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5 motivos para assistir ao filme “A Mulher Faz o Homem” e entender a política atual

Em um momento de grandes turbulências na política brasileira, um filme de 1939 se faz incrivelmente atual. “A Mulher Faz o Homem” (título brasileiro curioso, mas de proposta digressiva) ou “Mr Smith goes to Washington”, dirigido por Frank Capra e estrelado por James Stewart (Um Corpo que Cai) e Jean Arthur, mostra uma realidade da política americana que poderia muito bem ser transferida para o Brasil ou qualquer outra república dos dias de hoje.

Na trama, Jefferson Smith, um simples líder de escoteiros, é indicado pelo governador de seu estado para ser Senador. O motivo, como é explicado no início da trama, é que ele é um homem pouco experiente que não atrapalharia os planos do governador e do outro senador a aprovar a construção de uma represa para um esquema de corrupção. Ao mesmo tempo, por ser adorado por tantas crianças, o simples senador poderia angariar mais votos.

Confira 5 motivos para assistir ao filme e fazer conexões com a política brasileira atual (contém pequenos SPOILERS, mas que não estragam a experiência):

 

1- A forma como os projetos de lei são feitos e aprovados:

Ainda no primeiro ato do longa, o ainda inocente e recém-nomeado senador Jefferson Smith decide criar um projeto de lei. A secretária Clarissa Saunders o ensina, de forma descrente, todo o processo necessário para se aprovar um projeto de lei, bem como o que pode acontecer no “meio tempo” em que o projeto passa por tantas revisões e “discussões”.

 

2- Entender como ocorrem os esquemas de propina:

Na trama (e isso não é spoiler, já que está no começo do filme), o senador Paine (Claude Rains) tem um projeto de lei para construir uma represa, que o beneficiará financeiramente, junto com o Governador Hopper (Guy Kibbee) e o chefe político Jim Taylor (Edward Arnold). A explicação é clara: as terras que serão desapropriadas foram compradas por eles em nomes de  “laranjas”. Será que ainda fazem esse tipo de ação nos dias de hoje?

3- A ação da imprensa no mundo político:

Jim Taylor, além de controlar dois importantes políticos, também controla toda a imprensa do estado que Smith representa – é um empresário com muito dinheiro, ao que tudo indica. Em certo momento da projeção, vemos que a população local se volta contra Smith porque não está realmente bem informada, já que os jornais oficiais não contam a verdade, e ainda existem pessoas roubando os “folhetos” feitos por jovens. Neste momento, é possível fazer paralelos com movimentos estudantis, cenas de protestos incrivelmente recentes, e muitas outras coisas. Qualquer semelhança com a imprensa brasileira não será nenhuma coincidência!

 

4- O questionamento sobre o “jogo” na política:

Outro importante personagem, em certo momento, conta que para conseguir ficar muito tempo como senador, é preciso ceder ao “jogo político”, como ele mesmo explica. Ou seja, é preciso aceitar as coisas como são – corruptas – para conseguir algo, ou pelo menos construir uma carreira. Este conceito, usado como desculpa justificativa por muitos políticos que têm algum tipo de ética, permanece até hoje, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil ou em muitos outros países.

 

5- A mensagem da persistência:

Mesmo que traga uma mensagem um pouco romântica – tal qual seu protagonista – o filme não deixa de ser verdadeiro. Ele mostra que com muita – mas MUITA – persistência é possível vencer o sistema corrupto. De fato, há momentos em que projetos assinados pela população (como o da Ficha Limpa, no Brasil) ou propostas de fato importantes são conquistadas a despeito dos interesses partidários ou financeiros, mas são raros e ocorrem com muita pressão.

 

PS1: “A Mulher Faz o Homem” ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 1940, ano em que “E o Vento Levou” ganhou a maioria dos prêmios da Academia.

PS2: Alguns momentos do filme são um pouco ufanistas, mas a narrativa como um todo é bastante irônica em relação ao nacionalismo.

PS3: As atuações deste filme são impecáveis.

PS4: O filme está atualmente disponível na Netflix

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