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“Buster’s Mal Heart” – (2016)

Buster’s Mal Heart é dirigido por Sarah Adina Smith.

É de início estranho. Não sabemos bem o que está acontecendo.

O que temos a nossa frente é uma fuga desenfreada ao redor de tiros, desespero e um ambiente calmo distorcido pela realidade de guerra que ali se instaura. Buster, o personagem principal, encontra-se em apuros como um foragido da polícia. A neve e a poeira fria do lugar fazem da escapada mais melancólica e atraente para quem a vê e a observa de longe. Somos nós quem nos atraímos por elas, mas é ele quem está nelas.

A chaleira soa como um chamado: o chá está pronto.

A primeira vistam, um passado completamente distinto do presente nos mostra claramente uma transformação no caráter e na vida de Buster ao longo dos anos. Temos noção de um reflexo primeiro de uma vida estável, de amor e de rotina. Sua vida não é diferente dos outros; é casado, tem uma filha, etc. Em contraste, temos uma vida tumultuada e sem sentido, tendo como olhar, seu passado normal e sociável em que vivia. O barco que flutua e balança com Buster apoiado em sua solidão, nos mostra também, um pouco de seu habitat o qual longínquo da sociedade, permanece num marasmo de tédio, lembranças e uma outra vida. Por estar perdido, se é que se vive em tal estado, mesmo assim, é difícil imaginar pelo que ele passou até chegar nesse lugar único e seu. A trajetória pela qual Buster trafegou, então, diz respeito aos acontecimentos que perduraram nesse entre passado-futuro que ele vive hoje, no seu presente.

A reflexão faz alguma coisa mudar em nós. O que muda exatamente?

Na verdade não tenho objetivo aqui de buscar o sentido dessa questão, mas ela, em certa medida, traz alguma importância para as mudanças que Buster sofreu durante sua estória. Tudo começa com um encontro. O pensamento, sim, pode ser considerado algo que existe, mas o conhecimento a partir dele e através dele, faz daquilo que está a se conhecer, um novo caminho, um novo estar, uma nova percepção, seja ela qual for, sobre a vida. Para exemplificar, é como a saída da caverna para Platão, isto é, só na saída que conseguiríamos enxergar a verdade e a realidade ao nosso redor, já que dentro dela, estaríamos cegos.

E, the last free man é quem conversa sobre tudo isso com Buster.

A metáfora que a narrativa faz, de tal modo, trazendo o filósofo antigo a tona, é proposital. Todos que conectam-se com Buster o veem como um louco e que não consegue visualizar sua loucura, e seria ele quem estaria cego. Por todo o filme vamos tendo essa sensação de não pertencimento, de abandono, de um estado diferente, o qual não habita e não persevera na condição humana em que todos vivemos.

É sobre isso que a narrativa tem a nos dispor.

É sobre isso que ela trata e sem ir mais a fundo sobre o que viria a ser a transformação pela qual Buster passou, é de cada um que o entendimento dela, a partir da narrativa, virá a ser entendida.

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