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Crítica: Revenger (2019) – Original Netflix

Revenger

O longa sul-coreano Revenger tem um foco claro: pancadaria. A história é secundária e poderia ser qualquer outra coisa, o objetivo aqui é vermos chutes, socos e outros malabarismos vários. Contudo há diversos problemas dentro e fora deste escopo.

A abertura, a partir de uma narração nos contextualiza naquele universo. E tal qual o recente IO, também da Netflix, o começo denota uma preguiça ao falar e não mostrar. Para piorar, o que é dito vai atrapalhar o andamento do filme, pois já que Revenger quis dar aquele direcionamento é impossível não apontar as contradições e furos das regras impostas.

O longa se passa em uma ilha onde são mandados criminosos perigosos para ficarem isolados. Logo vemos uma mãe e uma filha mais aleatórias que os rolês do Ronaldinho Gaúcho. Não tarda para termos uma divisão entre os bons e os malvados. E a premissa de criminosos é praticamente abandonada. Se o filme se passasse em uma ilha qualquer esse problema não existiria e a sugestão não é querer julgar o filme pelo que ele não é, já que como falei nem ele mesmo embarca no que foi proposto.

E como acréscimo, o nosso protagonista, interpretado por Bruce Khan, brota do nada. Ele tem um objetivo: falar pouco, quer dizer, vingar-se de um homem. O taciturno personagem é daqueles capazes de acabar com um exército sozinho. Não importa quanto sejam ou que tipo de armas portem, nosso implacável herói irá tombar um por um (algo típico da galhofa de filme do gênero e obviamente aqui não é um defeito).

Outra coisa bastante comum e reproduzida às pampas, em Revenger são os personagens secundários exagerados. Gritinhos, movimentações exacerbadas (tem hora que rola um Haka), caretas, além de serem incrivelmente mais fracos que o protagonista.

A história é uma nulidade, vamos do ponto A ou B em busca do chefão. Algo que funcionaria em um vídeo game dos anos 90. Mas será que a pancadaria compensa?

Infelizmente não. Apesar da fisicalidade e sangue explícito, tem horas que a câmera se movimenta mais que os personagens para dar uma sensação de dinâmica. Além disso, abusa-se muito do plano e contra plano e de uma ação muito repetitiva. A sensação de aumentar o nível de dificuldade conforme os desafios vão sendo vencidos era melhor elaborado nos vídeos-games supracitados… A luta final, por exemplo, é broxante e nada apoteótica.

E para dar uma uma profundidade dramática e criar uma rima, em Revenger temos uma criança no meio da ação. Na realidade o objetivo é quebrar o ritmo e servir como exposição do “complexo” roteiro. Mas por falar em complexo, há uma cena durante os créditos que confesso que não entendi, acho que faltou o menino lá explicando o rolou…

Confira a nossa crítica de outros originais Netflix lançados este ano:

O islandês 
Inspire, Expire , o nigeriano Lionheart   e os americanos A Última Gargalhada e IO

  • Nota Geral
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