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Dez motivos para assistir e amar: Agent Carter

Agent Carter, criada por Christopher Markus e Stephen McFeely e trasmitida pela ABC, acompanha as aventuras da personagem-título, Peggy Carter (Hayley Atwell), logo após os eventos do primeiro filme do Capitão América. O seriado mostra nossa heroína lidando com a perda de seu amor, Steve Rogers(Chris Evans), ao mesmo tempo que precisa suportar todo o machismo da RCE (Reserva Científica Estratégica), pós-guerra, onde “teoricamente” não existia mais lugar para ela com o retorno dos homens. Então, Howard Stark (Dominic Cooper) lhe oferece a oportunidade de tirá-la dessa monotonia: precisa da ajuda de Peggy para inocentá-lo da acusação de traição.

 

 

Eu gostaria muito de poder fazer a tiete e dizer que cada leitor desse artigo precisa ver o seriado, porque é ótimo, porque eu amo e todo mundo vai amar também, e então, todos ouvem meu conselho e vão correndo ver o seriado. Porém, acredito que não vai ser bem assim (e não teria tanta graça se fosse também). Então, decidi listar alguns motivos pelos quais é muito fácil se envolver pelo seriado e pelos quais, aí sim, todos os leitores deveriam dar uma chance a ele.

Não preciso nem mencionar a protagonista, que tem esse status muito mais que merecido e não existiria outro nome para a série que não fosse o dela. Sem mais delongas, os dez motivos para assistir, e se apaixonar por, Agent Carter:

 

 

Marvel One-Shot: Agent Carter (2013)

Para quem não conhece (corra e conheça!), a Marvel produz vários curtas entre cinco e quinze minutos, todos no universo cinematográfico, retratando pequenas histórias (algumas relevantes, outras nem tanto) que acontecem entre um filme (ou episódio de seriado) ou outro. Um desses retrata nossa querida personagem.

O curta começa bem na cena de Capitão América: O Primeiro Vingador onde Steve Rogers se perde no gelo e perde contato com Peggy. Então, somos levados a um ano depois desse fato, onde Carter se vê negligenciada como agente. A partir daí nos é apresentada toda a premissa da série. Se não acredita nesse simples texto um pouco tendencioso, faça uma degustação com esse Curta, antes de mergulhar na série.

https://www.youtube.com/watch?v=JTZS-FewPdI

 

Carter versus Roger

Começamos logo por algo que chamou muito a minha atenção na primeira temporada da série: os paralelos das lutas de Carter com as locuções da rádio novela do Capitão América. Em tais programas, as aventuras do Capitão eram descritas de maneira super heróica, contra os vilões da Guerra. Enquanto nós ouvíamos isso, víamos a ação da agente da RCE sincronizadas com as falas. E isso acontece durante toda a temporada.

Uma cena em especial que ficou na minha cabeça foi de um episódio das narrações onde a mocinha, Betty Carver (sacaram, né?), é retratada esperando o resgate do Soldado, mas na verdade vemos Peggy sendo a sua própria salvação, e derrotando seus inimigos (bem maiores que ela, digamos de passagem).

A direção dessas cenas (e no geral) é impecável. Abaixo um vídeo ilustrando o tópico:

 

Diversidade e empoderamento das Minorias

Bem, que o seriado empodera as mulheres, trazendo uma personagem principal forte, corajosa e dona de si, já deu pra perceber, mas não para por aí. A personagem principal poderia ser um clichê ambulante, mas não é! Ela é humana, ela não é só um interesse romântico de alguém ou um meio para outro personagem alcançar um objetivo, ela se relaciona com outras mulheres, se dedica ao seu trabalho, mostra suas vulnerabilidades, etc.

 

 

Também, logo na primeira temporada, temos Agente Sousa (Enver Gjokaj), que se feriu seriamente durante a guerra e precisa usar uma muleta pelo resto da vida. Em nenhum momento ele é o coitado, o mártir… Nada disso. Ele não é um personagem resumido a sua limitação. Pelo contrário, nada o impede de salvar o dia e ainda ser o “interesse romântico” (como já disse, o show não foca muito nisso, pelo menos não na primeira temporada) da personagem principal.

“Chefe, o que faremos? “

“FAÇA O QUE A PEGGY MANDAR!”

Na segunda temporada temos ainda mais o desenvolvimento de temas/tabus como esse. O negro cientista, Dr. Wilkes (Reggie Austin), que também tem sua chance com Peggy Carter, a gorda desejada (que também deixa muito marmanjo no chinelo em suas cenas de luta) e o já citado deficiente. O seriado trata com muita precisão esses assuntos, raramente falando sobre eles: está muito mais nas atitudes dos personagens do que em seus diálogos. E olha que estamos falando de 1946. Mil novecentos fucking quarenta e seis. Um contexto onde comportamentos preconceituosos são retratados com naturalidade no audiovisual, mas Agent Carter faz outro caminho, muito mais bem-vindo, só pra comentar.

Girls Power

Eu espero que [o seriado Agent Carter] comece uma revolução silenciosa para [termos] mais mulheres-protagonistas em shows [de TV]

“Porque o público está aí e eles querem isso, e eu acho que está na hora”

 

Pegando o fio da meada do tópico anterior, temos quase que literalmente um Arsenal de Mulheres poderosas aqui. Quem tem poder de luta igual/superior ao de Carter é uma mulher, Dottie Underwood (Bridget Regan), que aliás, os melhores combates um-a-um são protagonizados por ela e Peggy.

