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Eu Cinéfilo #43: O que Os Vingadores têm a ver com a Era de Ouro de Hollywood?

Vingadores: artigo. Telas verdes, muitas telas verdes mesmo.

Telas verdes, muitas telas verdes mesmo.

*texto escrito por Keven Fongaro, licenciando em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense. Criador do projeto Narratologia (Instagram) e do canal no Youtube Espaço Fora da Tela.

 

O lançamento de Os Vingadores – The Avengers em 2012 impactou a produção e o consumo de material cinematográfico de tal maneira que ainda não somos capazes de identificar os limites das mudanças ocasionadas. Fato é que ao ultrapassar a marca do bilhão de dólares e se tornar uma das maiores bilheterias de todos os tempos, o filme apresentou à indústria o potencial escondido num gênero até então pouco explorado.

Nos anos seguintes, os filmes de super-heróis passaram a dominar o mercado de blockbusters, contando não só com sucesso de público e crítica, mas também com o interesse e o empenho de investidores e grandes nomes dos bastidores do Cinema. Com bilheterias cada vez maiores – em fato, a partir de 2012 sempre houve ao menos um filme de super-heróis no Top 4 de bilheteria mundial, sempre rondando a casa do bilhão de dólares -, observamos a crescente contratação das maiores estrelas de Hollywood, bem como a entrada de grandes diretores e roteiristas no gênero.

Para entender o que fez de Os Vingadores um filme a ser seguido como modelo por muitos outros que obtiveram igual sucesso – não só do gênero de super-heróis: as produções cinematográficas em geral sofreram influências significativas –, proponho observar as origens do chamado Cinema Clássico Americano e estabelecer as cabíveis relações, evidenciando, assim, a maneira com a qual a construção do blockbuster da Marvel encontra suas explicações nos primeiros passos de Hollywood. Para tanto, é necessário que tenhamos determinados conhecimentos:

 

1. Em relação ao Cinema Clássico Americano (uma breve visão geral)

Com o Cinema Europeu abalado pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918), os realizadores estadunidenses se deparam com uma situação favorável e começam a se desenvolver. Ao longo da década de vinte do século passado, houve a aparição de vários diretores e estúdios que se tornaram responsáveis por estabelecer um modelo de produção e consumo de Cinema que tornou-se absoluto até meado dos anos sessenta, apesar de ter deixado rastros dominantes também nas obras do século XXI.

Entre as principais características desse período que se convencionou chamar de Cinema Clássico Americano ou Era de Ouro de Hollywood, talvez a de maior impacto tenha sido o Star System – uma mudança na forma de produzir que passou a dar grande destaque aos atores, os tornando simpáticos ao público. A audiência passou a assistir certos filmes apenas pelo fato deles contarem com a presença de algumas estrelas hollywoodianas. Foi uma estratégia extremamente funcional adotada pelas produtoras em ascensão (FOX, M.G.M,. Paramount, Universal, e outras) que ocasionou um exponencial lucro em produções que, sem os astros para atraírem o público, não trariam retorno financeiro.

Assim, os investidores passaram a injetar cada vez mais dinheiro em grandes produções: grandes estrelas, grandes cenários, melhores profissionais de som e imagem disponíveis, maquiadores e equipamentos – enfim, esses altos investimentos resultaram num método de produção muito rígido, no qual os filmes produzidos seguiam instruções dos estúdios que cobriam desde aspectos técnicos até os enredos escritos. Em outras palavras, é possível dizer que nesse momento houve o aparecimento de características fordistas na indústria cinematográfica estadunidense – produção de filme em série.

Observa-se também que as narrativas fílmicas continham começo, meio e fim, contando a história de um personagem principal, geralmente homem (ou de um casal heterossexual), que era introduzido com determinada situação de vida estável no primeiro ato do filme, passando por conflitos no segundo ato e resolvendo-os e retornando à normalidade no terceiro.

Isso tudo havia de ser contado com coerência, de maneira clara e que não confundisse o espectador, buscando justamente alcançar a maior quantidade de público. Para isso, também surgiram técnicas e instruções, sendo algumas: filmes passaram a se dividir em gêneros narrativos com linguagem específica, a câmera se movimentava e expunha os acontecimentos de vários pontos de vista, regras de continuidade e utilização de flashbacks.

Além disso, vale destacar que após a Crise de 1929, o Cinema hollywoodiano teve participação fundamental como agente não só financeiro, mas também trabalhando a identidade moral da população, por isso os filmes desse período tendiam a enfatizar valores morais e o lado humano das personagens.

