Ícone do site Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

Crítica: Eu Sou Carlos Imperial (2016)

Eu Sou Carlos Imperial (re)apresenta uma das figuras mais polêmicas do nosso show business.

Ficha técnica:
Direção: Renato Terra e Ricardo Calil
Elenco: Carlos Imperial, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Paulo Silvino, Marília Gabriela
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 17 de março de 2016

Sinopse: Carlos Eduardo da Corte Imperial (1935-1992) foi um produtor musical, ator e até vereador do Rio de Janeiro. O documentário traz depoimentos dele, amigos e familiares mostrando um pouco da vida e obra deste influente e controverso personagem da nossa cena artística.

Cafajeste, pilantra, mentiroso e garanhão. Essas são algumas das palavras que ficarão na cabeça de quem conferir o longa Eu Sou Carlos Imperial. Contudo, também fica evidente o coração enorme, olhar clínico para revelar talentos e o quão bom ele era de papo.

Imperial mesmo se definia como cafajeste, pois descobriu que sendo taxado de intelectual não seria bem sucedido com as mulheres. Mulheres é um assunto que ele entende… a filha em um dado momento revela que o pai todos os dias levava 3 mulheres diferentes para casa. Há um outro relato dela dizendo como ele a ensinou que lugares do RJ “prestavam” e quais não eram indicados para ela e para nenhuma moça “decente”. Apesar do método pouco ortodoxo, convenhamos que foi uma bela sacada.

Quanto à vida profissional não há como negar a influência de Carlos para a nossa cultura. Ele lançou astros como Clara Nunes, Wilson Simonal, Tim Maia, Elis Regina e o Rei Roberto Carlos. Além de hits como “O Bom” (e a letra diz muito sobre quem foi Imperial) e “Pode vir quente que estou fervendo” (idem).

A polêmica sempre esteve muito presente. Ele teve a cara de pau de registrar músicas de domínio público como se fosse dele, como “Meu Limão, Meu Limoeiro” e “Coelhinho” (sim, aquela mesmo que toca em toda Páscoa). Esta última rendeu um processo da família da verdadeira autora. Teve também um episódio de uma falsa polêmica plantada pelo próprio Carlos. A situação em questão envolve a música “A Praça”, a que hoje é tema do A Praça é Nossa, que até então não vinha fazendo muito sucesso. Outra artimanha foi ligar os nome de Brigitte Bardot e dos Beatles às obras dele Imperial.

Se você é telespectador do Canal Brasil na madrugada provavelmente já viu algum filme produzido, dirigido ou estrelado por Carlos Imperial. Ele foi um participante ativo do “movimento” das pornochanchadas. Inclusive vale a ressalva que há cenas de nudez e sexo oral no documentário.

Alguns nomes não são mostrados na hora das entrevistas, por mais conhecidas que sejam as figuras acho importantes essa marcação em filmes do gênero. Apesar de não tratar o personagem como um herói puro (algo que seria praticamente impossível aqui) e mostrar as contradição de Imperial, senti que poderia ter um certo aprofundamento maior em alguns aspectos.

Todavia, Eu Sou Carlos Imperial, que está em cartaz em alguns poucos cinemas, nos brinda com um documentário divertido, depoimentos do próprio Imperial, artistas bem conhecidos e familiares, destaque para as palavras do filho. Essa entrevista, aliás, pode ser considerada o fio condutor do longa.

Vale também, como material complementar, a leitura da biografia “Dez, Nota Dez! – Eu Sou Carlos Imperial“, de Denílson Monteiro. E o documentário Uma Noite em 67, dos mesmos diretores de Eu Sou Carlos Imperial. O Trailer dá uma excelente medida sobre o que você pode esperar:

 

Sair da versão mobile