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5 pontos sobre o novo filme do Homem-Aranha – Sem Spoiler

Homem-Aranha: de volta ao lar entra naquele hall de filmes que vão levar multidões ao cinema. Os fãs da Marvel vão amar, quem odeia a Marvel vai virar o olho e o mundo vai seguir girando… Mas como obra cinematográfica a coisa funciona? Vou trazer 5 pontos que podem ser encarados como positivos ou negativos. Assim tentarei dar uma visão menos maniqueísta do longa.

1º) SEQUÊNCIA DO UNIVERSO CINEMATOGRÁFICO DA MARVEL

Se você está acompanhando os demais filmes da Marvel é provável que goste dessa grande novela autorreferência. O efeito colateral é que se faz necessário acompanhar o que aconteceu nos outros filmes. Para a maior parte do público isso não é problema, mas para um possível público ocasional, perde-se força narrativa. A própria participação do Homem de Ferro fica um tanto solta e parecendo ex-machina se encarada como obra única (grandes responsabilidades trazem grandes poderes?), mas totalmente aceitável ao pensar no todo. É elogiável como tudo está interligado, como uma teia, na cabeça dos responsáveis pelo MCU.

2º )VOCÊ VAI RIR, MUITO…

Como de praxis nos filmes da Marvel, e também está no DNA do Homem Aranha, o humor é uma presença frequente. Algumas piadas muito bem boladas, como a da segunda cena pós-créditos, outras que são sequências de gags físicas recheadas de tropeções (algo já batido e que soa como preguiça). Se o teu objetivo é só rir, então em boa parte de Homem-Aranha: de volta ao lar será satisfatória (apesar de alguma barriga no entre o segundo e terceiro ato). Contudo, por vezes o humor vem como muleta para disfarçar uma mesmice do roteiro, claramente vemos piadas que estão ali para preencher lacunas.

3º A VILANIA VILANESCA DOS VILÕES

Os vilões são um problema nos filmes da Marvel. Aqui temos Michael Keaton como antagonista. Ele está muito bem, dá um peso ao personagem, que nas mãos de um ator menos experiente a coisa ficaria muito básica (os capangas dele perdem espaço, por exemplo). Há momentos de baixa como ele contar o plano para o Homem-Aranha, em uma cena que se salva do clichê completo por pouco, ou então a motivação/movimentação ser um tanto genérica. O diferencial é que nós nos importamos com ele e entendemos os motivos das ações. Keaton quase, e friso o quase, rouba a cena (isso é bom para o personagem, mas um tanto perigoso). Temos um personagem menos preto no branco que outros vilões.

4º ) MAIS DO MESMO

Sim, Homem-Aranha: de volta ao lar é mais um filme de herói. Sim, ele também é mais um filme da Marvel. A linguagem cinematográfica, principalmente no que tange ao roteiro, é tudo aquilo que você já viu antes. Até possíveis reviravoltas ou grandes revelações são antevistas. Para muitos, em time que está ganhando não se mexe… e é exatamente isso que temos aqui: uma fórmula conhecida (e em certo sentido, vitoriosa). Quem encarar o cinema como novidade vai se decepcionar (pelo menos dessa vez o Tio Ben não morre, momento que já virou chacota entre os fãs).

5º) O NOVO HOMEM-ARANHA

 

 

Depois de tantos filmes do personagem, a comparação é inevitável. Mas olhando só para este de 2017, o protagonizado pelo Tom Holland, temos um adolescente que foi jogado em um mundo de deuses e super super-heróis. A dificuldade em lidar com o cotidiano “gigante” dos dilemas da idade lado a lado com salvar o mundo. Essa opção de ter um jovem Homem-Aranha também infantiliza alguns momentos. Nada de termos sombrios, o que vemos é uma história leve – há até um baile. A brincadeira com o uniforme, a falta/excesso de recursos e os amigos no colégio são típicos da idade. Uma decisão final, contudo, soou gratuita e mais uma obrigação de roteiro do que algo orgânico.



Para aqueles que gostam de uma nota eu resumiria o filme com um elogiável 6/10, ou três estrelas.

Confira também a crítica do Cauê Petito sobre Homem-Aranha: de volta ao lar

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