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Crítica: Voando Alto (Eddie the Eagle)

Voando Alto pode ser emocionante, mas deixa a desejar em vários aspectos.

Ficha Técnica: 
Direção: Dexter Fletcher
Roteiro: Sean Macaulay e Simon Kelton
Elenco: Taron Egerton, Iris Berben, Hugh Jackman
Nacionalidade e lançamento: Reino Unido, EUA e Alemanha, 2016 (31 de maço de 2016 no Brasil)

Sinopse: biografia de Eddie Edwards. Nascido no Reino Unido e com problemas físicos, Eddie estava condenado a trabalhar em um frustrante ofício com o pai. Mas o amor pelo esporte olímpico o fez lutar pelo sonho de se tornar um esportista.

Já aviso que farei uma crítica um pouco ranzinza do longa. Vocês poderão encontrar em outros portais análises exaltando o filme. Infelizmente a obra não me agradou tanto quanto vejo por aí em análises dos meus colegas.

Voando Alto (novamente um título em português que, mesmo não sendo de todo ruim, não se ateve à tradução literal – Eddie a Águia) traz uma emocionante história de superação e uma mensagem muito bonita, principalmente sobre lutar pelo próprio sonho e quebrar preconceitos, sem contar a velha máxima de que o importante é competir.

Acompanhamos Eddie Edwards, um jovem com problemas nas pernas que o fazia andar com dificuldade. Após ler uma almanaque sobre as Olimpíadas, ele decide que se tornaria um atleta – contrariando as previsões de todos.

A escolha do esporte (salto com esqui) e a relação com a família se dão de forma conveniente e caricata. Algumas cenas no primeiro ato são até engraçadas, mas é necessário ligar a suspensão de descrença para acreditar nos fatos que estamos vendo. Atente-se que não me refiro à condição de saúde do protagonista (já vi no esporte situações tão ou mais impressionantes), mas sim a pequenas situações do dia a dia do personagem que não me convenceram.

Um ponto favorável é que a trama não cai no melodrama, algo que poderia ser tentador para o inexperiente diretor Dexter Fletcher (mais conhecido pelos trabalhos como ator). Outro mérito é a fluidez da história. A narrativa corre em um sentido único e não foca muito em tramas paralelas, apesar de, às vezes, flertar com isso. Os bastidores de uma federação esportiva são mostrados de forma crítica e também é um ponto positivo.

O atrativo do filme, que portanto tem uma direção correta (mas apenas correta), recai no carisma do protagonista e na excelente atuação de Taron Egerton, dando vida de forma inacreditável ao Eddie Edwards. No começo podemos achar que ele está caricato, mas ao ver o personagem real percebemos que o laboratório feito por Egerton foi bem minucioso, como podem ver na imagem abaixo:

Contudo, praticamente todo o resto falhou.

Os personagens secundários são extremamente clichês e meramente funcionais. A família de Edwards, principalmente o pai, quebra completamente o ritmo do longa e dá um ar artificialidade bastante incômodo.

Iris Berben, que faz Petra, uma dona de um estabelecimento comercial, aparece em uma cena completamente fora do tom e a passagem dela é bem equivocada e bastante superficial. A equipe norueguesa “rival” de Eddie e o grande astro do esporte, um finlandês, Matti Nykänen, são personagens dignos de valentões de filmes de High School americana.

Wolverine Hugh Jackman incorpora Bronson Peary. De fato temos aqui um arco dramático com camadas. Peary é ex-esquiador que, por determinados motivos (trabalhado de forma boa na trama), não seguiu carreira. Mas o personagem é bem previsível e batido. Cada diálogo dele eu revirava os olhos em um tédio profundo, principalmente por que vemos um personagem mais uma vez “durão”, mas que no fundo é atencioso e tem coração “mole”.

Dada a natureza do esporte, poderia a fotografia e a filmagem dos saltos ter ido além. Alguns podem alegar que o foco era explorar a figura do Eddie, mas enxergo como uma boa oportunidade desperdiçada. Os saltos com o esqui não impressionavam e o Voando Alto perdia força mesmo em momentos que deveriam ser mais espetaculosos. Por incrível que pareça a falta de um certo exagero me incomodou aqui (não estou querendo dizer que um Zack Snyder contando essa história seria o ideal, mas senti uma certa preguiça aqui).

Voando Alto é good vibes demais. Não me fez rir, chorar ou torcer pelo carismático e batalhador personagem (os acontecimentos eram óbvios e apesar dos pequenos percalços, você sabe, desde o começo, até onde ele vai). Filme bem mais ou menos e que acredito que não valha o ingresso dessa ótima história que foi contada de forma simples demais.

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