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Crítica: Prova de Coragem (2016)

Prova de Coragem nos traz protagonistas sem carisma e uma história entediante e mal contada.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Roberto Gervitz
Elenco: Mariana Ximenes, Armando Babaioff, Áurea Maranhão e Daniel Volpi
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 05 de maio de 2016

Sinopse: o casal formado pelo médico Hermano e pela artista plástica Adri tem que conviver com interesses diversos. Ele lidar com fantasmas passados e ela em organizar uma exposição. As coisas se complicam quando surge uma gravidez de risco.

Este ano vi, no cinema, filmes nacionais ótimos (O Menino e o Mundo), bons (Boi Neon), médios (Mundo Cão), ruins (Em Nome da Lei) e… Prova de Coragem…. de longe o pior longa brasileiro que conferi nas telonas em 2016 (tirando o boi da frente: não vi Os 10 Mandamentos…).

Notadamente ele falha em diversos aspectos. E os deslizes são fundamentalmente no tripé responsável pela sustentação de uma história: roteiro, direção e atuação.  A trama tenta ir por alguns caminhos, depois desiste, e o mote central é óbvio e perde força. O diretor Roberto Gervitz erra a mão em várias cenas. Os atores parecem estar no piloto automático.

Logo nos primeiros 15 minutos há três cenas distintas onde o casal principal se beija. O natural ato de carinho vem apenas para fixar na mente do público que, até então, eles são um casal feliz. Repetir o gesto soa preguiçoso. A forma como as cenas foram construídas, por vezes beirando o amadorismo, deixa tudo ainda pior.

Em Prova de Coragem toda e qualquer cena com um teor dramático forte enfraquece a ponto de se anular o desejado efeito. Há diálogos clichês como “você parece não me conhecer”, “Se sair não precisa voltar” nos momentos de crise do casal. As atuações frias e sem carisma e os cortes bruscos, pulando de um ambiente para outro, ajudam a compor um triste cenário cinematográfico.

Os vários rumos que a história toma parecem não importar. É possível alegar que o que está em foco não é a história em si, mas os dramas dos personagens. Bem, estes são funcionais, notadamente os coadjuvantes Naiara e Reanan, ou com contradições forçadas, no caso dos dois protagonistas. Naiara ajuda crianças da comunidade dela. Renan pratica esportes radicais e vive às custas do pai. Apesar de ambos estarem bem presentes na trama, a contribuição deles é pífia.

Todavia, o casal principal, Adri e Hermano, é o principal problema aqui. Não há química entre eles. Os personagens tem motivações difíceis de serem compradas. E não há quaisquer tentativas de empatia com o público. Não vemos os acontecimentos sob a ótica de Adri e a chance dela crescer na narrativa nunca se concretiza.

A necessidade de fuga de ambos, ele para as montanhas e ela imersa no trabalho, poderia constituir um elemento a ser valorado positivamente. Contradições tornam os personagens mais críveis, mais humanos. Contudo, o resultado é infrutífero na medida que fica claro que aqueles elementos estão ali de modo a “causar” e não como um constructo orgânico do roteiro.

Em um determinado ponto começa a aparecer um flashback do passado de Hermano. Aquela narrativa é genérica e pouco atrativa, ainda assim muito melhor que a que se passa no tempo presente. Os reflexos dos acontecimentos daquela época soam artificiais e o peso no Hermano é justificado, mas aí é tarde… o personagem já quebrou.

A parte técnica tem algum mérito. A edição, erra em muitos pontos ao tentar fragmentar a história. Em outros consegue dosar bem o passado e o presente. A fotografia traz uma variedade simples e correta de luz e cores.

Mariana Ximenes resvala em tentar dar força para a personagem (atentem-se para as palavras tentar e resvalar). Áurea Maranhão e Daniel Volpi têm pouco material nas mãos. Todavia, poderiam dar um peso maior àquelas figuras, e não o fazem. Armando Babaioff é inexpressivo e esquecível, mas ainda assim a melhor (ou menos pior) atuação dentre o núcleo adulto.

Por todos os elementos fica claro que havia uma história a ser contada muito melhor que a que vimos- vale a lembrança que o filme é baseado no livro “Mãos de Cavalo”, de Daniel Galera. Pode ser que na expressão literária a coisa funcione, aqui não funcionou.

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