 

2. Em relação ao filme (um resumo dos principais pontos da trama para refrescar sua memória)

Os Vingadores inicia-se apresentando as instalações da agência de espionagem S.H.I.E.L.D. e o roubo de um item por ela guardado, o Tesseract, uma aparente fonte de energia com potencial desconhecido. Sabendo ser Loki o autor do crime e da iminente ameaça que a posse do Tesseract poderia causar à raça humana, o diretor Nick Furry decide por buscar a ajuda dos terráqueos mais poderosos catalogados pela S.H.I.E.L.D., sendo eles Tony Stark, Bruce Banner e Steve Rogers.

Ao observar esse breve resumo do primeiro ato do filme, onde somos introduzidos ao mundo no qual se passa a narrativa, quais são os personagens e suas motivações, presumimos que uma série de perguntas devem surgir à mente do espectador – “O que é o então chamado Tesseract? Quem é Loki? Quem é Tony Stark? O que é S.H.I.E.L.D.?” –, mas isso não acontece: eles já entraram na sala de cinema com algumas informações.

Tratando-se, na verdade, de uma sequência que estabelece relações entre outros filmes da produtora, a Marvel Studios. Os Vingadores constrói seu primeiro ato com a ajuda das obras que o precederam. O espectador já conhece Thor, o Tesseract e Loki de Thor (2011); Steve Rogers e a S.H.I.E.L.D. de Capitão América: O Primeiro Vingador (2011); Tony Stark, Phil Coulson e Natasha Romanoff de Homem de Ferro 2 (2010); Bruce Banner de O Incrível Hulk (2008), e assim por diante.

Com isso, logo nos primeiros minutos de filme somos reintroduzidos a um mundo em que as coisas estavam em ordem na última vez que o vimos. Após a mudança no status-quo causada por Loki, acompanhamos Natasha Romanoff (ou Viúva Negra) recrutando Bruce Banner (ou Hulk), Phil Coulson solicitando a ajuda de Tony Stark (ou Homem de Ferro), e o próprio Nick Furry encarregando-se de Steve Rogers (ou Capitão América).

Loki surge como vilão logo no primeiro ato do filme, trazendo à tona o conceito de universo cinematográfico.

 

Com os superpoderosos reunidos para recuperar o Tesseract, estes voam para a Alemanha para impedir Loki de roubar irídio, material necessário para estabilizar o artefato que havia sido roubado com fins de usá-lo para trazer criaturas alienígenas para atacar e dominar a Terra. Uma vez alcançado o objetivo, os heróis retornam para as instalações da S.H.I.E.L.D. escoltando Loki num avião que acaba interceptado pelo seu irmão, Thor, ocasionando assim uma batalha entre os vários heróis presentes.

Após brigarem, Thor, Steve Rogers, Tony Stark e Natasha Romanoff racionalizam e decidem reunir esforços para descobrir onde está o Tesseract e impedir o plano de Loki de se concretizar. Entretanto, um ataque dos aliados do vilão faz com que Bruce Banner fuja do controle e assuma a identidade de Hulk, ocasionando uma gigantesca confusão na sede da S.H.I.E.L.D. que culmina na separação dos heróis, morte de Phil Coulson e fuga de Loki.

Dirigindo-se à Torre Stark, Loki inicia a abertura do portal utilizando o Tesseract. Tony tenta impedi-lo, mas acaba sendo arremessado pelo vilão do alto do prédio e salvo por sua armadura superpoderosa antes de tocar o chão. Assim, o portal se abre e o planeta é invadido.

Diante da situação, a S.H.I.E.L.D. resolve adotar medidas emergenciais e utilizar-se do fato dos alienígenas estarem centrados num ponto, atacando-os com uma bomba em um míssil. Num ato final, Tony Stark segura o aparato e guia-o para a nave-mãe dos invasores no exato momento em que seus companheiros conseguem fechar o portal.

Com Loki deixando de ser uma ameaça, este segue sob os cuidados de Thor para sua terra natal, ao passo que o restante do planeta volta a se reencontrar com seu estado de paz e torna-se um protetorado dos heróis.

Uma vez evidenciados os principais pontos em relação ao filme Os Vingadores e ao denominado Cinema Clássico Americano, podemos, finalmente, estabelecer e analisar algumas das relações existentes entre os dois temas – na verdade, há relações de semelhança e há relações de diferença. São elas:

 

1. A participação do estúdio

Propondo-se a criar um universo cinematográfico, ou seja, um espaço em um mundo fictício que é explorado em diferentes filmes de maneira coesa e sem que haja contradição, a Marvel Studios teve que arranjar meios para fazer isso acontecer.

