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Crítica: O Retorno de Mary Poppins

Disney acerta a mão na magia de O Retorno de Mary Poppins e resgata origens em filme nostálgico.

Ficha técnica:
Direção: Rob Marshall.
Elenco: Emily Blunt, Lin Manuel-Miranda, Ben Whishaw, Emily Mortimer, Julie Walters, Meryl Streep.
Nacionalidade e data de estreia: Estados Unidos, 20 de dezembro de 2018.
Sinopse: Em uma Londres abalada pela Grande Depressão, Mary Poppins (Emily Blunt) desce dos céus novamente com seu fiel amigo Jack (Lin-Manuel Miranda) para ajudar Michael (Ben Whishaw) e Jane Banks (Emily Mortimer), agora adultos trabalhadores, que sofreram uma perda pessoal. As crianças Annabel (Pixie Davies), Georgie (Joel Dawson) e John (Nathanael Saleh) vivem com os pais na mesma casa de 24 anos atrás e precisam da babá enigmática e o acendedor de lampiões otimista para trazer alegria e magia de volta para suas vidas.

Crianças às vezes precisam alcançar a maturidade muito rapidamente e esse é o caso dos irmãos Banks. Quando isso acontece, o mundo mágico e encantador acaba sendo a salvação ou o esconderijo perfeito. Quem passa por grandes traumas, grandes perdas e dificuldades na infância geralmente encontra em histórias como a de Mary Poppins a capacidade de estabelecer boas emoções para passar pelas angústias, e é exatamente isso que a babá mais encantadora faz na vida destas crianças.

O Retorno de Mary Poppins, dirigido por Rob Marshall (mesmo diretor de Chicago e Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas), assim como o primeiro filme (que foi estrelado por Julie Andrews) é baseado em uma coleção de oito livros infanto-juvenis publicados na década de 30 escritos por P. L. Travers. A adaptação para o cinema (com roteiro escrito por David Magee de As Aventuras de Pi e Em Busca da Terra do Nunca) transformou ambos os filmes em musicais que misturam a magia dos desenhos animados com a presença de atores, como feito também em longa-metragens aclamados do cinema. Ao exemplo disso temos Uma Cilada Para Roger Rabbit, Space Jam, Mundo Proibido e especificamente dos estúdios Disney podemos citar A Canção sul, Se Minha Cama Voasse e Você já foi a Bahia com Pato Donald, Zé Carioca, e que faz menção à nossa querida Carmem Miranda.

Voltando à história de o retorno de Mary Poppins, encontramos nele vários personagens que nos lembram do primeiro filme a exemplo de Jack, que hoje é um servidor da cidade que acende e apaga as lamparinas e que nos remete à equipe de limpadores de chaminé do outro filme. O sentimento de nostalgia que a trama irá empregar nos adultos não há palavras que expressem a não ser as lágrimas que correram de meu rosto (sim, tomei a liberdade de escrever uma parte deste texto em primeira pessoa para expressar as emoções que o filme gera no público mais velho).

Como disse acima, para quem não conhece a adaptação da literatura para as telonas, trata-se de um musical com cenas de sapateado e que mistura diversas cenas ou em CGI ou com as técnicas de desenho animado 2D (para fazer a referência ao primeiro filme, mas vou falar disso mais adiante). O Retorno de Mary Poppins já começa logo na primeira cena musicado e com planos de câmera da cidade vistos de cima para baixo se movimentando verticalmente para mostrar as lamparinas sendo apagadas dando o sinal de que está amanhecendo.

O segundo ato são os créditos  iniciais aparecendo entre pinturas e artes plásticas fazendo novamente uma menção ao primeiro filme e também à profissão do protagonista desta história, Michael Banks, pai das crianças (interpretado por Ben Whishaw) que abandona seu sonho de ser pintor para trabalhar como caixa de banco.

Mary Poppins tem a fama de aparecer para solucionar grandes problemas e essa família está caótica. Michael é o personagem da criança do primeiro filme que cresceu, casou-se, teve três filhos e recentemente perdeu a esposa, por isso acabou por fazer um empréstimo no banco e esta prestes a perder sua casa. Sua irmã, Jane Banks (interpretada por Emily Mortimer) está sempre próxima aos sobrinhos e quer auxiliar o irmão a solucionar o problema da hipoteca, porém ela é uma advogada que trabalha em um sindicato e que faz reivindicações para os trabalhadores locais, e ambos não têm dinheiro para pagar o empréstimo feito.

