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Crítica: Vingadores: Ultimato

Vingadores: Ultimato - cena trailer do capacete do Homem de Ferro

Vingadores: Ultimato é um ótimo fim para a grandiosa franquia da Marvel.

Ficha técnica

Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Roteiro: Christopher Markus, Stephen McFeely
Elenco: Scarlett Johansson, Robert Downey Jr, Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Jeremy Renner, Don Chadle, Paul Rudd, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Zoe Saldana, Chris Pratt, Tilda Swinton, Chadwick Boseman, Josh Brolin.
Nacionalidade e Lançamento: EUA, 2019 (25 de abril de 2019 no Brasil) 
Sinopse: Depois de perderem a batalha para Thanos e assistirem o Universo ficar com metade da população que tinha antes, os super-heróis que restaram descobrem que possuem uma última chance de desfazer os feitos do vilão.

*ESTE TEXTO PODE CONTER LEVES SPOILERS DO FILME

Quando eu escrevi em 2012 a crítica do filme “Os Vingadores” e dei nota máxima à produção, empolgado pelo que via, eu era muito mais ingênuo. Ingenuidade esta que se foi tal qual a da própria franquia, que chega a esse “Vingadores: Ultimato” com acertos maiores que dos filmes anteriores.

Hoje, passados muitos anos e ainda mais filmes da Marvel, finalmente vemos um capítulo final da saga que, mesmo diante da possibilidade de desdobramentos futuros, ainda assim termina uma história sem promessas de adiamento da satisfação. Aliás, a apoteose da batalha final que assistimos em “Vingadores: Ultimato” é quase como um orgasmo final após anos de promessa.

A estrutura deste filme de 3 horas me lembrou um pouco a dos dois últimos filmes da saga Harry Potter, mas condensado em uma única sessão: um início lento e que oferece tempo a todos os principais personagens, para que tenhamos acesso aos seus sentimentos; um clímax poderoso e um epílogo com tempo suficiente para fechar diversos arcos (e exigir mais das nossas bexigas!).

“Vingadores: Ultimato” cai no mesmo problema de todos os filmes com viagem no tempo: cria diversas dúvidas na cabeça do espectador devido à complexidade que o conceito exige, mas também se sai bem ao utilizar uma explicação que cabe ao universo criado, o que não demanda muito esforço por parte do espectador na suspensão da descrença. As reviravoltas são ousadas, mas combinam com o duplo papel que o filme tem: de fechar um ciclo de forma inovadora (as relações de causa e consequência sempre foram mais simples nos filmes anteriores do estúdio), e ao mesmo tempo revisitar momentos importantes da saga, em um processo bastante semelhante ao que Zemeckis fez em “De Volta pra o Futuro II” – só que aqui é muito mais grandioso.

Momentos dramáticos convincentes permitem que possamos compreender as motivações de muitos dos personagens. O “aposentado” Gavião Arqueiro volta à ativa com a raiva de quem perdeu tudo, Viúva Negra se sente presa a um grupo que passou a simbolizar sua família, e Thor passa por um período difícil que vai fazer com que muita gente se reconheça nele. É uma pena que haja pouco tempo para a Capitã Marvel (bem menos útil do que se imaginava) e uma explicação tão pouco explorada para a nova situação do Hulk.

Uma decisão acertada do roteiro é tomar o arco do Homem de Ferro como o principal da trama, permitindo que nos aprofundemos ainda mais no novo personagem, que vinha mudando de comportamento gradualmente ao longo dos filmes da franquia. Além de explorar sua riqueza psicológica, o filme permite que o público solidifique sua empatia por ele, algo fundamental para gerar os efeitos necessários com os acontecimentos do fim. E o vilão Thanos também tem uma escolha que faz todo o sentido para aquilo que o personagem acredita, o que o mantém como o segundo melhor vilão da Marvel (Killmonger continua em primeiro).

De resto, o longa dos irmãos Russo é tecnicamente impecável nos efeitos visuais e no som, além de manter a tradicional trilha sonora insípida. Os chamados “fan services” inundam a tela, mas sempre com contexto. “Vingadores: Ultimato” é um fim (que não é fim) digno para a franquia da Marvel. Traz novidades ao mesmo tempo em que mantém a estética e o bom humor em alguns momentos. Mesmo assim, continua fazendo promessas de prazeres futuros, provando que é um verdadeiro fruto do tempo em que vivemos, apenas mais maduro do que antes.

  • Nota
4
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