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7 motivos para assistir Boca a Boca

Boca a Boca - série da Netflix criada por Esmir Filho - cena de beijo de três pessoas

Confesso que estou um pouco decepcionado com o fato de a série Boca a Boca, da Netflix, não ter se tornado um desses fenômenos de audiência, como já ocorreu com o sucesso de 3% e o bafafá da primeira temporada de O Mecanismo.

Depois de assistir à série criada por Esmir Filho, me dei conta de que ela tinha tudo o que é necessário para um sucesso “netflíxico” (já pode criar esse neologismo?). Jovens em idade escolar, tramas que confrontam o conservadorismo, mistérios, e a temática premonitória envolvendo um surto viral. Além disso, a série é plasticamente linda (trocadilho intencional) e, tanto do ponto de vista estético quanto dramático, carrega originalidade e personalidade própria, diferente de muitas produções insossas que parecem ter sido feitas por algoritmos.

Na série Boca a Boca (que pode vir a ter mais temporadas), acompanhamos o jovem Chico (Michel Joelsas), que acabou de chegar à cidade de Progresso para viver com seu pai e seu irmão, e convive com os amigos Fran (Iza Moreira) e Alex (Caio Horowicz) na escola da cidade. Após uma festa clandestina, diversos alunos ficam contaminados por uma doença transmitida pelo beijo, o que gera pânico no local e escancara os diversos problemas estruturais daquela sociedade.

Se isso não for o suficiente para assistir à série, confira uma lista de outros 7 motivos para assistir Boca a Boca:

1- Elenco de alto nível

Muitos dos atores de Boca a Boca são jovens e pouco conhecidos, mas junto com eles estão Michel Joelsas (Que Horas Ela Volta?, O Ano em que meus pais saíram de férias) mandando muito bem, assim como Kevin Vecchiato (Turma da Mônica: Laços) comprovando seu talento. Thomás Aquino repete o vigor que vimos em Bacurau, Denise Fraga dá profundidade à figura de diretora de escola, e Grace Passô continua com aquele poder visceral capaz de impactar o público que vimos em Temporada, No Coração do Mundo e Vaga Carne.

2- Neon, cores e imagens de cair o queixo

O visual de Boca a Boca é de qualidade ímpar. O uso de cores no cenário e no figurino traz um ar quase atemporal à história, evocando uma sensualidade subjacente que raramente é tão bem equilibrada. As cores utilizadas nas festas, o excesso de neon em diversos momentos e a valorização da luz do sol em ambientes rurais são algumas das escolhas que tornam tudo mais tecnológico e ao mesmo tempo acolhedor quando necessário, além de combinar com a imagem do plástico, algo muito presente na trama. Aqui vale ressaltar a qualidade do diretor de fotografia Azul Serra, que também consegue iluminar o rosto dos atores com rara precisão, com destaque à pele negra.

3- Beijos, línguas e pegação

Com classificação 18 anos, Boca a Boca não tem receio de mostrar nudez e sensualidade. Bocas se tocam o tempo todo, o que é esperado devido ao título da série. Mas também tem cenas em que a câmera vai além da parte do corpo utilizada para falar, e há um desejo latente em diversos personagens, o que evoca uma sensualidade refinada em toda a série. Se você gostar de plástico (tem quem goste), vai se deleitar.

4- Crítica social foda

Boca a Boca é sobre estrutura de poder e trata de diversos temas. Tem a relação entre casa grande e senzala (não literalmente, mas praticamente), personagens ricos lidando com seus privilégios, críticas à agropecuária, homofobia, e o conservadorismo tentando controlar corpos indomáveis. Progresso é uma cidade que funciona como microcosmo do Brasil, a começar por seu nome.

5- Final justo na medida certa

O final da primeira temporada é certeiro. Resolve os conflitos apresentados no começo, permite redenção a alguns personagens e explica os mistérios que nortearam a narrativa. Mesmo assim, há espaço para continuação e pontos em aberto que podem ganhar desdobramentos em temporadas futuras.

6- Diretores excelentes

Esmir Filho, criador da série, está em ótima forma na sua condução dos primeiros episódios (ouça nosso podcast com ele!). O diretor de “Alguma Coisa Assim” e “Os Famosos e os Duendes da Morte” coloca em prática todo o seu projeto como criador, e ainda repete na série alguns de seus temas favoritos, incluindo conversas em chats no meio da noite e romances impedidos pelas regras da sociedade. Nos capítulos finais, quando a história ganha tons de terror, é Juliana Rojas que dá o tom. A codiretora de “Trabalhar Cansa” e “As Boas Maneiras” sabe trabalhar elementos obscuros.

7- Modernidade e rusticidade

Boca a Boca tem celulares, stories, mensagens de texto e aplicativos de relacionamento. Mas também tem fazenda, clima de interior e ruas de paralelepípedo. É uma ótima mistura de modernidade com casas coloniais e um clima rústico, o que combina perfeitamente com o objetivo da série de isolar os personagens para explorar o máximo de suas relações sem tantas influências externas.

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