Geralmente a indústria cinematográfica mantém a coesão, em primeiro lugar, garantindo que filmes sequenciais sejam feitos pelos mesmos realizadores (diretores e roteiristas, principalmente) – mas essa prática não é adotada pela Marvel Studios, que investe em novos nomes sempre que expande seu universo fílmico. O catálogo de diretores em diferentes filmes conta com nomes como James Gunn, Taika Waititi, Jon Favreau, Peyton Reed, Irmãos Russo e Scott Derrickson. Para dar coesão a tantas visões, optaram por subordinar e limitar seus realizadores a uma mente criativa única, Kevin Feige.

O tal do Kevin Feige

 

Partem de Feige e seu núcleo instruções sobre como os filmes devem ser realizados. Assim, através de sua figura o estúdio é capaz de controlar e garantir uma série de características às obras, de modo que, mesmo em filmes escritos e dirigidos por artistas com concepções completamente diferentes, o espectador consegue observar a sequencialidade do universo cinematográfico existente entre um e outro.

Esse controle criativo exercido pelo estúdio é tão notável que ao longo das produções alguns profissionais acabaram abandonando os projetos, como aconteceu com Edward Norton em Os Vingadores. O ator que havia interpretado Hulk no filme anterior alegou incompatibilidades criativas e logo fui substituído por Mark Ruffalo, encarregado de interpretar o mesmo personagem de seu predecessor – sob controle de Kevin Feige, mesmo que Hulk em Os Vingadores tenha sido escrito, interpretado e dirigido por pessoas diferentes do Hulk em O Incrível Hulk (2008), o espectador compreende que se trata do mesmo personagem a despeito de sua aparência. Caso semelhante ao envolvimento do diretor Edgar Wright em Homem Formiga (2015), substituído no meio do processo por Peyton Reed.

Há dois elementos que se destacam em relação à participação e à interferência da Marvel Studios em Os Vingadores que se relacionam diretamente com as práticas dos grandes estúdios da Hollywood Clássica: quais acontecimentos marcam o roteiro e como esses acontecimentos são mostrados em tela.

No primeiro caso, a Marvel Studios permite que seus roteiristas definam os acontecimentos do enredo como bem entenderem, contanto que sigam certas instruções. Um filme precisa deixar pontas soltas para os próximos (elementos que virão a ser explorados futuramente), e, consequentemente, deve utilizar-se das pontas deixadas soltas nos filmes anteriores. Por exemplo, em Os Vingadores só vemos Loki tentar invadir a terra com ajuda de alienígenas porque em Thor (2011) o personagem havia sido exilado para um local onde conheceu seus futuros aliados e pôde arquitetar um plano, logo, quem quer que viesse a escrever o novo roteiro seria obrigado a definir os acontecimentos a partir daí.

Quando assistimos aos filmes da Era de Ouro de Hollywood (1920-1950), logo ao observarmos o logotipo da produtora nos créditos iniciais já somos capazes de saber o que virá. Utilizando-se dos mesmos meios da Marvel Studios nos dias de hoje, os pequenos e grandes estúdios contratavam profissionais e garantiam sua subordinação criativa desde a assinatura do contrato. Assim, os filmes da Universal caracterizaram-se pelo estilo de “Terror B”, bem como a Columbia focou-se na produção de comédias e a Warner Bros nos filmes de realismo social, por exemplo.

A Marvel Studios também garante que todos os seus filmes tenham um mesmo tom. Não há, por exemplo, uma comédia sendo sucedida por um terror – e isso se dá, além do já citado controle sob os acontecimentos da trama, também pela forma como esses acontecimentos são mostrados em tela. Ao censurar cenas de violência explícita e linhas de roteiro ofensivas, garantir aparição de alívios cômicos, obrigar a utilização de cores vivas, dentre outras práticas, Os Vingadores torna-se com os outros filmes do estúdio parte de um estilo caracterizado pelo fato de poder ser assistido por qualquer pessoa, de crianças à idosos – filmes divertidos, sem mensagens pessimistas, maus exemplos e com finais felizes. Experimentações recentes como Doutor Estranho (2016) e Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017), apesar de possuírem divergências com seus antecessores, não constituem nenhuma quebra em relação ao gênero.

