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Fechamento da Cinemateca evidencia modus operandi de destruição da cultura

Sala da Cinemateca Brasileira - Foto: Flickr (secretaria da cultura)

Embora não surpreenda ninguém uma ação contrária à cultura do governo bolsonaro, é triste e revoltante ver o que está acontecendo com a Cinemateca Brasileira.

Ontem, 13 de agosto de 2020, a Cinemateca Brasileira sofreu seu mais duro golpe após meses vivendo a maior crise de sua história. Seus funcionários foram demitidos pela instituição que cuidava do local, a Associação Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). Ao fim do dia, o site havia saído do ar. Na última sexta-feira (7), foram entregues as chaves da instituição para a secretaria de cultura do governo federal, agora sob comando de Mário Frias. Com isso, a Acerp deixa de ser a responsável pela Cinemateca.

O imbróglio entre a Acerp e o governo federal vem após meses sem o recebimento de um valor estimado em R$ 14 milhões que a organização alega precisar para arcar com diversos custos, incluindo o salário de funcionários. O governo se recusou a pagar, optando pelo cancelamento do contrato. No dia da entrega das chaves, os responsáveis pela instituição tentaram firmar um acordo que garantisse o emprego aos 41 funcionários especializados, mas isso não foi possível.

Os detalhes da crise podem ser acompanhados nesta matéria do portal G1.

Como destruir a Cultura de um país

O que ocorreu com Cinemateca Brasileira é perigosíssimo. Apesar de a secretaria de cultura ter alegado que manteria o acervo da instituição e teria bombeiros e seguranças no local, o fato é que o risco de incêndio nas fitas e rolos – com gravações de filmes fundamentais para a história do cinema nacional – é muito alto.

Além disso, a maneira como tudo vem acontecendo evidencia como o atual governo lida com a cultura: dificultando processos, impedindo continuidades e assim deixando que ela seja destruída. Governos (proto)fascistas não gostam de cultura e não valorizam a história do próprio povo, exceto a construção daquele passado mítico que os ajuda a proliferar os ideais ultrapassados.

O que está acontecendo com a Cinemateca Brasileira combina com a proposta de Paulo Guedes de taxar os livros. Em outros tempos, governantes assim não hesitariam em queimar livros, destruir acervos inteiros de filmes e fechar museus. Como hoje em dia isso seria demais, eles se contentam em permitir que as coisas se desfaçam naturalmente, como em uma espécie de “eugenia cultural”: dificultam financiamentos, impedem continuidades e paralisam processos (como vem acontecendo na Ancine).

Assim, a cultura vai definhando. Se ninguém lutar, a memória cultural vai se apagando, os filmes vão se apequenando, e os livros vão se elitizando (ainda mais).

O que podemos fazer, concretamente, para ajudar a Cinemateca? Infelizmente, nada a princípio. Mas podemos somar forças na luta contra o desgoverno fascista que se instaurou e quer corroer o Brasil verdadeiro para erguer sobre suas ruínas um projeto de país que desumaniza pessoas, exclui diferentes e destitui de seu povo a produção cultural que lhes é de direito.

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