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Palavras sobre “Café com Canela”

Personagem de Aline Brunne andando de bicicleta - Cena do filme Café com Canela

A invasão de sentimentos do filme “Café com Canela” é algo difícil de transformar em palavras. Filme que começa intercalando cenas e momentos, não demora a acompanhar os personagens principais em um período anterior.

Fazia tempo que eu não via algo tão singelo. O dia a dia na cidade, a rotina cadenciada. A vida. A morte.

Café com Canela é desses filmes que tem cheiro. Não só de café ou de canela. Mas também de casinha, de cigarro, de churrasco. De vida acontecendo.

Todos os personagens têm a mesma sina. No tempo certo, vamos acompanhando cada ser humano e suas vidas. Gente lidando com a dor da perda. Mulher forte aguentando cada porrada que a vida dá. Homens sensíveis e dedicados aos afetos, em uma representação rara.

É filme brasileiro em sua essência. Tem a realidade da cidade pequena, de quem batalha mas também sabe que a vida é uma só. Tem a simplicidade de quem sabe que nem tudo precisa ser imenso: o que cabe no peito pode ser suficiente.

Não tem como ver Café com Canela e não sentir vontade de viver a vida naquele lugar, de ser amigo daquelas pessoas. Não tem como não querer abraçar cada um e celebrar a simples existência do sorriso. Não tem como não chorar ao perceber que todos nós nos machucamos e nos curamos. Cada um de nós é forte mesmo que dilacerado por dentro.

Não sei se o filme de Glenda Nicácio e Ary Rosa é do tipo de precisa de uma crítica. Não há dedos a serem apontados ou detalhes a serem analisados. Há somente sentimento puro transbordando na tela.

Quando Margarida fala sobre ir ao cinema, parece que ela descreve cada um de nós na sala escura. Justifica o próprio filme, cria uma relação íntima com o espectador, e nos faz absorver ainda mais a intrínseca relação entre ficção e realidade, personagens e pessoas reais. Porque se apaixonar por aquelas representações na tela é como nutrir o amor a pessoas de carne e osso.

E quando saímos da poltrona após assistir “Café com Canela”, nós somos diferentes daquela pessoa que se sentou no mesmo lugar apenas 100 minutos antes.

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