Além do fato da produção de filmes com essa mesma tonalidade de Os Vingadores, como citado na introdução do texto, ter sido presente no momento de reconstrução moral pós Crise de 1929, fica entendido que isso não se deu, no caso clássico e no atual, necessariamente por vontade dos roteiristas e diretores, mas por imposição de quem financiava as produções.

 

2. Os cortes

É possível dizer que houve certo dualismo sobre o tema nos primeiros anos de Cinema, com os filmes contínuos dos Irmãos Lumière e os com cortes (para efeitos especiais, em maioria) de Georges Méliès. Com o desenvolvimento feito pelos cineastas britânicos da chamada Escola de Brighton no início do Século XX e a posterior afirmação do estadunidense D. W. Griffith, a Era de Ouro de Hollywood já se iniciou marcada pela utilização de cortes como recurso narrativo.

Corte como recurso narrativo em pleno 1902.

 

Ao utilizar a câmera para apresentar diversos pontos de vista de um mesmo acontecimento, a duração dos planos (entenda-se, aqui, “plano” por “parte do filme contida entre um corte e outro”) caiu exponencialmente na Hollywood Clássica, ao passo que a quantidade de planos utilizados cresceu de forma inversamente proporcional. Conforme as técnicas se desenvolviam, cada vez mais cenas que antes eram mostradas de forma contínua, sem corte, passavam a ser divididas em pedaços menores, hora para mostrar a visão de um personagem, hora para enquadrar melhor um ator, hora para acompanharmos as expressões de um personagem numa conversa, hora para focar a câmera num objeto importante, e assim sucessivamente.

Um grande legado dessa prática pode ser observado no cinema contemporâneo, onde se inclui Os Vingadores: são cerca de 2.200 planos em 2h23m de filme. A técnica que motiva a utilização de muitos planos, de forma geral, segue o modelo da Era de Ouro, mas há de se destacar o aumento significativo na quantidade.

Em parte, é possível dizer que na Hollywood Clássica os cortes eram usados como recurso narrativo, ou seja, com sua presença a narração poderia ser feita melhor do que com sua ausência, e, por via de regra, eram utilizados de tal maneira que sua presença não causava estranhamento no espectador (o chamado corte invisível); já em Os Vingadores, além dessa mesma questão narrativa, os múltiplos planos e os cortes também são usados para manter certa dinamicidade e prender a atenção do espectador, que com um segundo de desatenção pode perder um plano com conteúdo completamente novo – assim, há no filme a utilização de inúmeros planos que podem ser considerados irrelevantes para a narrativa propriamente, apesar da suma importância para esses outros aspectos (prender a atenção, easter egg, beleza, etc) que não caracterizaram a Era de Ouro.

De forma sintética, há a semelhança dos planos serem utilizados como ponto de vista e ajudarem a narrar a história, mostrando ao espectador o que ele precisa ver para entender o que está acontecendo. Enquanto isso, há a diferença de Os Vingadores usá-los também de maneira sistemática, mesmo que sejam narrativamente desnecessários, porque os realizadores (e isso parece ser uma característica do Cinema atual em geral) entendem que a falta de cortes pode causar o desinteresse do espectador.

 

3. As estrelas de Hollywood

Uma das mais bem sucedidas estratégias utilizadas pelos estúdios na Era de Ouro foi o chamado Star System, um sistema que colocava os atores sob contrato que impunha uma série de determinações sobre suas imagens.

Com o Star System os estúdios puderam construir a imagem que desejavam para seus atores, e utilizaram desse sistema para construir as melhores (imagens) possíveis de acordo com os padrões da sociedade da época: todas as mulheres apareciam em público como verdadeiras damas, e os homens como genuínos cavalheiros. Para isso, era preciso controlar tudo, desde o que os atores e atrizes podiam ou não falar, até as roupas que utilizavam e a maneira que se comportavam à mesa.

Claro que isso exigia um esforço e um sacrifício de bem estar imenso por parte dos atores, que mesmo fora do set de filmagens precisavam interpretar. A coisa chegava ao nível do abuso e da exploração do trabalhador. O galã Rock Hudson, por exemplo, não pôde revelar sua homossexualidade porque isso, segundo o estúdio, acabaria com a “imagem pública” que havia sido construída pelo Star System e que havia custado milhares de dólares à produtora que o havia contratado –, e consequentemente alguns nomes não suportaram e acabaram quebrando seus contratos milionários apenas para poderem produzir a própria imagem – Elizabeth Taylor deixou a M.G.M. por este motivo em 1960. Marilyn Monroe teve diversos problemas de contrato com a Fox a partir de 1954. Olivia de Havilland e Bette Davis processaram a Warner, respectivamente, em 1943 e 1937.

