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O que aprendi escrevendo para o Cinem(ação)

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“Há somente uma maneira de escrever para todos, que é escrever sem pensar em ninguém” – Marcel Proust

O primeiro texto que escrevi para o site do Cinem(ação) tem a data de 01 de Outubro de 2013. Talvez você não saiba que este texto era meu, porque quem o publicou foi o Rafael Arinelli, vulgo meu irmão e criador do site. Este foi o meu primeiro teste, eu havia assistido ao filme “Rush (2013)” e resolvi me render à experiência de escrever sobre ele. Já há tempos que os filmes me fazem pensar sobre uma série de fatores e aspectos da minha vida, nada mais justo que começar a compartilhar tais reflexões com outras pessoas. O convite havia sido feito pelo meu irmão e confesso que não foi – e ainda não é – fácil escrever assim, eu acho que acabo tentando ser perfeccionista demais nos textos que escrevo, penso demais no leitor, na repercussão das minhas palavras, etc. Quando estas preocupações me afetam muito eu faço uma pausa, escrevo depois, penso melhor.

Lembro que em julho deste ano eu voltei para a casa dos meus pais e em meio a um agradável final de semana eu reparei que precisava fazer uma limpeza no meu antigo quarto, há meses que minha mãe me cobrava disso. Abri a porta do meu armário e encontrei uma caixa. Ali haviam cadernos de quando eu era criança, cartas de “Magic” (não sei porque ainda as guardo), moedas, pulseiras, relógios e outras lembranças da minha adolescência e infância. O caderno azul me chamou a atenção, era pequeno e de capa dura, como as professoras pediam na antiga lista de materiais escolares Ao abri-lo, notei o verso da capa, ali estavam escritos o meu nome, minha série, data e uma frase que uma professora de português fez a sala inteira escrever: “Um bom escritor é aquele que lê o seu texto e o corrige até que o considere satisfatório”.

De uma forma ou de outra, esta frase sempre esteve comigo durante todo o meu percurso escolar, na universidade e agora, prestes a começar o mestrado. Existe um autor na psicologia do qual eu gosto muito, Vigotski (1896 – 1934), que discute sobre a importância da linguagem escrita. Ele diz basicamente que passamos por uma série de revoluções psicológicas ao longo de nossas vidas. As mais significativas são quando começamos a falar e quando aprendemos a escrever. De acordo com ele, a escrita muda o nosso modo de enxergar o mundo, temos que aprender uma série de regras e normas gramaticais que, por sua vez, ajudarão a nos expressar de uma maneira completamente nova. A escrita, no final das contas, é um treino, uma habilidade que poderemos desenvolver mais ou menos dependendo do nível de interesse e utilidade que isto represente. É incrível perceber o quanto esta habilidade nos transforma. Ao escrever tudo isso, eu sou capaz de perceber melhor o próprio processo de escrita (total “Inception”, rs).

Há uma frase interessante de Nietzsche que diz: “O escritor está longe de possuir todos os meios do orador”. Entrei um pouco nessa discussão em um texto que discuti sobre qual seria o melhor “Livros X Filmes”, compreendendo que suas naturezas são diferentes. O caso é que tive a ideia deste texto porque reparei que começar a escrever para o Cinem(ação) foi um grande passo na minha vida. Quando me inseri nesta nova experiência, uma série de mudanças ocorreu. Há algumas semanas eu vi uma entrevista com o Gregório Duvivier (Porta dos Fundos) em que ele discutiu exatamente sobre este assunto, hoje, chego à mesma conclusão que ele: desenvolver textos com certa periodicidade, temas específicos e em uma linguagem espontânea e informativa é uma vivência única e muito enriquecedora.

Depois que eu comecei a escrever para o site, eu também reparei que a minha visão sobre os filmes mudou. Comecei a me tornar mais crítico, o meu olhar voltou-se mais para a produção, posição de câmera, atores, diretores, etc. Ainda assim, tento não perder a emoção que me surge no momento em que estou em frente à tela, as ideias que me brotam e as reflexões que insistem em aparecer. Por isso, posso afirmar com segurança que começar a escrever para o Cinem(ação) representou um crescimento prático e significativo em minha vida.

Você também pode começar a escrever e a vivenciar tudo isso. Em um caderno, uma folha de papel solta ou até no computador, comece a escrever seus pensamentos, ideias e planos. Confie em mim, colocar no papel faz toda a diferença. Eu te garanto que quanto mais você cultivar este hábito, mais fácil ficará. Quem sabe tudo isso não vire um livro no futuro? Começar aos poucos pode representar uma grande mudança lá na frente.

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