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O Auto da Compadecida: uma obra atemporal

Em tempos de quarentena nada melhor do que aproveitar o tempo livre para colocar em dia aquela lista de filmes e séries que estava parada, seja de lançamentos ou até mesmo para rever aquela produção que você tanto ama. Por isso, escolhi falar de um dos maiores clássicos do cinema nacional: O Auto da Compadecida. 

O longa é uma adaptação da obra de mesmo nome publicada em 1955 por Ariano Suassuna, um dos maiores autores brasileiros. Contudo o que muita gente não sabe é que o Auto da Compadecida inicialmente foi produzido pela Rede Globo como uma minissérie, e transmitida na televisão no ano de 1998.

Devido ao grande sucesso o diretor Guel Arraes e a Globo Filmes decidiram preparar uma versão para o cinema. O longa se tornou o primeiro a ser produzido 100% pela Globo Filmes. Lançado em 2000, a adaptação levou mais de 2 milhões de pessoas às salas de cinema. 

No ano seguinte o Auto da Compadecida venceu quatro categorias no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, Melhor Diretor (Guel Arraes), Melhor Ator (Matheus Nachtergaele), Melhor Roteiro e Melhor Lançamento. Além de receber a indicação de Melhor Filme. 

O fato é que, você não precisa ser católico ou cristão para admirar essa obra que traz a essência do povo brasileiro, com seu jeito alegre de levar a vida, mesmo diante dos sofrimentos da vida. E claro, Ariano Suassuna consegue transmitir o jeitinho brasileiro de resolver as coisas. O Auto da Compadecida consegue reunir elementos da cultura brasileira com a religiosidade do povo de forma eficiente. 

Aposto que nesses vinte anos desde o lançamento do filme você já viu a adaptação uma dezena de vezes, e mesmo assim as tramoias de João Grilo e Chicó, interpretados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello, conseguem lhe arrancar risadas. É importante ressaltar que a atuação dos dois atores e a notável sincronia são fundamentais para dar o tom do filme e tornar a obra memorável. 

Vale a pena aproveitar a quarentena para rever a obra. Se você não não teve a oportunidade de ver a minissérie que conta com 100 minutos a mais em relação ao filme, basta acessar a plataforma da GloboPlay, que disponibiliza um mês de assinatura gratuita. 

Curiosidades: 

1 – O Auto da Compadecida foi filmado no interior da Paraíba, na cidade de Cabeceiras, próxima a Taperoá.

2 – O figurino do ator Marco Nanini, que interpretou o cangaceiro Severino, pesava cerca de 8kg, e ele ainda teve que usar um olho de vidro, látex em seu rosto e uma peruca. 

3 – Ariano Suassuna afirmou que as atuações de Fernanda Montenegro, como Compadecida, e Matheus Nachtergaele, como João Grilo, são impecáveis. De acordo com o autor, Matheus consegue passar toda a esperteza do personagem, que luta contra o patriarcado rural, a burguesia, os cangaceiros e até contra o diabo. 

4 – Ariano Suassuna era um católico fervoroso, o que garantiu que a obra misturasse o humor e elementos do sagrado na medida certa, sem desrespeitar a fé. 

5 – Suassuna desconstrói a figura do Cristo branco de olhos claros e traz um Jesus negro. 

6 – Tanto a obra literária quanto o filme consegue mostrar que todos os seres humanos são passíveis de erros, possuem defeitos e pecados, porém todos tem um lado bom, e que muitas vezes a vida que os obriga a trilhar outros caminhos.

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