Nessa confusão em uma bela cena já mostrada no trailer emmeio a uma ventania, quando as crianças vão brincar no parque e um deles leva uma grande pipa, esta acaba com o vento forte levando- a, e quando as crianças vão tentar recuperá-la, surge Mary Poppins do céu como se estivesse ao invés de uma pipa, com uma asa-delta fazendo-a pousar levemente. Mary pede a Michael para ficar e cuidar das crianças, Michael que a reconhece não tem como recusar, pois precisa de ajuda. Hora do banho! E Mary mostra suas habilidades aos filhos de Michael que dizem que podem cuidar de si sozinhos e não precisam de babá, porém se encantam com o universo que ela traz. Nesse momento, na banheira,temos varias belas cenas de CGI que de tão realistas fazem com que nós espectadores também estejamos em meio a golfinhos e outras criaturas marinhas. As demais cenas com animação são realizadas em 2D para fazer a devida referencia com o filme anterior então estas são ilustradas com aparência de feitas a mão como antigamente.

Uma película repleta de mensagens para a criança absorver e se inspirar a criar um mundo melhor e conquistar seus sonhos. Uma cena construída na casa da prima de Mary traz uma divertida mensagem sobre olhar as coisas sob outro ponto de vista, olhar de um jeito diferente as situações que ocorrem com você, o que leva os Banks a refletirem sobre o que está acontecendo em sua casa e família. Uma maneira de ilustrar o quão difícil é lidar com o processo de maturidade antecipado. E a cena seguinte trata exatamente deste ponto de vista: enxergar a luz de seu caminho, e seguir a fagulha de seu coração, ensinando a criança a confiar mesmo quando sentir medo na vida, com Jack em meio à neblina. O que também traz uma bela cena de sapateado com os outros rapazes que acendem as lamparinas e que fazem uma referência às cenas das chaminés em Mary Poppins, e também a uma dança estilo musical da Broadway.

A pergunta que O Retorno de Mary Poppins deixa: como lidar com os diferentes tipos de perdas na vida? E ele mesmo traz a resposta, mostrando o caminho. O contraste de luz e sombra, a fotografia empregada mostram que o bem sempre vence (Há um vilão na história) mas a neblina nunca vai cobrir a luz de seu caminho, a luz de seu coração! E assim, mostra uma mensagem de esperança e de que há sempre uma solução! O perigo sempre vai existir, mas o medo deve ser substituído pela coragem e pela ousadia. Ser destemido é a chave para superar os problemas.

O longa-metragem termina com várias cenas que fazem referência ao primeiro filme. E isso tudo vai embalar e trazer de volta a magia do mundo Disney e o retorno dos adultos a sua criança interior, porque muitas vezes deixamos esse lado lúdico longe de nós. Por isso eu digo: Não deixe sua criança interior morrer e siga em frente com a certeza de que tudo dará certo no final! Essa é a maior mensagem dessa obra.

Talvez O Retorno de Mary Poppins tenha em alguns momentos um roteiro arrastado, talvez as crianças de hoje em dia não pensem como as de antigamente, mas de uma coisa eu sei: essa historia de 1934 foi retratada no cinema na década de 60. São trinta anos vivendo e ainda pulsando nos corações. Eu assisti há pelo menos uns 20 anos e ainda me recordo como se fosse ontem, o que me fez ter momentos de choros copiosos pelo saudosismo e nostalgia criados dentro de mim, então posso dizer que vale a pena levar suas crianças ao cinema e deixar a experiência levar sua imaginação ao mundo ilusório e surreal da babá que acalanta o coração infantil.

https://youtu.be/EtFjqWw3A6M
  • Nota
4

Summary

A pergunta que o filme deixa: como lidar com os diferentes tipos de perdas na vida? E ele mesmo traz a resposta, mostrando o caminho. O contraste de luz e sombra, a fotografia empregada mostram que o bem sempre vence (Há um vilão na história) mas a neblina nunca vai cobrir a luz de seu caminho, a luz de seu coração!

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