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Os 10 Melhores Filmes Nacionais de 2017

Gabriel e a Montanha

Em pleno 2017, agora 2018, ainda tem gente que diz que os filmes Nacionais não prestam que “só tem porcaria”. Nós do Cinem(ação) tentamos durante o ano todo dar o devido destaque ao cinema brasileiro, sem patriotismo algum: um dos maiores do mundo hoje.

Temos sim diversas obras que deixam a desejar (confira o nosso top 10 piores de 2017, onde reservo um espaço só para falar dos Nacionais). Contudo, isso é comum em qualquer país e aqui temos um agravante: vemos mais filmes sem o filtro estrangeiro. Para um filme ruim Islandês chegar aqui é mais complicado.

De cara já tiro o elefante da sala: sim, Bingo é muito bom em diversas frentes, mas considerei este 10 melhores que a biografia. Em um top 15 ele entraria.

Sem mais, vamos a minha lista dos 10 Melhores Nacionais de 2017 (vi 55 no último ano).

10) JONAS E O CIRCO SEM LONA:

Primeiro documentário do top 10. Aqui temos talvez o olhar mais delicado do ano. A diretora Paula Gomes acompanha o menino Jonas, 13 anos. O garoto possui um circo improvisado. A história é tão simples quanto parece, o que gera comentários metalinguísticos sobre o motivo de fazer aquele filme – até um divertido da professora de Jonas que é contra dar destaque para o mau aluno. Com partes intencionalmente encenadas, o longa tem uma consciência grande. Consciência de si, de como explorar as pequenas (pequenas?) histórias e de como ser um cinema grande (aqui grande sem ressalvas).

9) PENDULAR:

Um casal aluga um galpão para poder instalar um ateliê e um espaço de dança. A trama traz em uma primeira camada o relacionamento deles. Em uma outra camada, completamente fundida à primeira, a relação com o fazer artístico. As atuações entregam uma visceralidade essencial. O trabalho com o corpo, em especial de Raquel Karro. O título que aparece de forma mais ou menos metafórica em diversos momentos, sendo possível dizer que a imagem nunca deixa de existir. Vemos humanos incompletamente completos, tentado dialogar com os outros e com eles mesmos. Pendular tem um ritmo muito difícil, mas é uma obra rica.

8) JOAQUIM:

A história trata da pessoa do Tiradentes (daí o título Joaquim), antes dele se tornar o mito, ou melhor, no processo de construção. A cena inicial à la brás cubas já dá um tom arrebatador. A relação de Joaquim com Preta já instiga logo no começo, a atriz Isabél Zuaa teve uma das grandes interpretações do ano. Apesar do meio se arrastar um pouco, o último ato volta à nota alta.

7) CORPO ELÉTRICO:

 

Tal como Jonas e o Circo sem Lona, Corpo Elétrico aposta na naturalidade. Em diversas cenas vemos uma “bagunça” sonora, totalmente intencional e bem-vinda, as histórias daquelas pessoas comuns, trabalhadores de uma fábrica, ganham peso. Inclusive há uma cena deles saindo do trabalho onde a câmera passeia entre eles, que pode ser marcada como uma das mais belas do nosso cinema este ano. A temática LGBT também é posta de forma natural, quase projetando um mundo perfeito sem preconceito.

6) ANTES O TEMPO NÃO ACABAVA:

O filme amazonense trata da questão da identidade. O protagonista é um índio que passa por um processo de embranquecimento. Ele tem dificuldades de adaptação na tribo e na cidade. Além disso, tem uma sexualidade complexa, tendo características múltiplas neste sentido. O longa é um pouco mais lento que o necessário, mas fora isso é praticamente impecável. Vale muito ser conferido. Destaque para a parte sonora aqui também.

5) COMEBACK:

 

Temas como solidão, desilusão, abandono e, claro, violência dão as caras aqui. Mas o jeito como eles são tratados é que engaja o público que topar essa aposta vai se encantar pela difícil e excelente fotografia, trilha e atuações. Comeback é um filme delicioso. Mas não se enganem com esse adjetivo… Comeback é incômodo, árido, complexo. Última atuação do saudoso Nelson Xavier.

4) GABRIEL E A MONTANHA:

A homenagem, sem ser chapa branca, a Gabriel Buchmann. O rapaz, em meio a uma viagem pelo mundo a fim de colher ideias para políticas públicas e conhecer novos lugares, acaba morrendo em uma montanha. O longa segue exatamente os mesmos passos que Gabriel na derradeira jornada. Com personagens, figurinos e diálogos reais. As dificuldades de filmar, os planos sequência, a trilha também são componentes belos aqui.

Confira a nossa crítica completa de Gabriel a Montanha. 

3) CORA CORALINA – TODAS AS VIDAS

Documentário nacional sobre a poetisa Cora Coralina. Beira a perfeição em uma fotografia variada e bem feita, uma montagem inteligente ao dosar o ritmo do longa e uma trilha carregada de emoção, mas sem ser piegas. A força dos depoimentos e das encenações (interpretadas por atrizes como Camila Márdila, Beth Goulart e Zezé Motta) fazem todos se emocionarem.


Para a medalha de prata (SOUNDTRACK) e a de ouro (DESERTO), faço o convite de ler o meu top 10 Melhores filmes de 2017, pois ambos estão na lista que também considera os filmes internacionais.


E para você quais foram os melhores Nacionais do ano?

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