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Crítica: Straight Outta Compton: A História do N.W.A.

Straight Outta Compton: A História do N.W.A. foi indicado para o Oscar de melhor roteiro original.

Ficha técnica: Direção: F. Gary Gray. Roteiro: Jonathan Herman e Andrea Berloff. Direção de Fotografia: Matthew Libatique
Elenco: O’Shea Jackson Jr., Corey Hawkins, Jason Mitchell, Neil Brown Jr., Aldis Hodge e Paul Giamatti.
Nacionalidade e data de lançamento: EUA, 2015

Sinopse: o longa conta a história da formação do grupo que revolucionou a cena do Rap americano, e por que não mundial, entre as décadas de 80 e 90. Eazy E, Dr. Dre, Ice Cube, DJ Yella, MC Ren e Arabian Prince formaram o N.W.A. (sigla para “Negros Com Atitude”). As letras tratam de violência, racismo e abuso de poder e o filme mostra o contexto que fez com que aqueles jovens precisassem escrever sobre aqueles temas. E como é dito no filme: “quando eu ouvia NWA não era só música, era mais como uma história de vida dos meus irmãos e vizinhos que conseguiram”.


Temos muitos pontos positivos e negativos aqui, sendo portanto uma obra inconsistente. Vamos tentar detalhá-los. O filme foi produzido por membros do N.W.A., ou pessoas ligadas a ele. O quê nos traz uma visão enaltecedora do grupo e, por vezes, oculta a total realidade dos fatos. Essa opção chapa branca incomoda em certa medida. Contudo, no que a obra se propõe a mostrar o faz com bastante competência (só que precisava mesmo ter quase 3 horas de duração?).

Logo no começo é estabelecido o clima de tensão e violência. Em um ritmo muito pesado. Vemos também a brutalidade da polícia, principalmente em relação aos negros – muitas vezes os detendo só por serem negros. Esses fatores são bem construídos e problematizados servindo como mote para a indignação presente nas letras do N.W.A., vide o polêmico sucesso: “Fuck the Police”. As canções ajudam na narrativa: linguagem carregada de gírias, sexo e drogas (aliados a uma bela fotografia) ajudam, e muito, na imersão.

As cenas de confronto com as autoridades são repetidas várias vezes. Antes que se tornasse um problema, o foco do filme virava para as relações entre os membros do grupo e a vida que eles estavam levando (conflitos por dinheiro, festas regadas a sexo e drogas e problemas familiares). Posteriormente retomava as questões mais abrangentes, como as opiniões contrárias da mídia e de pessoas mais conservadoras. No último arco, 20-30 minutos finais, temos uma pegada mais emocional. Tornando, portanto, o ritmo da obra algo bem dosado e diversificado. A montagem das cenas e a movimentação da câmera (com alguns planos sequências ou rodeando os personagens) também auxiliam neste ponto.


Eazy E, Dr. Dre, Ice Cube tem bem mais tempo em tela do que os demais integrantes do N.W.A. Ficou clara a opção de mostrar a história com o holofote voltado para aquele trio. As atuações dos três, O’Shea Jackson Jr., Corey Hawkins e Jason Mitchell, são competentes. E a semelhança física com os biografados também é um ponto que vale destaque (Jackson, aliás, é filho do Ice Cube). Ressalto também o personagem do empresário, Jerry Heller (vivido pelo ótimo Paul Giamatti).

A parte musical está também muito boa. Quem gosta do gênero deve se deleitar: a trilha escolhida é bastante envolvente. Quem não tem muito contato com o ritmo pode dar uma chance e ser convencido pelas bem filmadas cenas dos shows do N.W.A. Aqueles que de fato detestam o som terão muitos problemas em passar pela trama.

 

 


Vilões por vezes caricatos, uma certa barriga (o filme poderia ter uns 30 minutos a menos) e omissão de personagens e temas (como atos negativos cometidos por membros do N.W.A, tal como violência contra mulher. Ou quando é mostrado, sobressai um tom de galhofa), são os problemas do longa.

Contemplar Straight Outta Compton: A História do N.W.A dentre os 5 melhores roteiros é um pouco estranho. Principalmente ao deixar de fora, por exemplo, Os Oito Odiados e Sicario. Vencer a categoria tendo como concorrentes: Spotlight, Divertidamente, Ponte dos Espiões e Ex Machina será uma injusta surpresa.


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