De certa forma, o Star System colapsou. Com os atores se tornando cada vez mais poderosos, ao mesmo tempo que mais insatisfeitos com as abusividades dos contratos aos quais estavam submetidos, entre os anos 30 e 60 os estúdios enfrentaram dificuldades para renovar os contratos de modo a manter o controle que exerciam antes. A partir daí, as grandes estrelas continuaram existindo, com a diferença de terem as imagens produzidas por eles mesmos ou por agentes específicos – não mais pelos estúdios.

Em Os Vingadores, principalmente se observarmos também os citados filmes que o precedem e o sucedem, notamos a clara influência da Marvel Studios sob seus contratados. Talvez os momentos em que isso ocorre de maneira mais destacada sejam os em que o ator se torna mais relevante para o filme que o próprio personagem que está interpretando, casos de Robert Downey Jr. (Tony Stark/Homem de Ferro) e Chris Evans (Steve Rogers/Capitão América).

Ambas as personagens interpretadas por eles têm um capacete que cobre o rosto como parte do uniforme, mas o uso da peça é sempre de duração baixíssima. São raras as cenas em que vemos o Homem de Ferro com seu capacete – há, inclusive, momentos em que seu uso seria esperado dentro do universo do filme, como durante as diversas cenas de batalha, e justamente aí não é utilizado –, e o mesmo acontece com os outras personagens.

Nos filmes anteriores, a Marvel Studios instruía de propósito seus realizadores a deixarem os atores aparecerem para que o público pudesse criar empatia com eles. Deu tão certo que os membros de Os Vingadores tornaram-se estrelas cada vez maiores, levando público ao cinema apenas pelos atores serem quem eram. Consequentemente, em alguns casos a situação saiu das mãos dos estúdios e passou para as mãos dos agentes: Robert Downey Jr., por exemplo, estava com sua imagem pública arrasada antes de interpretar o Homem de Ferro, e após o sucesso da personagem passou a exigir no contrato que seu rosto tivesse mais tempo de tela.

 

Sem capacetes, sem máscaras. Principalmente nas imagens utilizadas oficialmente na divulgação.

 

Como acontecia na Era de Ouro de Hollywood, a boa relação da imagem desses atores com o público levou tanta gente ao Cinema que a Marvel Studios não teve problemas em desembolsar quantias colossais para mantê-los: os tabloides garantem que os salários de Chris Hemsworth, Chris Evans e Mark Ruffalo estavam na casa dos 3 milhões de dólares, enquanto Scarlett Johansson e Samuel L. Jackson recebiam 4 e 6 milhões cada, e Robert Downey Jr., por ter direito a determinada porcentagem da bilionária bilheteria, ganhava cerca de 40 milhões. De Os Vingadores pra cá, esses valores apenas aumentaram progressivamente.

Outra semelhança entre a Era de Ouro e Os Vingadores é o esforço investido pelo estúdio na construção e manutenção das imagens mesmo fora do filme. Como os personagens têm determinado padrão físico, é imprescindível que, para fins de coesão e continuidade, esse padrão seja mantido entre um filme e outro – com a breve exceção do já citado caso Hulk, há orientações visuais para as demais personagens, desde a barba característica de Tony Stark ao cabelo ruivo de Natasha Romanoff e os músculos de Chris Evans, tudo mantido com os profissionais mais especializados de Hollywood, como acontecia em seu período clássico.

 

4. As gravações em estúdio e os sets de filmagem

Com a introdução e consolidação dos filmes não mudos (falados, melhor dizendo) a partir dos anos 1930, as gravações em estúdio se mostraram cada vez mais vantajosas e tornaram-se característica marcante da Era de Ouro de Hollywood. Na verdade, o grande empecilho para seu uso desde o início era basicamente financeiro, uma vez que era caro não só manter os estúdios e seus respectivos equipamentos, mas também se gastava muito dinheiro para fazer com que os atores se deslocassem para regravar os áudios de cenas gravadas externamente.

O já citado desenvolvimento financeiro ocorrido nesse período, entretanto, possibilitou a ampla utilização dos estúdios de gravação nas grandes produtoras. Assim, facilmente se gravava cenas externas, onde a captação de áudio era de qualidade baixa, e se trazia os atores para dentro do estúdio para dublar, agora com qualidade alta, todo o material.

