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Crítica: Hoje eu quero voltar sozinho

Faz um tempo que decidi escrever sobre o filme Hoje eu Quero Voltar Sozinho. Acho importante publicar uma crítica, mesmo tão atrasado.

Ficha técnica:
Direção e Roteiro: Daniel Ribeiro
Elenco: Ghilherme Lobo, Fabio Audi, Tess Amorim, Isabela Guasco, Selma Egrei, Eucir de Souza
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 10 de Abril de 2014

Sinopse: Leonardo é um adolescente cego que tenta lidar com a mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua própria independência. Começa a ter sentimentos novos quando Gabriel chega em sua escola, fazendo com que ele descubra mais sobre si mesmo e sua sexualidade.

 

De forma carinhosa e tranquila, o pai de Leonardo conversa com o filho enquanto o ensina a fazer a barba. O jovem cego, de forma repentina, quer fazer intercâmbio, assustando os pais. “Primeiro eu preciso entender se você está querendo viajar pelos motivos certos”, afirma o personagem do ator Eucir de Souza, demonstrando inteligência e compreensão. E este é um dos motivos que faz do longa de Daniel Ribeiro um filme corajoso: ele fala de temas importantes e conta uma história simpática sem se render a clichês. Afinal, 9 em 10 diretores devem acreditar ser irresistível criar pais ausentes ou violentos em filmes de amadurecimento adolescente – especialmente quando o protagonista é gay.

Indo além, o filme “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”, faz escolhas sábias e que nunca se rendem ao lugar-comum: note que não há nenhum momento de choro, por qualquer sentimento que seja, nem mesmo nenhum acontecimento que não seja absolutamente crível e totalmente semelhantes à vida adolescente, como deixar de fazer um trabalho para ir ao cinema – quem nunca! – ou os ciúmes de Giovana (Tess Amorim) em relação ao protagonista, seu melhor amigo.

Mesmo que com alguns diálogos “decoradinhos” e a pouca experiência da maioria do jovem elenco, há de se valorizar o carisma de todos eles, que ajudam a deixar o longa tocante e singelo. Singeleza, aliás, é talvez a melhor palavra para definir “Hoje eu Quero Voltar Sozinho”: desde os sonhos escuros do garoto cego até os diálogos com a avó provam que não é preciso abordar questões extremas para emocionar – basta ser verdadeiro.

Uma das escolhas mais incríveis do diretor é não mostrar algumas cenas, focando nos olhos de Leonardo, para fazer com que o espectador tenha a mesma sensação do personagem: não enxergar o que está realmente acontecendo, e assim ficar com a mesma dúvida dele: será que Gabriel está “ficando”, ou apenas brincando com a garota da festa? Em diversos momentos, também , o diretor sabiamente foca a câmera na orelha de Leonardo, deixando claro como o garoto percebe o mundo ao seu redor.

“Hoje eu Quero Voltar Sozinho” não apenas entra para o rol de longas-metragens brasileiros que retratam a adolescência na classe média (junto com As Melhores Coisas do Mundo  e Confissões de Adolescente), como pode ser considerado o melhor deles – e não apenas por incluir a temática da homossexualidade de forma madura, mas pela maneira gentil com que trata este período da vida.

 

Leia o artigo do Felipe Ferreira sobre o curta-metragem

 

5/5

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