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Crítica: Perfeita Pra Você (Irreplaceable You, 2018) – Original Netflix

Perfeita Pra Você

Perfeita Pra Você é o típico filme feito para chorar, mas que falta cinema…

Ficha técnica:
Direção: Stephanie Laing
Roteiro: Bess Wohl
Elenco: Gugu Mbatha-Raw, Michiel Huisman, Steve Coogan
Nacionalidade e lançamento: EUA, 16 de fevereiro de 2018 diretamente na Netflix.
Sinopse: Abbie (Gugu Mbatha-Raw) e Sam (Michiel Huisman) se conhecem desde os oito anos de idade e acreditam ser almas gêmeas, destinadas a ficar juntos para sempre. Mas, tudo muda quando um deles recebe a notícia de que tem câncer terminal.

A Netflix começou o ano até bem…  O Rei da Polca  é simpático, Step Sisters é enérgico, Fútil e Inútil ardiloso. Pegou todos de surpresa com o novo The Cloverfield Paradox (apesar de ser fraco). Mas em meio a isso tivemos Blockbuster  Vende-se Esta Casa  e Quando nos conhecemos que deixam bastante a desejar.

Novamente, tal qual este último citado, a aposta foi no romance. Se lá o mote era viagem no tempo, aqui, em Perfeita Pra Você, a premissa é câncer… sim, mais uma vez apelando para a doença para arrancar lágrimas fáceis.

Este tipo de filme é equivalente ao longa de terror que usam o jumpscare como muleta. Dá para dizer que o câncer é o jumpscare do romance… Ou seja, você vai afogar a pipoca em meio saltos de sustos/lágrimas mas logo vai esquecer. Qualidade cinematográfica que é bom, nada…

Amigo leitor, entenda que você pode ter se emocionado. Não quero desconsiderar o teu sentimento. Mas vamos pensar junto: como o filme chegou lá? Ver alguém tendo que encarar um câncer é a fórmula mais batida e preguiçosa para isso. Sempre vou dar o exemplo: veja o filme A Chegada e note toda a construção do sentimento lá e aqui. A diferença é gritante…

Podemos até superar esse arco totalmente clichê se o resto compensasse. Mas tudo está lá da forma mais quadrada possível. Narração inicial, trilha pra cima para mostrar a dinâmica do casal, trilha melosa nos momentos tristes, personagens completamente unidimensionais, movimentos e falas antecipáveis.

Por exemplo: o casal, já na infância, fica junto porque sim. Os coadjuvantes praticamente não tem vida própria, estão totalmente a serviço de um diálogo motivador ou de escada para a dupla de protagonistas. A interação do casal é repetitiva, até a boa sacada de fazer piadas e perguntar : “é cedo demais”, satura na terceira vez – e eles fazem bem mais que isso…

O roteiro é completamente esquemático. As pausas para chorar, rir, brigas do casal, momentos de auto ajuda estão todos marcados. A direção de Stephanie Laing, primeiro longa da carreira, acompanha a nulidade da história. Vazia, sem nenhuma inspiração e com os planos mais simplórios possíveis. Tudo é automático.

Já que comparei com jumpscare vale a menção: Perfeita Pra Você é o segundo pior original Netflix do ano, só perdendo para o terror Vende-se Esta Casa.

  • Nota Geral
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