Indo além da captação sonora, tornou-se comum a construção dos chamados sets de filmagem. Naquele momento, era mais fácil para as produtoras construírem desde falsos bares até falsos bairros e gravarem lá os seus filmes do que sair do estúdio para gravar em cenários reais, onde o realizador teria muito menos controle sobre o ambiente e, inclusive, poderia sofrer com isso tendo que regravar o mesmo material várias vezes, aumentando o custo da produção.

Já no Cinema Contemporâneo, mesmo que a tecnologia permita captação de áudio externa e controle sobre muitos outros fatores antes inimagináveis, as gravações em estúdio dominam os filmes hollywoodianos de alto orçamento. Os 220 milhões de dólares gastos em Os Vingadores se fazem presentes nos numerosos efeitos especiais.

Se durante a Era de Ouro os realizadores se empenhavam na construção de sets de filmagens grandiosos, como podemos observar desde Intolerance (1916), no Século XXI tamanho gasto de tempo, dinheiro e esforço físico se tornou desnecessário mediante a utilização dos computadores.

Em Os Vingadores, vemos em diversos momentos cidades inteiras em ruínas e repletas de alienígenas, sendo tudo isso feito através do CGI (computer generated imagery, imagens geradas por computador). Em fato, os realizadores vão além e utilizam-se dos recursos digitais na maior parte do filme: nas imagens de bastidores divulgadas pela Marvel Studios, podemos ver que mesmo cenas simples onde duas personagens conversam na rua foram gravadas em estúdio, com utilização do fundo verde e posterior edição.

Telas verdes, muitas telas verdes mesmo.

 

Além de ser mais fácil para os realizadores controlarem as variáveis que envolvem uma filmagem usando computador, há de se destacar o fato dos atores serem grandes estrelas – em entrevistas, relataram que poucas vezes dispunham do mesmo tempo livre para gravações, de modo que gravavam a mesma cena de maneira separada e esta era juntada posteriormente no processo de edição. Também, os gasto que a Marvel Studios teria para deslocar essas estrelas até as diversas locações usadas no filme foram reduzidas drasticamente pelo simples fato de deslocarem todos para apenas um local.

Assim, o processo de utilização dos estúdios que se firmou na Era de Ouro de Hollywood ainda vigora em Os Vingadores. Observa-se, porém, a mudança ocorrida no processo de utilização dos sets de filmagem – não seria correto dizer que antes grandes sets eram construídos e agora não, mas é possível assinalar que num período estes eram erguidos fisicamente, enquanto que no outro os sets encontram suas construções majoritariamente de maneira digital, através da tela verde.

 

5. A distribuição

Entre meados dos anos 1920 e o fim da década de 40, cinco dos grandes estúdios de Hollywood, 20th Century Fox, RKO Radio Pictures, Warner Brosl Metro-Goldwyn-Mayer e Paramount Pictures, dominavam o mercado cinematográfico em todos os seus ramos, controlando a produção dos filmes, a distribuição e a exibição, enquanto que outros três, Universal Pictures, Columbia Pictures e United Artists, também tinham organização semelhante, apesar de deterem apenas pequenos teatros, no caso dos dois primeiros, ou pouco envolvimento com a parte da produção, no caso do último.

Além de possuírem redes de teatrais próprias, os majors, como ficaram conhecidos esses estúdios, também conseguiam garantir a distribuição de seus filmes através de uma prática designada como block booking: vendiam os filmes em pacotes, obrigando o exibidor a contratualmente utilizar-se de todos. Mas, ao invés de negociarem um pacote de grandes filmes, os estúdios organizavam de modo que cada pacote continha apenas um que realmente era de interesse do exibidor, e outros muitos (cerca de vinte) que eram produções de baixo custo ou qualidade.

Através dessa prática, os estúdios tinham a certeza de rentabilidade e exibição de todos os seus filmes, desde os grandes lançamentos até os que sequer teriam chance de exibição noutras situações. A prática, entretanto, considerada de caráter oligopólio, acabou sendo proibida pela Suprema Corte dos Estados Unidos em 1948 – proibição essa que foi seguida pela eventual queda no domínio verticalizado exercido pelos estúdios e o fim desse período que ficou conhecido como Studio System.

Como consequência do fim do Studio System, a indústria cinematográfica hollywoodiana contemporânea é segmentada em empresas responsáveis por cada um dos ramos envolvidos na produção fílmica, e Os Vingadores é um exemplo curioso dessa relação. O filme foi produzido e distribuído pela Marvel Studios, o braço cinematográfico e televisivo da Marvel Entertainment Inc., empresa, por sua vez, comprada pela The Walt Disney Company em 2009 – que além de ter seu próprio estúdio, o The Walt Disney Studios, utilizou-se dele para interferir na produção (financeiramente, em principal) de Os Vingadores.

