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Crítica: A Forma da Água (2017) – 13 Indicações! Favorito ao Oscar?

A Forma da Água

A Forma da Água honra boa parte das 13 indicações que levou.

Ficha técnica:
Direção: Guilhermo del Toro
Roteiro: Guilhermo del Toro, Vanessa Taylor
Elenco: Sally Hawkins, Octavia Spencer, Michael Shannon, Richard Jenkins, Michael Stuhlbarg
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (01 de fevereiro de 2018 no Brasil)

À semelhança de La La Land no ano passado, A Forma da Água sobrou nas indicações. Passando por quase todas as possíveis (nada de curta de documentário, eu acho…). Dirigido por Guilhermo del Toro (Colina Escarlate, Labirinto do Fauno), o longa de fato é um dos melhores de 2017 e o melhor lançamento de 2018 até – considerando a data no Brasil.

Mas o que faz ele merecer isso tudo?

Como é típico do diretor, temos uma relação envolvendo uma criatura. Agora, como o título sugere, aquática. A trama basicamente acompanha Elisa (Sally Hawkins). Por trabalhar com limpeza, ela é convocada, junto com a amiga Zelda (Octavia Spencer), a retirar o sangue de uma sala onde o “terrível” monstro está amarrado, mas ela acaba vendo que ele não é tão terrível assim.

Este filme tem diversos elementos que torna fácil uma identificação com o público. Um ar de fantasia (marcado pela narração inicial, que já dá até o tom de um conto de fadas), uma protagonista carismática, com o adendo que ela é muda (e o elemento tem sentido narrativo), vemos com calma a rotina suada dela. Além de uma história que envolve suspense, drama, política, terror e romance.

Além de todos esses gêneros, o humor de A Forma da Água é no tom. Desde um dedo médio levantado, passando por respostas usando uma palavra dita anteriormente, até um vazamento de água, vários momentos arrancam um sorriso doce.

Diversas rimas, visuais e textuais, são percebidas. Sem dar spoiler, mas coisas como um personagem fala uma passagem bíblica e vemos um outro personagem ter uma mudança corporal que lembra aquilo que foi dito. Ou ainda, a falta de higiene resultar em uma consequência posterior. Tudo sem um relação direta com os fato, talvez os mais desatentos nem percebam.

Além, claro, da rima mor: o preconceito. Há algumas menções ao racismo (“… pessoas do seu povo”, dito com desdém a uma personagem negra) e o grande mote aqui passar por aceitar o outro. Comunicação também entra nesse jogo de rimas. A protagonista não fala e, claro, a criatura tampouco. O que não quer dizer que não haja comunicação, muito pelo contrário.

Por falar em comunicação, todas as referências, explícitas ou nem tanto, ao cinema são belas. Da localização do apartamento de Elisa, ao design da criatura, tudo passa por uma delicada carta de amor – carta de amor que é o tom do próprio filme, novamente aqui evocando a narração.

A água que é vista não só no habitat da criatura, mas de diversas formas. Chuva, chão molhado, banheira, rio… E novamente tudo com um propósito na história. Nada aqui é gratuito, tudo serve ao tom e à história.

Há um momento musical que deixa o já citado La La Land com inveja. A forma como o filme entra no gênero (mais um…) é bem fluído. Aliás, as transições aqui são tão suaves quanto a áurea do todo. A cena em si consegue emocionar de forma sincera e é visual e musicalmente preciosa.

Apesar de encantado com diversos elementos, o que mais me atraiu na obra foi cada coadjuvante ter vida própria. Cada personagem tem uma cena e até um arco distinguível. Isso sem tomar tempo desnecessário e sem desfocar do principal. Enxergarmos um universo orgânico.

Por exemplo vemos Richard Strickland (Michael Shannon) constantemente bancando o superior em casa e no trabalho, mas por vezes percebemos como ele na realidade precisa se reafirmar (vide o carro). Ou então Giles (Richard Jenkins) na jornada com a torta, que tem todo um motivo por trás.

Michael Stuhlbarg vem como Dr. Robert Hoffstetler. Outro belo arco, mas vale destacar como Stuhlbarg escolheu bem os papéis, já que ele está também no Me Chame Pelo seu Nome e The Post, todos indicados ao Oscar. Já Octavia Spencer esbanja carisma, porém não faz nada diferente do que já vimos nos outros filmes dela.

Agora a atuação de Sally Hawkins é daquelas que marcam carreira. Típico personagem que todo ator quer ter a chance de ter. Expressiva, vigorosa, delicada, inteligente e acima de tudo: mulher… Todas as nuances passadas com primazia. A rainha Meryl Streep que me perdoe, mas o Oscar vai para Hawkins.

E todos os personagens ganham viço, pois a Forma da Água diz muito sobre identidade. Se em La La Land (terceira vez aqui) a “cidade brilhava só para mim”, em A Forma da Água temos o oposto. Todos sofrem opressões de alguma maneira (até os vilões) e, ironicamente, a busca pela felicidade passa outro.

Por hora, sem ter visto Três Anúncios Para um Crime e Lady Bird, cravo como o meu preferido ao Oscar (já que Blade Runner 2049, não está…).

  • Nota Geral
5
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