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Crítica: Vizinhos 2 (2016)

Vizinhos 2 tem a proposta de empoderar as mulheres, já o resultado….

Ficha Técnica:
Direção: Nicholas Stoller
Roteiro: Andrew Jay Cohen, Brendan O’Brien, Nicholas Stoller, Seth Rogen, Evan Goldberg
Elenco: Chloë Grace Moretz, Seth Rogen,  Zac Efron, Rose Byrne, Dave Franco
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (19 de maio de 2016)

Sinopse: Mac e Kelly compram uma nova casa e tentam vender a atual. Mas uma irmandade se muda para a residência ao lado e promove muitas festas dificultando a vida do casal.

Um filme de comédia pode apenas ter como mote a diversão pela diversão? Sim. Pode também problematizar questões sociais? Claro. O problema é quando o elemento a ser questionado (no caso sexismo) consegue apenas reforçar o machismo e desencadear um humor um tanto duvidoso. Eis o resumo de Vizinhos 2.

A ideia central é o mesma do filme anterior: uma vizinhança de jovens fazendo festas atrapalhando o casal que mora ao lado. O longa de 2014 basicamente se foca neste embate. Já nesta sequência, a dupla Mac e Kelly perdem um pouco de espaço e o filme foca-se bastante na irmandade liderada por Shelby (Chloë Grace Moretz). A história coloca o holofote nela a ponto de podermos localizá-la como protagonista.

 

Shelby acaba de entrar na faculdade e não consegue se enquadrar nas normas das irmandades. Ela queria produzir as próprias festas e usar drogas. Na quesito das festas temos um interessante discurso pró-mulheres. Ela questiona o motivo de fraternidades femininas não poderem fazer festas. Outro ponto é que as masculinas são montadas para que os homens se “deem bem” e as mulheres sirvam como objetos sexuais (o tema foi abordado de forma séria no documentário indicado ao Oscar The Hunting Ground).

Até aí o filme acerta na abordagem – contudo, o humor nem tanto. Depois começa uma série de esterótipos e tentativas rasas de representação feminina. E o pior: com um tom machista. Há, também, uma discussão que quase funciona sobre conflito de gerações (algo que vem desde o longa antecessor). As “três” gerações envolvidas mostram como cada vez mais as coisas se modificam mais rápidas. Pessoas com idades próximas já tem realidades diferentes. O problema é a forma unidimensional como é tratada a coisa aqui.

Fato é: ao contrário de algumas outras comédias (leia-se Casamento Grego 2), Vizinhos 2 tenta fazer rir. Aliás, há uma “metralhadora” de piadas. A imensa maioria não funcionou para mim. Em geral são de humor físico – algumas vezes é bem necessário ligar a suspensão de descrença – escatológico, como na cena de sexo que abre o longa, ou autorreferencial (como as piadas dos airbags). Ao contrário do humor do Woddy Allen ou do As Ovelhas não Perdem o Trem aqui o divertimento não se dá por um texto forte.


Os personagens variam bastante. Alguns tem um certo arco, tal como Teddy Sanders ( Zac Efron). Ele que foi o principal “antagonista” do filme anterior, tem um papel bem interessante aqui e, na medida do possível, é o mais complexo. Shelby tem bastante tempo em tela e tenta mostrar as inseguranças e anseios de uma garota da idade, mas o resultado não é bom. O casal principal é apresentado como maus pais. Em um dado momento a filha deles aparece com um consolo na mão e a solução, engraçada admito, foi bem bizarra. As amigas de Shelby e o casal amigo de Mac e Kelly só cumprem funções bem coadjuvantes e estereotipadas.

Alguns detalhes técnicos: o ritmo é bom e a narrativa flui. Por mais que eu não tenha me divertido tanto, em momento algum fiquei entediado. A trilha é agitada e condizente com o longa. Há algumas palavras exibidas na tela, como mensagens enviadas de celulares, que houve um cuidado de traduzir para o português. Os atores, apesar de não estarem brilhantes, tem interpretações ok e definitivamente não são parte do problema. Para os fãs de Friends, Lisa Kudrow volta, mas agora só com uma ponta.

Pelos méritos ressaltados o longa não é um desastre completo. Já vi comédias bem piores. Mas por essa tentativa torta e má executada de abordar assuntos como igualdade e pelo humor ser mais do mesmo, Vizinhos 2 é menos do que poderia ser. Se você gosta deste tipo de humor e não se incomoda com a velha abordagem simplista da divisão homens x mulheres pode ser que se divirta e se distraia por 1h30, não foi meu caso.

 

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