A distribuição do filme também só passou a ser feita pela Marvel Studios pelo fato dos direitos de exibição do filme terem sido comprados pela mesma The Walt Disney Company junto à Paramount, em 2010 – antes disso, os filmes da Marvel Studios eram todos distribuídos pela Paramount. Há ainda a grande confusão gerada pelo nome da Paramount ainda ser creditada em Os Vingadores como distribuidora, além de acessar certa porcentagem do lucro do filme mesmo sem estar envolvida no processo – isso graças às condições que havia imposto para assinar o contrato de venda dos referidos direitos de exibição.

The Avengers dominou as salas de cinema em 2012.

 

Assim, apesar do block booking não encontrar mais espaço no Século XXI, ainda podemos observar em casos como o de Os Vingadores o envolvimento que há entre a empresa que produz os filmes e a que os distribui, de modo que o lucro de ambas as partes retornam para uma única marca (The Walt Disney Company). É possível, ainda, levar em conta a presença que o filme fez em salas de cinema, onde reinou tão absolutamente ao ponto de render à Marvel Studios mais de um bilhão de dólares em lucro.

 

6. O enredo

Com as mudanças ocasionadas a partir dos filmes de D. W. Griffith nas décadas de 10 e 20, A Era de Ouro de Hollywood foi marcada pela estabilização de um determinado modelo para contar histórias em forma fílmica, posteriormente conhecido como Linguagem Clássica Narrativa.

Os filmes que seguem este modelo optam por narrar uma história completa, ou seja, com começo, meio e fim, e o fazem através de algumas técnicas desenvolvidas durante o período clássico hollywoodiano. Para citar certas práticas que começavam a surgir naqueles tempos:

  1. Há um personagem principal (um casal, em alguns casos) sob o qual giram todos os acontecimentos da trama;
  2. Esse protagonista inicia o filme numa situação estável de mundo, que é abalada no decorrer da trama e retorna ao estado de paz no final;
  3. Presença de conflitos internos no protagonista, como dilemas éticos e morais – geralmente relacionados a um par romântico.
  4. Regras de continuidade e coerência entre o conteúdo de uma cena e outra, de modo que o espectador não se perca;
  5. Acontecimentos extraordinários no roteiro. Uma vez que as personagens eram estabelecidas com objetivos claros a serem alcançados, as tramas continham várias coincidências acontecendo para garantir o alcance da meta;
  6. Continuidade de tempo, ou seja, um acontecimento sucede o outro. Retorna-se ao passado utilizando apenas flashbacks, com o auxílio de alguma técnica visual para indicar do que se tratam.

Assim, estabeleceu-se uma maneira de contar histórias que dominou o Cinema durante a Era de Ouro, e, mesmo que esta dita maneira tenha sofrido revoluções a partir dos filmes de Orson Welles na década de 40, ainda vemos muitos desses elementos presentes em Os Vingadores. Sobre a jornada das personagens, por exemplo:

  1. Bruce Banner inicia o filme escondido num lugar onde levava uma vida tranquila (depois dos acontecimentos de O Incrível Hulk). Enfrenta uma série de problemas com sua personalidade de Hulk em todo o miolo do filme, mas ao final o vemos derrotar seus inimigos, entrar em um carro e seguir novamente para uma vida calma.
  2. Steve Rogers é introduzido treinando e realizando as tarefas do dia-a-dia que se espera que um soldado realize em tempos que não há guerra, luta exaustivamente contra os exércitos alienígenas e acaba retornando são e salvo para suas atividades diárias no final;
  3. Tony Stark começa e termina da mesma maneira: levando sua vida de bilionário e gênio, se utilizando de suas invenções para a construção de novas estruturas – claro que não sem beirar a morte algumas vezes durante os conflitos do segundo ato do filme.

