer fiquem sabendo. Ver um filme como ‘Muribeca’ atingir um festival como esse faz com que a gente demarque ali um lugar político”, disse Alcione Ferreira, uma das diretoras de “Muribeca”.

Firme em sua realização, pela primeira vez o festival dividiu suas mostras em turnos, sendo os curtas-metragens pernambucanos e nacionais exibidos durante a tarde e os longas durante a noite. Em seu dia de estreia, o festival exibiu os curtas “Entremarés”, “Terceiro Andar”, “Vizinhança”, “À Beira do Gatilho”, “Angustura”, “A Conta-Gotas”, “Retina”, “Nada de Bom Acontece Depois dos 30”, “O Resto” e “Aurora – A Rua Que Queria Ser Rio”. O fim da noite ficou a cargo do longa-metragem de ficção “Receba!”, de Pedro Perazzo e Rodrigo Luna.

Diretor da narrativa policial baiana “Receba!”, Pedro Perazzo comentou sobre a alegria de estar novamente em contato com o público, apresentando seu filme pela primeira vez no Recife. “É uma emoção boa estar de volta a uma sala de cinema com plateia. Essa é a primeira vez, desde o início da pandemia, que eu entro em uma sala de projeção.”

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