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Crítica: Entre Idas e Vindas (2016)

Entre Idas e Vindas é um road movie que vai um pouco, só um pouco mesmo, além das comédias românticas genéricas.

Ficha técnica:
Direção: José Eduardo Belmonte
Roteiro: José Eduardo Belmonte, Cláudia Jouvin
Elenco: Fábio Assunção, Alice Braga, Ingrid Guimarães, Rosanne Mulholland, João Assunção, Caroline Abras
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 21 de julho de 2016

Sinopse: um grupo de 4 amigas sai em viagem em um motorhome. Afonso e o filho Benedito estavam indo para São Paulo quando o carro quebra. Logo o caminho das moças e o dos dois se cruzam e todos eles vivem diversas aventuras, passando a se autoconhecer melhor.

Estradas sendo desbravadas em paralelo a personagens se apresentando e se transformando não é uma ideia original. O motivo varia, porém a fórmula é a mesma. Aqui uma despedida de solteiro – que acaba frustada – coloca as 4 mulheres na estrada. Um reencontro com a mãe de Benedito, ex-mulher de Afonso, é o que leva o filho e o pai na jornada. A história pode parecer batida, genérica e boba – e de fato é tudo isso – mas o filme tem uma áurea que te prende e faz as 1h40 ficarem agradáveis. Pueris e esquecíveis, mas agradáveis…

O que mais chama atenção em Entre Idas e Vindas são os rostos conhecidos. Alice Braga, Fábio Assunção, Ingrid Guimarães e Rosanne Mulholland (a professora Helena de Carrossel), completam o time principal Caroline Abras e o jovem  João Assunção – personagem e ator filho de Fábio Assunção. Cada um, com mais ou menos profundidade, tem um papel bem marcado na trama. E a química entre eles é muito boa e segura a atenção do público.

O gosto agridoce que fica é por só tangenciar uma profundidade. Os 6 personagens poderiam contar mais da própria história e termos mais conflitos pessoais e entre eles. Há uma má divisão da importância de cada um. Enquanto Benedito mostra um incrível carisma e quase todo diálogo do menino é de relevância, a personagem da Caroline Abras (Cillie) é apenas o alívio cômico, sendo descartável. Afonso teve uma relação conturbada com a mulher e tem que se virar sozinho para criar o filho. Já Krisse (Mulholland) é carinhosa com Benedito, faltando-lhe uma outra camada. Amanda (Ingrid Guimarães) tem um passado que ela guarda para si e Sandra (Alice Braga) vive problemas amorosos e incertezas quanto ao casamento, as duas têm o que falar, contudo fica a sensação de que foram exploradas aquém das possibilidades.

Essa inconsciência na complexidade faz com que as simpáticas figuras que encontramos em tela não se tornem memoráveis. Na medida que os dramas ficam na superfície e a linha de crescimento são óbvias. E como o filme todo é centrado no resultado da mistura desses ingrediente, Entre Idas e Vindas acaba nos servindo um insosso bolo – que pode matar a fome como um fast food. Mas, tal como os restaurantes de comida rápida, Entre Idas e Vindas é colorido e rende uma certa diversão.

Rapidamente nos vemos no lugar daqueles personagens e torcemos por eles – mesmo que no fundo a gente saiba que o final feliz se aproxima. As desventuras na estrada passam por pneus furados, cidade fantasma e um vexame em um casamento. Todos sem um perigo real, porém funcionam naquele micro-universo e não soam absurdas. O ótimo elenco de apoio dá um tom quase fabulesco, todavia críveis. O mecânico é impagavelmente (ou bem pagável) descompromissado, a atendente do hotel repete as falas de modo mecânico e o prefeito parece com os coronéis do nosso interior.

O romance esbarra em algum gênio criativo, contudo é muito seduzido pelos clichês do gênero. Quando a história de amor se sobressai os demais personagens são convenientemente escondidos e tirados de cena para que o flerte aconteça. Um grupo coeso e com elementos complexos permitiriam que o romance fosse mais uma história e não tivesse que carregar o fardo de ser a história, como muitas vezes aparenta.

A aparência da obra aliás mescla planos das nossas belezas naturais com um tom amarelo esverdeado, em momentos cuja intenção é simular um documentário amador – tal efeito tem um resultado duvidoso, achei meio brega. Já a trilha sonora é perfeita para ambientação do público. Ela traz uma alegria infantil às cenas e um som macio e acolhedor. Nunca usando uma batida mais pesada e sombria. O bom clima é atingido muito graças a ela. Há, por outro lado, uma sensação de que andamos, andamos e nunca saímos do lugar. Tem um hora que os episódios ficam entediantes. O final fica um tanto anti-clímax e mesmo no bom começo algo não está certo no equilíbrio das cenas.

Entre Idas e Vindas tem um último arco meio cretino e mais óbvio que o resto do longa, diria até novelesco. No mais, dois terços são honestos e podem agradar. Não é uma história distinguível e tampouco perfeita, mas funciona melhor que outras tantas na capacidade de fazer rir e na entrega de bons diálogos.

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