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Crítica: Zoom

Zoom traz uma linguagem diferente, uma forma brilhante e uma execução falha.

Ficha Técnica:
Direção: Pedro Morelli
Roteiro: Matt Hansen
Elenco: Gabriel Garcia Bernal, Mariana Ximenes, Alison Pill, Claudia Ohana, Tyler Labine e Jason Priestley
Nacionalidade e Lançamento: Brasil e Canadá, 2015 (31 de março de 2016 no Brasil)

Sinopse: uma desenhista que sonha em aumentar os seios. Uma modelo que resolve escrever um livro. Um diretor de cinema que quer a própria arte reconhecida. Essas três histórias se entrelaçam de um jeito bem inventivo.

Hoje estreia nas telonas o longa Zoom, uma co-produção Canadá/Brasil. O Pedro Morelli vem no segundo trabalho na função de diretor e Matt Hansen assina pela primeira vez um longa. Definitivamente esse frescor traz pontos positivos e negativos, felizmente mais do primeiro.

Zoom tem três arcos dramáticos com histórias tensas e inusitadas. Como de praxe, evitarei spoiler aqui, mesmo a resolução das histórias sendo uma das melhores coisas da trama.

O ambiente inicial é uma loja que fabrica bonecas infláveis bem realistas. Emma (Alison Pill) desenha os modelos para aquele estabelecimento, relaciona-se com o desajustado Bob (Tyler Labine) e tem que lidar com anseios próprios para ter um corpo melhor. Além de se dedicar à produção, como hobby, de uma HQ.

Michelle (Mariana Ximenes) é uma modelo que tenta ir além do estereótipo e quer apresentar um conteúdo. Ela busca inspiração de um jeito exótico para escrever um livro. O marido não a apoia 100% no projeto e ela tem que se descobrir e reinventar para deslanchar a empreitada.

Já Edward (Gabriel Garcia Bernal) é um diretor que fez sucesso com filmes de ação, mas tenta emplacar uma obra mais psicodélica, um filme de “arte”. Algo que não é bem visto, pela produtora (esta parte da trama é feita a partir de uma animação com pinceladas cartunescas a partir da técnica de rotoscopia).

As histórias em si são interessantes e já valeriam se fosse um filme “tradicional”, coisa que zoom não é. A maneira como é contada torna a trama bem diferente do que vemos por aí. E a forma aqui funciona até mais que o conteúdo.

O processo criativo está presente o tempo todo e faz parte da coluna dorsal de Zoom. Há, por exemplo, uma referência muito boa para criticar a falta de “culhões” dos criadores que não mantem as ideias e se deixam levar pelos interesses comerciais (algo comum em filmes de herois, produções de TV e diversos outros espaços).

O ritmo do filme é acelerado e jamais ficamos entediados. A edição está bem afinada e é quem dita o tom de uma forma bem agradável. Tudo tem tempo de se desenvolver, mesmo havendo um senso de urgência constante.

Há momentos que gerarão risadas coletivas em outros a piada é digna de sorrisos contemplativos, mas não menos bem-vindas. A forma como o humor é construído tem um que de novidade, mesmo com algumas situações batidas.

Para falar um pouco dos pontos negativos. Há uma certa barriga no meio e o 2º ato, o pior aqui, tem algumas cenas não tão bem realizadas. Outro problema são alguns excessos que gritam na tela, às vezes menos é mais. Porém acho melhor pecar pelo exagero do que pela pasteurização – então essa crítica tem um certo álibi. A suspensão de descrença tem que ser ligada em alguns instantes e se você não comprar a ideia do filme a experiência pode não ser tão boa.

As atuações estão simples, sem grandes arroubos físicos por exemplo, mas extremamente bem eficazes. Mariana Ximenes e Alison Pill vendem bem os conflitos das personagens e encarnam de cabeça aberta a proposta. Gabriel Garcia Bernal, que dá vida ao diretor (lembrando que a parte dele é uma animação), o faz de uma forma que mescla desposamento e tensão conforme a trama vai se desenvolvendo e nos exibe o melhor personagem. A participação dos atores secundários (dentre eles a Claudia Ohana) deixou um pouco a desejar, mas o material que eles tinham também não dava muita brecha.

Zoom é um combo de arte (com foco na processo criativo), sexo e metalinguagem. Essa salada pode funcionar para alguns e falhar miseravelmente para outros. Provavelmente você verá críticas muito díspares deste longa (mas já estamos vacinados depois da enxurrada de Batman Vs Superman, certo?).

Inegavelmente é um filme com identidade. E cada microcosmos dentre dele traz características próprias que podem ser apreciadas em medidas diferentes. Uma estrutura muito imaginativa e uma execução um pouco capenga fazem de Zoom uma boa pedida (que poderia ser ótima).

[o trailer tem MUITO spoiler, portanto só recomendo assisti-lo quem não se importa em saber detalhes da trama ou quem ainda não está convencido a ver o filme]

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