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Crítica: Lionheart (2018) – Orginal Netflix

Lionheart é o primeiro original Netflix do ano – ele foi lançado no mesmo dia de Inspire e Expire. Curiosamente ambos são de países pouco difundidos no serviço (respectivamente Nigéria e Islândia). Então como forma de conhecer um pouco mais aqueles lugares, pessoas e culturas, a experiência pode ser interessante para alguns.

Outra ressalva inicial é que os dois também trazem mulheres fortes como protagonistas. Inspire e Expire uma dupla que sofreu por diversos motivos e tem a questão materna muito em voga. Já Lionheart traz Genevieve Nnaji (que inclusive dirige o filme) na pele de Adaeze que precisa assumir os negócios do pai e o faz com muita competência. Ou seja, o tema, feminismo, claro, tem valor.

Contudo, não estamos aqui para avaliar a importância social, apenas os aspectos estritos do cinema. E neles Lionheart é um desastre completo. Especialmente na direção dos atores, montagem e roteiro.

Na cena de discussão inicial repare na movimentação dos figurantes. Faltou um melhor zelo nesse sentido para organizar o posicionamento e expressões. Outro momento que fica patente esta falha é na reunião do conselho. Parece esquete do Zorra Total.

Usa-se um recurso temporal para dar um senso de urgência que é completamente tolo e corre com os dias de forma quase aleatória. Além de realçar que certas decisões dos personagens foram tomadas em tempo um tanto improvável (como o futuro de duas empresas).

O roteiro além de ser completamente previsível, lembrando um sessão da tarde pra lá de genérico, é recheado de facilitações e explicações redundantes. Mostra-se várias vezes os personagens homens assediando Adaeze, mas de modo repetitivo, tornado quase uma pida de mau gosto (e quando um não assedia isso basta para atrair a atenção dela, em um movimento ridículo). A solução final para o problema da empresa é dita umas 6 vezes, algo como: “temos que fazer isso, pois vai ser bom para ti e para a gente”.

Os personagens são rasos e pouco evoluem. A nossa protagonista começa e termina aguerrida, o tio é um bonachão meio sem noção do começo ao fim, o outro empresário é vilão de novela e sem margem para que torçamos por ele, o conselheiro é puxa-saco interesseiro e por aí vai…

Algumas cenas são muito vergonha alheia. Como a da prisão ou quando o tio escuta e intervem em uma conversa. Nos dois momentos a resolução é boba e inverossímil. Nesta segunda fica o gancho, também pra lá de antecipável, que vai resultar em uma coincidência à la comercial motivacional.

Reitero: para quem não conhece a cultura nigeriana, Lionheart traz um pouco dos caracteres locais nas roupas, ambientes e línguas. Mas é um pouco para ter um valor cinematográfico consistente.

  • Nota Geral
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