“O que você vai me contar…”

 

“Você é muito fácil. Precisamos da Peggy”

 

Temos a já citada Rose (Lesley Boone), que chega devagar, só como a recepcionista da base da RCE, mas conquista corações e é uma excelente lutadora. E espero vermos mais dela na terceira temporada.

 

 

[   Rose: "Ah... Já vi maiores."   ]

 

 

 

 

A principal vilã, Whitney Frost (Wynn Everett) é uma mulher também, atriz de Hollywood e uma excelente cientista (Natalie Portman versão Cisne Negro). Com o aparecimento dela, tive o receio da série cair no clichê de “briga de mulheres”, mas não: são duas adversárias extremamente competentes, que se odeiam por diferenças morais e ideais, longe do conceito ultrapassado de que “mulheres se odeiam entre si naturalmente”.

 

 

Sem esquecer, claro, de Ana Jarvis (Lotte Verbeek), que mesmo tendo um papel mais “tradicional” na narrativa, se destaca com seu humor e conselhos ótimos, ela não é só a mulher de Edwin (James D’Arcy), ela é Anna Jarvis. E continuando a onde de relação entre os tópicos, o próximo é…

 

Casal Jarvis

 

 

Infelizmente, essa maravilhosa dupla dinâmica só entra em cena na segunda temporada, mas vale a pena esperar para ver.

Todo o carinho e cuidado que apenas ouvimos falar na primeira temporada através do mordomo do Sr. Stark, podemos ver na tela com a mais que bem-vinda presença de Ana. A interação entre eles, a preocupação um com o outro, como Peggy mudou a rotina do casal… Tudo isso é bem interessante de ver, ainda mais o desenvolvimento de romance na série não sendo o foco da narrativa, momentos entre o casal são ótimos para trazer alívio entre as cenas mais intensas do show.

Atuações

 

“Sem respostas na ponta da lingua?”

 

Sem fio condutor entre dois tópicos dessa vez, vale muito a pena prestar atenção nos atores e como eles entram e desenvolvem os seus personagens. Muita gente ainda faz uma relação sem sentido, separando atores da TV e dos cinemas. Como se os segundos tivessem um nível superior aos dos primeiros. Ledo engano!

Cada ator dá vida ao seu personagem como ele deveria ser e trazem emoção à tela para nenhum cinéfilo botar defeito.

 

“Bom argumento”

Formato de temporada curta

O que acaba desanimando um potencial fã para a série é o formato de ficção seriada televisiva. Alegam que os episódios enrolam demais, se perdem no meio da temporada ou entre elas, e quem acaba na pior é o fã da história, como aconteceu em outro seriado da Marvel, Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D, por exemplo.

[   Dottie: "Quer que eu o mate?"
    Juntos, Daniel e Paggy: "Não o mate!"  
    Dottie: Vamos lá! Vai ser rápido."  ]

Porém, isso não acontece em Agent Carter. Só para compararmos, MAOS tem vinte e três episódios por temporada. Agent Carter apenas oito e dez (primeira e segunda temporada, respectivamente).A drama segue um ritmo confortável, mesmo para quem não está tão habituado às séries, e pode tanto ser assistida em um ritmo casual ou no formato maratona. Depende de você.

Humor

 

 

 

[  Peggy: "De verdade, você deve ficar com sua esposa. Vou ficar bem" 
Jarvis: "Sim, claro. Bem, bem, bem."
Ana: "Te imploro, deixe-o levá-la. Ele nunca vai parar de falar sobre isso"
Peggy: "Hm, bem... Tudo certo. Quero dizer, eu acho que eu..."
Ana: "Edwin!"
Jarvis: "Esplêndido! Vou pegar suas malas."   ]

Bem, eu não sou a mais indicada para falar sobre humor, principalmente esse tipo sutil que temos presente no seriado. Ou eu não entendo e deixo várias pérolas geniais passarem direto por mim ou vejo uma graça enorme numa frase que não deveria chamar tanta atenção assim. Difícil achar um meio termo. Entretanto, é um tópico que não pode passar em branco, mesmo que eu não o desenvolva muito. É humor inteligente e sutil, as vezes um pouco sacana, só quando Howard está em cena (ou comentam algo sobre as galinhagens dele).

Referências ao resto do mundo Marvel

 

   

[   "Se ela não fosse uma maníaca homicida, eu estaria apixonado por ela."   ]
[   "Peg, quero que saiba que não estou tendo nenhum pensamento inapropriado a seu respeito agora! Espere... aqui está ele."]

Primeiro de tudo, vamos ter uma terceira temporada e só quero saber de uma coisa: BABY TONY STARK e Jarvis cuidando dele!

Passado o ataque de pelanca, para quem é fã do Universo Cinematográfico da Marvel, é quase que indispensável assistir à obra que estou falando a quase quatro páginas (contagem do Word)! Esquece Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D.! Até alguns filmes do cinema não valeram meu ingresso 3D, mas passar aquele fim de semana preguiçoso assistindo Peggy Carter vale muito a pena, e seu único gasto é a pipoca.

E como eu sei que os fãs do UCM sempre esperam uma aparência do grande criador das obras, segue abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=GKP5xs2e-N8

Vamos combinar que é uma aparição bem melhor do que a de Demolidor (que eu esperava muito mais).

PS: Não vou contar os easter eggs, é muito mais legal achar por você mesmo.

Bônus: Musical

Essa cena esplêndida, é a abertura do episódio nove da segunda temporada. Consiste em um sonho de Peggy enquanto está inconsciente na parte traseira de um caminhão.

 

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