Ícone do site Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

Crítica: Dois Rémi, Dois

Dois Rémi, Dois é rápido, tem potencial, mas carece de um certo desenvolvimento.

Ficha técnica:
Direção: Pierre Léon
Roteiro: Pierre Léon e Renaud Legrand
Elenco: Pascal Cervo, Serge Bozon, Luna Picoli-Truffaut, Jean-Christophe Bouvet
Nacionalidade e lançamento: França, 2015 (28 de abril de 2016 no Brasil)

Sinopse: Rémi é meio desajustado socialmente. É tímido nos relacionamentos, tem algumas manias e não se dá bem no trabalho. Até que um dia aparece um duplo, alguém igual a ele, convivendo nos mesmos ambientes.

Dois Rémi, Dois tem pouco mais de uma hora de duração (66 minutos). Essa é a principal qualidade e o principal problema do filme. O fato de ser tiro curto não abre margem para um aprofundamento maior das relações e fica aquele gostinho de “já acabou?”. Mesmo nem todo filme precise ter 3 horas de duração e narrar uma epopeia, no fim a coisa fica simplória demais.

Neste curto tempo tem muitos momentos que valem o destaque. A primeira meia hora serve para apresentar o protagonista e o faz muito bem. A movimentação e jeito de falar causam estranheza. Delphine, uma espécie de companheira de Rémi, o desafia a contar algo engraçado, o que ele é incapaz de fazer. No trabalho o chefe diz, para outra pessoa, que o Rémi até trabalha bem, mas não se entrosa com os demais. Outra característica do personagem são as andanças, taí uma coisa que ele sabe fazer bem…

Ao final da primeira metade há uma quebra na história. E surge o plot: um cara idêntico surge e deixa Rémi perturbado. O que ele seria? Um clone, um duplo, irmão gêmeo? Mais do que respostas fica a alegoria e a reflexão. É sabido que o novo elemento é bem diferente do anterior. Muito mais sociável e magnético.

Há alguns momentos sutis que merecem destaque. Existem algumas cenas de espelho, outra forma de representar o duplo – também com alguma distorção. A mixagem de som permite escutarmos com nitidez vários sons que normalmente não ouvimos em filmes, como mastigadas. Uma cena, a de Rémi com a mãe, tem grande peso dramático e promove um belo diálogo. A fotografia, tal como o som, também é bem explorada. Alguns tons pasteis marcam o longa.


Fora isso não há grandes arroubos cinematográficos. O tema do duplo já foi bem trabalhado em vários filmes, Homem Duplicado (2013) é um dos exemplos. Lá o tema é abordado com mais profundidade e em um filme melhor realizado. Ambos tem dois pontos em comum: são baseadas em obras literárias – o Homem Duplicado na obra homônima de Saramago e aqui inspirado no Duplo de Dostoiévski. Além disso vale o destaque para atuação dos protagonistas: Jake Gyllenhaal e Pascal Cervo performam dois tipos bem diferentes e fica clara a mudança postural quando vivem cada uma.

Dois Rémi, Dois não traz nada novo sobre o tema, mas é um bom filme. Aqui a narrativa é fluida e até leve. Você compra e se interessa por aquele universo naquela hora. Depois vai se tornar esquecível.

Sair da versão mobile