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“Sing” – (2016)

Sing é uma animação.

Muitos acreditam que uma animação tem por objetivo trazer alegria, felicidade e divertimento quando vista, contudo, pode ser muito mais interessante do que isso. Embora fazer rir seja uma característica muito importante, a qual julgo ser como tal, à pertencer a uma animação, também, a reflexão que ela pode trazer em conjunto, pode fazer desse filme que muitas vezes é intitulado como para criança, um filme reflexivo e para adultos.

O filme aqui retratado é de 2016.

Na verdade isso não faz diferença quanto ao seu poder de conteúdo, visto que gradualmente é possível perceber novos tipos de animação surgirem, deste modo, todas trazendo um outro tipo de enfoque para seus fãs. A velha abordagem de que por ser uma animação, por obrigatoriedade, é algo para crianças, de fato atualmente ou nessa geração, não é verdade. O formato narrativo de Sing é diferente dos demais desenhos, ele traz uma bagagem cotidiana e intrínseca a cada personagem, cada um com suas especificidades e características. Nesse caso, não falo sobre questões físicas ou mesmo de jeitos, mas de profundidades psicológicas as quais fazem de cada estória única, mesmo havendo problemas que podem ser considerados comuns, logo também podendo pertencer a outras personas, no caso de Sing, animais.

Moon é dono de um teatro o qual seu pai construiu com seu suor e trabalho. O presenteou com esse teatro para que ele continuasse com seu legado na cidade e fizesse da arte sua morada. Entretanto, vamos percebendo no decorrer do filme, que Moon além de ser desajeitado na vida, também, não lida muito bem com seu negócio. Seu teatro está prestes a falir e não sabe muito bem o que fazer para recuperar tanto sua reputação pessoal como do seu estabelecimento artístico. Então, decide fazer uma competição de música e os vencedores ganhariam uma quantia estimada em alguns valores pessoais que Moon angariou de sua sala de trabalho. Ao passo que o anúncio fora feito e toda a cidade ficara sabendo do premio, muitos animais, como a porquinha dona de casa, o macaco ladrão, o rato demasiado metido, entre outros, jogaram-se na disputa.

No decorrer da narrativa, a qual não pretendo aqui me alongar, vamos conhecendo um pouco mais de cada um deles e vou citar dois deles que me emocionaram e me fizeram pensar a respeito da animação. Primeiro, foi a porquinha dona de casa, a qual por ter praticamente quase 25 filhos e ser casada com um porquinho que apenas trabalha e dorme, no estado de ter que cuidar dos filhos, da casa e de tudo mais, no meio tempo, sempre estivera cantando e de bom humor. Sua relação com o marido não se parece com um casamento e pelo contrário, distancia-se desse lugar e se parece como se duas pessoas que não se conhecem morassem juntas e tivessem um fardo a carregar: suas vidas. Quando ela vê o anúncio bater em sua janela fica em êxtase e prepara um mecanismo super articulado para que todos os filhos conseguissem se alimentar, toda a louça fosse limpa e todos eles fossem dormir ao som de sua bela voz como se sua presença não fizesse diferença alguma e, de fato, não fazia. Em segundo, temos a elefanta, fofa, tímida e super insegura a qual tem uma linda e forte voz, porém, acaba se afundando num buraco de melancolia e tristeza. Seu avô é quem sempre a apoia. Sua família pressiona para que ela faça o que ama, que é cantar. Quando vê o anúncio, então, decidi ir adiante e tenta perder sua vergonha diante dos outros e do palco.

Moon é quem tenta proporcionar tudo isso, seu prazer é esse – o de trazer essas belas vozes para seu teatro e fazer dele, como antigamente, um lugar de arte, de prazer e que leve ao público o que seu pai sempre quis: teatro.

Durante o embate da porquinha ter o desejo de cantar e ser invisível em casa e a elefanta que lida com suas questões íntimas de medo, insegurança e auto-estima, também, a porquinha-espinho enfrenta o abandono e a frustração de seu namorado não reconhecer seu valor como artista, assim como, seu forte ímpeto em ser uma grande compositora o qual sempre relutou em aceitar por conta do seu companheiro egoísta.

A animação Sing, portanto, pode nos levar a pensar sobre o que pretende como estória, como desenho, como arte. Esse deve ser o papel dos filmes e os desenhos não devem passar longe ou ser mais simples e banais por serem como são: visuais, musicados – geralmente – e para crianças.

 

 

 

 

 

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