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Crítica: Amy

Amy, que concorre ao Oscar de melhor documentário deste ano, já está disponível no Netflix.

Ficha Técnica:
Direção: Asif Kapadia
Nacionalidade e lançamento: EUA, 26 de setembro de 2015

Sinopse: A história de Amy Winehouse em suas próprias palavras, com vídeos de arquivo e canções inéditas.

 

O que faz de um documentário bom ou ruim? Acredito que ninguém discordaria que este é um dos gêneros mais difíceis de se analisar, já que um documentário passa por um processo de produção muito diferente. No caso de “Amy”, as principais características que fazem dele um bom filme são as escolhas do diretor – bem como o processo de “garimpar” tantas imagens, vídeos e áudios da cantora que intitula a produção.

O longa de Asif Kapadia (Senna) tem o objetivo de traçar um retrato de Amy Winehouse, que mesmo com pouco tempo de vida e carreira, arrebatou o mundo e tornou-se um dos principais nomes do seu tempo. O que faz de “Amy” um documentário excelente, e qualquer outro do gênero que seja biográfico, é o fato de humanizar a pessoa retratada. Mais do que isso, o longa traça uma linha de raciocínio, que é o questionamento sobre a pressão que o sucesso fez na cantora, na tentativa de explicar seu vício em drogas, responsável por sua morte.

Assim como em “Senna”, no qual Asif Kapadia já passava longe das “cabeças falantes”, das quais muitos documentaristas não conseguem fugir (o que nem sempre é negativo, vide “Cássia” de Paulo Henrique Fontenelle), “Amy” tem uma escolha muito interessante: mostra as entrevistas em off, enquanto exibe as inúmeras imagens coletadas. Mais que apenas “entrecortar” imagens, o documentário é inteligente ao exibir como cena inicial um vídeo caseiro em que a então adolescente Amy canta “Happy Birthday to You” com sua voz incomparável. Aproveitando-se do fato de que as letras que ela compunha eram totalmente autobiográficas, o filme faz a linda escolha de, em determinados momentos, deixar a própria canção resumir os acontecimentos.

O documentário ainda traz momentos inspirados, como quando um dos melhores amigos de Amy conta que, mesmo tendo acompanhado a cantora desde o começo, um dia ele “de repente” não estava mais lá. Enquanto sua voz diz isso em off, uma cena de arquivo mostra os dois sorrindo para a câmera e o amigo se afastando, criando uma linda poesia visual.

Sem nunca julgar ninguém por suas escolhas – nem mesmo o marido Blake Fielder, quem mais a influenciou a usar drogas – o longa deixa que o espectador chegue às suas conclusões, abrindo espaço para debates sobre traumas de infância (e uma provável relação sem proximidade com os pais) e a forma como a mídia trata suas celebridades. A narrativa também não questiona as atitudes do pai de Amy, que ora é uma figura familiar a acompanhar a filha, ora parece ser apenas alguém que se aproveita do sucesso dela.

No fim, fica a sensação de que Amy Winehouse teria sido uma pessoa incrivelmente feliz se não tivesse descoberto seu talento indescritível para a música. Não seria famosa, não teria pressão da mídia, não teria afundado seu corpo em drogas…

…mas também não teria gravado o álbum Back to Black, e nem eternizado sua voz neste mundo, que é um emaranhado paradoxal de escolhas e consequências.

5/5

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