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Crítica: Resgate (Netflix)

Resgate - Netflix - cena com Chris Hemsworth e Rudhraksh Jaiswal

Resgate é um filme de ação que empolga pelas cenas e apenas funciona no resto.

Ficha técnica:
Direção: Sam Hargrave
Roteiro: Joe Russo, Anthony Russo
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 24 de abril de 2020 (lançamento internacional em streaming)
Sinopse: O mercenário Tyler Rake acaba embarcando em um resgate perigoso: recuperar o filho de um grande criminoso indiano, que foi levado por traficantes do país vizinho, Bangladesh.

Elenco: Chris Hemsworth, Rudhraksh Jaiswal, Randeep Hooda, Golshifteh Farahani, David Harbour.

Nos primeiros minutos de “Resgate”, já damos de cara com elementos típicos de filmes de ação. Vemos um protagonista Tyler transtornado por um passado e realizando feitos ousados, além de a primeira cena nos jogar direto para uma cena de ação dos momentos finais – em uma espécie de “in media res” muito rápida – apenas para compreendermos até que ponto o filme vai chegar.

Depois, a seu tempo, a produção da Netflix com Chris Hemworth passará por alguns personagens importantes e guiará o espectador junto com o protagonista para que possamos acompanhar suas habilidades extraordinárias em vencer os mais numerosos grupos de inimigos, desde traficantes a policiais de elite. O vilão é extremamente mau e poderoso, como a narrativa faz questão de explicitar ao mostra-lo jogando crianças do alto do prédio e controlando o coronel do exército local. Além disso, é claro, teremos muito sangue e “porradaria”.

Isso não significa que “Resgate” seja um filme totalmente esquecível. O que faz com que o longa seja digno de aplausos é sua montagem e sua maneira de filmar as inúmeras cenas de ação. Seja pela escolha da câmera em girar para nos dar a noção de tudo o que acontece ao redor de um carro em fuga, seja pelos inúmeros planos-sequências repletos de “vai-e-vem” que simulam cenas de videogame, o longa se torna eficiente em gerar tensão. É claro: muitas das cenas foram bastante caras para se filmar, e p nome dos irmãos Russo na produção apenas aumenta esse tipo de desconfiança.

Desta forma, mesmo que o filme repita de forma bastante semelhante aquilo que Doug Liman fez em A Identidade Bourne, o fato é que “Resgate” entretém bastante, a despeito de alguns elementos comumente superficiais nos filmes de ação: as memórias vagas e óbvias de uma criança na praia para mostrar a tristeza da perda do filho (pouco explorada), o uso de uma metáfora fácil para conectar os personagens e relacionar suas vidas, além da invencibilidade típica do protagonista – evidenciada por uma sugestão de final que implora para o espectador abstrair.

O diretor Sam Hargrave fez sua carreira como dublê e coordenador de dublês em inúmeros filmes, incluindo os da Marvel dirigidos pelos irmãos Russo. Isso explica o foco da produção nas cenas de tirar o fôlego. Há méritos nisso, assim como há no elenco diverso, com atores indianos e de outras nacionalidades.

Graças a esse equilíbrio entre o simplesmente trivial e os elementos empolgantes, “Resgate” consegue passar de ano.

  • Nota
3
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