 

Além disso, as situações apresentadas no intermédio entre a situação inicial e a situação final nos remetem muito à ideia das coincidências da Hollywood Clássica. São vários os exemplos de acontecimentos excepcionais que ocorrem apenas para dar prosseguimento ou carga dramática para a narrativa:

  1. O objeto que motiva a trama, o Tesseract, emite um tipo de radiação específica que introduz a única pessoa, no universo do filme, capaz de entendê-la: Bruce Banner;
  2. Quando Thor localiza a aeronave supersecreta com Loki, mesmo na vastidão da noite, e consegue pousar em cima dela;
  3. Quando Steve Rogers salta de paraquedas da aeronave e cai justamente onde Tony Stark e Thor lutavam;
  4. O cientista raptado por Loki para ajudá-lo a executar seu plano, Erik Selvig, acontece de ser um dos três amigos que Thor fez enquanto estava na Terra em Thor (2011);
  5. Tony Stark consegue invadir os sistemas da maior agência de segurança do planeta em poucos segundos;
  6. Quando Hulk ataca a Viúva Negra e ela escapa de seus golpes no último momento possível com saltos e deslizamentos, mesmo estando incapacitada de se mover com precisão;
  7. Quando a armadura salva Tony Stark no momento em que ele tocaria o chão após ser arremessado de um prédio por Loki;
  8. Quando Natasha Romanoff pula das alturas no exato momento em que um planador passava por ela, conseguindo segurar-se nele;
  9. Quando Tony Stark impede o míssil milésimos antes deste explodir contra a torre;
  10. Quando o portal alienígena se fecha no exato momento em que Tony Stark passa por ele.

Apesar dessas semelhanças narrativas entre Os Vingadores e os filmes da Era de Ouro, há de se destacar o aspecto dos flashbacks, talvez a mais gritante das diferentes. Até pelo fato de se tratar de uma sequência (de mais de um filme, inclusive), é perfeitamente esperado uma série de recapitulações para lembrar o espectador qual era a situação do mundo e das personagens na última vez em que os encontramos, mas isso não acontece em Os Vingadores. Quer dizer, não usando os recursos clássicos, pelo menos.

Tanto em Casablanca (1942) quanto nas obras de D. W. Griffith, por exemplo, vemos cenas que se passam no passado sendo inseridas entre cenas que se passam no presente. Os Vingadores não recupera visualmente imagens utilizadas no passado da trama, mas utiliza-se de outros recursos para nos fazer lembrar do que aconteceu; alguns dos exemplos são:

  1. Quando vemos Bruce Banner pela primeira vez, o próprio explica sua habilidade de se transformar em Hulk e os problemas que isso o causou;
  2. A primeira aparição de Natasha Romanoff se dá amarrada numa cadeira e sendo interrogada, de onde ela escapa com facilidade, evidenciando suas habilidades como espiã;
  3. Quando os heróis se reúnem na aeronave da S.H.I.E.L.D. para discutir um plano de ação, eles mesmos explicam uns para os outros coisas que já haviam sido reveladas nos filmes anteriores (quem é Erik Selvig, o que é o Tesseract, quem é Loki, os poderes dos presentes, as funções de Fury, etc);

Assim, observamos não só a existência da recapitulação do passado através de recursos diferentes do flashback como utilizado na Era de Ouro, mas também o fato da ampla utilização das falas para fazê-lo, de modo que, quando a audiência precisa ser lembrada de um acontecimento importante para o seguimento da narrativa, simplesmente uma personagem conversa com a outra e o conta de modo direto.

Com esses breves seis pontos destacados, essas semelhanças e diferenças entre um filme de 2012, Os Vingadores, e os produzidos entre meados de 1920 e 1960 nos revelam parte da maneira com a qual toda uma indústria se desenvolveu em torno de uma forma de fazer arte.

Nas poucas décadas que compreendem a Era de Ouro, Hollywood foi capaz de estabelecer um conjunto de convenções, regras e métodos de se realizar um filme, ou seja, conseguiu desenvolver uma linguagem, uma maneira eficiente de se comunicar e de se transmitir ideias: a chamada Linguagem Clássica Narrativa.

Além disso, ao mesmo tempo em que desenvolvia uma linguagem fílmica, Hollywood também se criava como uma indústria que permanece protagonista até os dias de hoje, gerando obras como Os Vingadores, capaz de arrecadar 1.51 bilhão de dólares mundialmente – filme com sucesso que, aliás, vai além da parte financeira, pois também o foi com a crítica especializada e com a opinião do público – tudo obtido através de um estúdio que não se contém ao utilizar práticas de produção de narratividade vindas diretamente da Era de Ouro de Hollywood.

 

 

Referências:

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CAPTAIN AMERICA: THE FIRST AVENGER. Direção: Joe Johnston. Produção: Kevin Feige. Estados Unidos da América: Marvel Studios, 2011.

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CASABLANCA. Direção: Michael Curtiz. Produção: Hall B. Wallis. Estados Unidos da América: Warner Bros., 1942.

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