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Crítica: Liga da Justiça (2017) – o ápice da DC no cinema. Isso basta?

Liga da Justiça

Liga da Justiça dá um tom leve ao universo DC, mas perde em criatividade.

Ficha técnica:
Direção: Zack Snyder, Joss Whedon
Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon
Elenco: Gal Gadot, Ben Affleck, Jason Momoa, Henry Cavill, Ezra Miller
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (15 de novembro de 2017 no Brasil)

Liga da Justiça terá provavelmente a segunda maior bilheteria do ano, só perdendo para Star Wars. Será que essa expectativa toda será bem recompensada na tela? Primeiro vale o comentário: se você é um ET, saiba que o longa é uma sequência direta do universo DC no cinema, leia-se: Batman V Superman e Mulher Maravilha (Esquadrão Suicida o filme faz questão de ignorar).

Ou seja, os acontecimentos, personagens e consequências daqueles dois filmes são vistos aqui. Liga da Justiça funciona até sozinho, mas é altamente recomendado ter fresco na mente o que viu antes, em especial BvS. Outro ponto: os novos heróis que integram a Liga não são devidamente apresentados em filmes solo. Caso você não tenha a bagagem das HQs pode ter problemas e ficar com algumas dúvidas na cabeça. Dúvidas essas mais ou menos contornáveis conforme a tua boa vontade. Eu penso que salvo em continuações, o filme deve ser bastar por si e não precisar de outras mídias.

A trama segue contornos dos mais óbvios. Até possíveis surpresas não são tão surpresas assim, mas fiquem tranquilos que esta crítica não terá spoiler. Mais uma vez temos um vilão malvadão que quer destruir o mundo “a única função dele é conquistar”. Lobo da Estepe é a criatura maligna da vez. Ele precisa reunir três caixas mágicas que estão na Terra. Fazendo isso, ele desperta um poderzão e a coisa ficará ruim para a galera.

Esse mcguffin (para saber o que é um mcguffin, clique aqui) convenientemente está em posse do povo de Atlântida e Themyscira, o que justifica a presença dos “mundos” do Aquaman (Jason Momoa) e Mulher Maravilha (Gal Gadot). A terceira está em algum outro lugar da Terra.

Batman (Ben Affleck), junto com a Mulher Maravilha, recruta um pessoal para tentar impedir a catástrofe. A simplicidade da história, em um nível macro, funciona até bem. Nada de uma trama política ou algo que o valha. Sequer temos uma subtrama. É apenas um vilão fazendo vilanice e heróis fazendo heroicice….

O primeiro ato se dedica a união do time. O momento fica um tanto corrido. Há um prólogo bem desnecessário, nada ofensivo, mas dava para o filme começar logo sem aquilo. Depois seguimos para um passeio pelos personagens. Lembra um pouco 11 Homens e um Segredo e uma outra dúzia de filmes com recrutamento de equipe. Diálogos engraçadinhos são a saída para mostrar a facilidade/dificuldade em angariar a trupe.

O humor aqui está muito presente. Antes fazia-se a crítica de os filmes da Marvel eram cheio das piadinhas e os filmes da DC muito sérios… sim, os dois lados eram criticados. Mas aqui a história muda: a verve cômica tem bons momentos, vide um em especial com o Laço da MM, e outros que são as gags mais simples. Houve uma marvelização da DC? Um pouco…

Analisando personagem por personagem temos altos e baixos, infelizmente mais desse segundo… Mulher Maravilha tem a presença que já demostrara no filme solo e no A Origem da Justiça. Batman tem mais o papel de agregador e perdeu boa parte dos conflitos internos (Batman Lego desenvolve isso melhor, é sério…).

Aquaman possui menos cenas na água do que deveria. Basicamente é: “ops, preciso dar um mergulho aqui de vez em quando…” e o poder aquático dele acaba tendo pouca ou nenhuma valia. Fico na dúvida se a conversa dele com o Batman sobre o uso dos poderes era só para ser uma piada ou foi um furo de roteiro… A base pinguça dele também é pouco explorada e lembra o que fizeram com a Valkyria no Thor: Ragnarok. Mas os poderes que são bons mesmo, nada… (com um trocadilho desses eu ainda reclamo do humor do filme).

Cyborg (Ray Fisher) tem um arco completo. Mesmo seguindo dilemas rasos, a coisa funciona. Os poderes dele, ao contrário do colego marinho, tem serventia. E principalmente vale o destaque para os dramas pessoais. Não, não temos um estudo profundo do personagem, mas dentro da proposta vai em um nível digno.

Como eu disse, o tom de Liga da Justiça é bem mais leve que os filmes anteriores da DC (os que valem, novamente: esqueça Esquadrão). Pensando nisso, o flash (Ezra Miller) soa como um alívio cômico dentro de um alívio cômico. O personagem dele está lá para fazer piadas em quase 100% das vezes. Lembra um Homem-Aranha da DC… Algumas vezes a piada é sincera: como quando ele entra na Batcaverna, outras ficam bem forçadas.

Os vários personagens secundários, como uma família ou mesmo os velhos conhecidos, estão lá para cumprir uma cota de coisa alguma. Já o vilão… esse não temos muito o que comentar. Por mais que tentem dar background, a motivação e os movimentos são frouxos. A caracterização e o CGI estão artificiais. A luta final é simplesmente ridícula – altamente broxante.

Mas a ação de Liga da Justiça não é completamente desprezível, pelo contrário. A Mulher Maravilha rouba a cena nesse quesito, seja contra civis ou contra monstros, ela tem as melhores coregrafias. E tem uma luta no meio do longa, envolvendo vários personagens, que quase vale o filme inteiro. Nela sentimos o perigo, tem fanservice (já já falo disso) e até mesmo a resolução, piegas, surpreende.

Uma das críticas nos filmes do gênero é que os “serviços para fãs” atrapalham o andamento da história. Aqui, apesar de vários momentos terem esses mimos, vale o elogio de que o andamento da trama é preservado. Temos até uma excelente rima com uma frase marcante de outro filme da franquia. Aproveito a vírgula para dizer que há duas cenas pós-créditos. Sem revelar o que acontece, digo que a primeira é uma piada que funciona, boba, mas funciona. E a segunda aponta para filmes futuros.

A computação gráfica está ok. O que em um filme deste orçamento é pouco (saudades de um Doutor Estranho). A trilha usa bem os temas dos personagens principais, sem saturar, e ajuda a criar o ambiente – vale ficar atento na música dos créditos finais. O design das roupas/armaduras dão estilo e personalidade para os heróis.

Se fosse um episódio alongado da saudosa série Super Amigos, o resultado seria muito satisfatório. Como cinema, considerando o subgênero “herói”, há muito mais do mesmo – coisa que infelizmente é bem mais comum do que deveria. Porém, diversas cenas serão marcantes. Não vou falar delas aqui para não estragar, contudo garanto que um olhar em especial será meme muito em breve.

Liga da Justiça sabe o que quer ser e entrega algo honesto. O problema é que com tantos heróis de peso o filme quis ser muito pouco, bem menos do que poderia. Típico filme que quanto mais você pensa, mais problema acha…

Confira aqui o ranking com todos os filmes de herói de 2017 e veja onde o Liga da Justiça ficou

E querendo um texto com spoiler, ressaltando os aspectos positivos, clique aqui

 

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